Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um Chá em Belém


Quantas vezes não escutou já esta expressão: "de médico e de louco todos temos um pouco"? Algumas vezes. Como? Muitas vezes? Claro! Assenta aos portugueses como uma luva! De pelica. Macia, ajustável, doce ao toque e protectora. Nós somos o máximo. Mas que crise se pode dar ao luxo de não saber que à mesa de um qualquer café um grupo de sabedores nacionais, em meia dúzia de dissertações, não resolveria a coisa e ponto final. Seja o que for: Opas, vazio de Poder, Cimeiras, Viagens, Ambiente, Greves. Saúde, Ensino (a lista é longaaa). Peritos em tudo, é o que é, e pronto. São os genes, heranças de personagens e passados. Está no sangue e destila no fado.

Mas, Belém e São Bento é que nos ignoram... Se "os fazedores de imagem" adquirissem o s-a-l-u-t-a-r hábito de escrever na agenda do Presidente a utilidade de convidar, de quando em vez, um anónimo cidadão para saborear nos jardins do Palácio Rosa, ou mesmo na verdejante área da piscina, um desprotocolar encontro onde pudessem falar livremente nos temas que, ao fim e ao cabo, atormentam os dois. De maneiras diferentes, acrescente-se, mas toca.

Ali, só os ordenados seriam, por certo, diferentes. As dimensões das preocupações também, mas os factos lá estariam, ansiosos por transpor os muros da oficialidade e entrarem num diálogo aberto, por vezes (canja) surrealista, louco, desengonçado mas quem sabe se neste, naquele, ou noutro ainda, um não conhecido, não doutorado, não ex daqui ou dali, tão somente um passeante pelos dias das suas aventuras -seja lá isso o que for-, dissesse algo seu, agarrando e interpretando ângulos, análises, abrindo, à sua maneira, espaços de projecção que ele nunca imaginou divulgar. O Senhor Presidente que me desculpe, mas tem um povo genial. Aproveite-o. A maioria gosta de si.

Mantenho o mesmo para São Bento, só tenho a leviandade (são os tais genes, heranças do passado...) de o aconselhar a não levar para o hipotético e prazenteiro encontro nem o Ministro da Saúde, nem a ministra da Educação e, já agora, por favor (sei que lhe dói), a Drª Edite Estrela, já não a podemos ver permanentemente a sorrir. É que nunca ouvimos as anedotas. São coisas.

Como dizia no início desta crónica "de médico e de louco, todos temos um pouco", o que sucederá se o tema for futebol? Ah! aí a coisa fica a escaldar. O sr. Scolari que se cuide já que nós, portugueses, nas bancadas das nossas vidas, vamos resolver passo a passo os jogos com prolongamentos e tudo. Vão ser as equipas, tácticas, substituições, convocações e árbitros 5 estrelas. Um mimo. Ele só tem de nos consultar. Pode ser pelo telefone, por mail, por sinais de fumo, tambor, mas o ideal seria levar-nos com ele para os estágios para aqueles hoteis capazes de dar vida a um moribundo. É que nós somos mesmo bons! Se pusessemos em prática toda a nossa capacidade inventiva, Portugal ficaria num piscar de olhos à frente de toda a Europa, liderávamos tudo.

Já repararam como chega a ser impressionante o número de inventores portugueses que em exposições internacionais de grande credibilidade arrebataram prémios, não de consolação, recordo, mas os primeiros lugares. Essa realidade mostra bem como temos tanto de engenhocas, como de imaginativos e, simultaneamente, sonhadores.

Certo que são atributos diferentes, mas em todos existe um laivo de criatividade que aperfeiçoada pode levar a realidades perfeitas Somos uns espécies de lampadinhas, com o perfil dos criativos, aqueles a quem frequentemente se acende na mente a lâmpada que pisca e assinala o início da descoberta. Não tem nada a ver com a idade.


Relembre como Mozart, aos 20 anos, revolucionou os padrões musicais da época, como Newton, aos 23 formulou a teoria da relatividade. Nem todos somos génios, mas a capacidade de sonhar e imaginar é o motor principal para a genialidade. E, sabe lá, a quantidade de sonhadores que há por aí a interrogar as estrelas?

Por falar em génios lembro que a partir de sábado, em Chaves, vão reunir-se 40-quarenta- inventores portugueses que vão deslumbrar com os seus projectos, desde a casa ecológica com tijolos de papel (conferi, afirmo) a um motor de água solar. Quem sabe, sabe. Vá à IV edição das jornadas Flávia Criativa-Salão de Inventores Júlio dos Santos Pereira. É mesmo assim, juntando-se, eles, os criadores, tornam sonhos em realidades.

4 Comentários:

Blogger Pitigrili disse...

Acompanho muito de longe a longe a política em Portugal, daí o não saber que "utilidade pública" Cavaco Silva tem prevista para o Palácio de Belém.
Lembro-me de que quando Mário Soares pela primeira vez lá montou escritório (não vivia lá) anunciou que os jardins iriam ser palco de acontecimentos culturais - acabámos por não dar por eles, se os houve.
Estive lá num almoço, para que fui convidado pelo Ventura Martins pelas funções profissionais que então desempenhava. Presentes vários jornalistas e artistas, entre os quais Herman José...
E foi tudo.
Na era digital, os governantes têm oportunidade de se "abrir" aos comentários e opiniões dos seus concidadãos. É por exemplo o que faz David Miliband, o ministro dos Estrangeiros britânico, que mantém um blog, http://blogs.fco.gov.uk/blogs/david_miliband/, onde expõe as conversações que mantém e as suas opiniões sobre os acontecimentos mundiais. E ouve o que os seus concidadãos e até o mundo têm a dizer sobre o mesmo...
Uma nova faceta interessante da democracia.

29 de dezembro de 2007 às 03:30  
Blogger MEB disse...

Concordo perfeitamente com a sua opinião. Uma democracia aberta torna-se mais segura já que envolve os governantes e os concidadãos de forma mais interessada, elucidativa e participada.

30 de dezembro de 2007 às 19:42  
Blogger MEB disse...

Não consigo escrever no meu bloge!Alguem me pode dar umas dicas para sair desta. Obrigada

30 de dezembro de 2007 às 19:56  
Blogger MEB disse...

Continuo a ver o blogue mas não consigo escrever nele. Só me aparece o painel para fazer um novo blogue(quer no painel,quer no iniciar sessão). São iguais! Algum dia terei sorte, creio.

5 de janeiro de 2008 às 11:44  

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