Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

domingo, 26 de outubro de 2008

O CIRURGIÃO CLANDESTINO

Foto: Sapo/Galeria Windows (óleo de Gaugin)

Recebi via e-mail, uma história de vida bem ilustrada quer a nível musical quer a nível fotográfico. Falava de Hamilton Naki, um cirurgião negro, sul-africano que, confesso, desconhecia em absoluto. Vi várias vezes o documento que, no primeiro impacto me deixou profundamente sensibilizada. Nos dois dias seguintes voltei a olhá-lo e a lê-lo. Continuei com lágrimas nos olhos e, acabei sempre por achar a história relatada verdadeiramente incrível. Tentei certificar-me da sua autenticidade e, num ápice, encontrei, na Net, dezenas de artigos sobre a vida e a obra do dr. Naki. Apenas num ponto não obtive a sintonia perfeita: não consegui confirmar se Naki esteve ou não presente na equipa do dr. Christian Banard (em 1993 admitiu numa entrevista que se dada oportunidade o Sr. Naki poderia ter sido melhor cirurgião do que eu) que realizou o primeiro transplante, na Cidade do Cabo. Uns defendem que foi Naki quem retirou do corpo da doadora, Denise Darvall, o coração que seria transplantado para Louis Washkanky; outros, não o confirmam.

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Essa dúvida, porém, não retira o brilhantismo da história de vida deste homem absolutamente invulgar. Aos 14 anos Hamilton Naki empregou-se como jardineiro na Universidade da Cidade do Cabo. Mais tarde, começou a trabalhar com os animais do Laboratório na Faculdade de Medicina, auxiliando nas cirurgias com animais. Demonstrou de imediato um elevado grau de dedicação, habilidade técnica e, por isso, não lhe foi difícil conseguir permissão (especial) para permanecer nas pesquisas do Laboratório. Acabou por fazer parte da equipa de Christian Banard que, como se sabe, realizou o primeiro transplante de coração do mundo, no Groote Schuur Hospital, na África do Sul, em 1967 (há duas correntes de opiniões, como referi atrás). Devido às leis de apartheid da época, o nome de Naki, na altura, não foi divulgado.

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Hamilton Naki ensinou cirurgia durante 40 anos e aposentou-se com uma pensão de jardineiro de 275 dólares mensais. Nunca se mostrou um revoltado pelas dificuldades que encontrou na sua vida, na sua luta e nos seus sonhos. Pelo contrário, transmitia alegria, grande generosidade e agradecido à vida por ter tido oportunidade de salvar tantas pessoas. Após a reforma, foi para um asilo. Embora formalmente jardineiro, recebia como auxiliar de laboratório, a maior remuneração que a legislação permitia a Universidade pagar. Este professor sem formação académica tradicional e exímio cirurgião, desconhecido, devido ao regime de discriminação racial institucionalizado, acabou por receber (em vida) o reconhecimento pelo seu trabalho, prestado por entidades estatais Sul-Africanas, através da Ordem Nacional de Mapungubwe, em 2002 e, finalmente, o título de Médico Honorário pela Universidade de Cape Town, em 2003. Faleceu em 2005, no final de Maio.

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Quando se procura o cume da montanha, não se dá importância às pedras do caminho
(Autor desconhecido)

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