Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quinta-feira, 31 de julho de 2008

ÁS VEZES HÁ DIAS ASSIM!...MAS, SÃO TÃO RAROS!!!


Marília e Coutinho formavam um casal amoroso. Jovens, bonitos, alegres, pareciam ter tudo para saborear a vida sem preopucações de maior, mas nem sempre o decorrer dos acontecimentos se concretiza na sequência exacta do que se deseja e do que parece ser lógico. Aquele tarde não era, de todo, uma tarde agradável. Chovia torrencialmente, o carro (inesperadamente) pára e o jovem casal vê-se numa localidade que não queria. Desconheciam o lugar, não sabiam o que fazer ao carro, não traziam muito dinheiro e, para completar o cinzento cenário, o telemóvel estava sem bateria. Não era sexta-feira, nem sequer dia 13. O que não importava muito, eles até não eram supersticiosos.


Coutinho sai do carro e ajuda Marília (não trazia sombrinha), um pouco desajeitadamente porque o nervosismo já se tinha instalado e desconcertava pensamentos e movimentos. Rapidamente, fecham a porta da viatura, dirigem-se, a correr, para um pequeno café mesmo em frente e pedem para fazer uma chamada, tentando resolver o problema do carro. Coutinho opta por apanhar um táxi e ir ter com um amigo mecânico que, habitualmente, o salvava em situações idênticas. Coloca o triângulo, acena a Marília e parte.


A jovem, molhada, indisposta, olha em volta e esboça um sorriso, mais do que amarelo. Não sabia bem o que dizer. Sentia-se deslocada. Olha em volta, repara numas raspadinhas expostas perto dos rebuçados e diz ao proprietário do pequeno café:


- Bom, como vou ter de estar aqui um pouco e não posso beber café, já bebi dois, vou comprar uma raspadinha. Nunca me sai nada, mas, olhe, é para passar o tempo.


O dono do café sorriu e adiantou:


-Nunca se sabe. Sair a alguém, sai. Geralmente não nos calha é a nós. Mas, ás vezes, há dias de sorte Qual prefere? pergunta.


Marília olhou atentamente as poucas que restavam e optou por uma, sem qualquer critério. Pagou. Escolheu uma das três mesas que havia e sentou-se numa delas. Reparou no movimento da rua, no cair da chuva que de miudinha não tinha nada, tirou uma moeda da carteira e começou a raspar. Lentamente. A finalidade era distrir-se um pouco até ao regresso do marido.


Passados alguns bons minutos, Marília, lívida, de olhos demasiado abertos, junto ao balcão fixa o dono do café que nessa altura dava a uma cliente um pastel de feijão. Surpreso, pergunta à jovem se estava bem ou se precisava de alguma ajuda.

-Não, não. Estou bem, obrigada.


E num movimento nervoso mostra ao senhor a raspadinha. Ele olha-a e escuta a jovem


-Saíram-me 6 mil euros!!!




O mistério não é um muro onde a inteligência esbarra, mas um oceano onde ela mergulha.

(Gustav Thibon)



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