Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

sábado, 12 de junho de 2010

NÃO SEI EM QUE OCEANO NAVEGAS


Comprei, hoje, um búzio numa tenda de cortinas estampadas e transparentes, finas, que esvoaçavam ao sabor do vento manso numa tarde a lembrar pedaços de trópicos. Pelo colorido, pela maciez do Sol que aquecia, alegrava e iluminava. O búzio era lindo, encontrei-o só, olhando para mim, no meio de flores de lótus, de incensos, de pulseiras, colares e árvores da vida. Foi amor à primeira vista. Tiro e queda. Encanto e desejo, ali, rodeada de odores místicos e melodias bamboleantes que enchiam o espaço. Olhei-o fixamente e sorri para mim própria. Estendi a mão, toquei-lhe suavemente com um dedo que deixei deslizar pelo todo do búzio vindo não sei de que Oceano para se render no côncavo da palma da minha mão, amparado com ternura. Deslumbrada pela descoberta, na tenda de cheiros, de cores e de músicas exóticas, levei-o ao meu ouvido e o seu toque frio fez-me estremecer naquela tarde de Sol macio. E, aí, escutei a imensidão do mar que havia dentro dele. Escutei melhor e pareceu-me ouvir, lá longe, distante, um gemido, talvez saudade pelas águas que, um dia, deixou de onda em onda, de maré em maré, de corrente em corrente, afastando-se de casa que recordava na imensidão do som escondido no seu interior a lembrar-lhe o que ele não queria esquecer. Havia nele um pouco de mim: não sei em que Oceano navegas não me interessa, mas não te esqueço, embora não te queira lembrar.




A minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão
(Clarice Lispector)

2 Comentários:

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16 de junho de 2010 às 06:45  
Blogger MEB disse...

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16 de junho de 2010 às 20:57  

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