Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

sábado, 26 de janeiro de 2008

Eu e BOTERO… em Sintra


Passo diariamente pelo edifício (belíssimo) do Museu de Arte Moderna, em Sintra e, diariamente, reconheço nele uma inegável beleza. À noite, quando fica estrategicamente iluminado, deslumbra. Em absoluto. Faz-me lembrar recantos de Monte Carlo, onde há edifícios muito idênticos, portanto, lindíssimos.

Mas a beleza que falo deste Museu, pintado a branco e num suave tom de amarelo, foi edificado em 1920, se não me falha a memória, e nele passaram os mais variados inquilinos. Recordo uma escola e umas deprimentes instalações das Finanças, onde fui muitas vezes de credo na boca e estômago apertadinho.

Entrar ali intimidava-me. Pelo cinza decrépito que me envolvia e por pensar no que, aos balcões de umas instalações horrorosas, teria de pagar. Mudaram-se os tempos e as Finanças foram-se -mas passaram-se para outro lugar, iluminado, mais amplo e mais caro, mas isso são outras guerras e hoje estou virada para o belo-.

Desde 1997 que o Museu de Arte Moderna foi aberto (com muita pompa e muita circunstância) ao público com a Colecção de Arte Contemporânea de José Manuel Rodrigues Berardo (uma das melhores colecções privadas do mundo de Arte do século XX).

É ele! O Joe Berardo a quem já os portugueses quase tratam por tu, tantas são as vezes que ele nos aparece em casa, falando de vinhos, de Opas, de bancos, de acções, de futebol. De tudo! É dele todinha esta colecção que é nem mais nem menos uma das 10 melhores do mundo. Sabia?

Pois, nada é pouco na vida deste intérpido madeirense que nunca pensou pequeno e aos 19 anos (nasceu a 4 de Julho de 1944) deixou a sua terra natal e rumou às minas de ouro da África do Sul, onde encontrou o seu caminho de luta e de enriquecimento.

Não sei se foi uma luta muito ou pouco dura, o importante é que ele é hoje um bilionário português, quer dizer: o quinto homem mais rico de Portugal (tenho em casa mais de 27 quadros pintados por mim com muita inspiração, Comendador…), creio que com uma fortuna avaliada em mais de 1,7 mil milhões de euros, e o nosso maior coleccionador de arte contemporânea.

Colecção que vai mostrando ao mundo e permitiu também que Sintra a admirasse permanentemente. Fui a todas, e não é por não pagar, os moradores de Sintra não pagam e os jogadores da 1ª Divisão também não! Esta é que eu não entendo! Esses têm montes de massa, os pequeninos é que não! Um dia hei-de entender.

Falando da exposição Arte Latino Americana, patente no Museu, desde 14 de Dezembro passado, digo já que sim. Gostei e vou voltar, gosto de o fazer, sempre o fiz. É uma viagem agradável pelas espaçosas e silenciosas (gosto daquele inspirador silêncio) das salas do museu.

A viagem começou cá em baixo, à entrada, nos jardins. Virada para o edifício tem à sua direita uma enorme escultura branca, em mármore de Carrara (483x118x75cm), denominada Camino Vital, de 1999, obra de Pablo Atchugarry , escultor do Uruguai, nascido em 1954. Preciosa.

À esquerda, uma imponente escultura em bronze (403x338x180cm.) denominada Male Torso, de 1992, da autoria desse impressionante Fernando Botero. Uma imagem grande, gorda, redonda, de um volumoso torso, com uma pequeníssima folha de parreira. Contrastes!

Como eu gosto do rebelde Botero! Comecei a apreciá-lo em Toronto, quando passava por alguns lugares onde estavam expostas as suas obras. Olhava-as, pausadamente, ao ritmo do bus que galgava as avenidas a perder de vista. Era um bálsamo para um coração de emigrante português. Sempre carente.

Homenageando os bons tempos que as obras deste pintor- escultor já me proporcionaram, sentei-me num banco, quase ao lado deste Torso e recordei o pouco que sei deste colombiano, nascido em Medelin, que quase correu o risco de ser toureiro quando um seu tio o inscreveu numa escola de toureio.

A tauromaquia não era, de todo, o gosto do jovem mas dessa permanência fez, mais tarde, a sua primeira aguarela, O Toureiro. Faria em 1948, em Medelin, a sua primeira exposição. Em 1951 apresentou-se em Bogotá e, em 1966, atirou-se à Europa, na Alemanha, com uma mostra que o consagrou ao mundo.

A sua pintura destaca-se por imagens fortes através de figuras redondas, luzidias, com rostos desproporcionados, mais pequenos. Diz-se que é uma crítica social à ganância do ser humano. Tem obras magníficas.

Nesta exposição onde Berardo apresenta, pela primeira vez, o seu imenso núcleo de arte latino-americana, o conjunto resulta numa vasta diversidade de obras assinadas por nomes históricos do mundo da arte do século XX: o mexicano Diego Rivera, David Alfaro, o brasileiro Emilio Di Cavalcanti, o mexicano Rufino Tamayo, o chileno Roberto Matta, o venezuelano Jesus Rafael Soto.

Os países e os artistas são muitos (impossível referenciar todos) e a eles junta-se, claro, Botero, irónico, mordaz? Talvez! Mas, um artista colombiano de excepção, que voltou a oferecer-me excelentes momentos, quando me sentei ao lado de uma sua obra de arte, em Sintra.

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