Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

domingo, 5 de setembro de 2010

JÁ SENTI A DESUMANIDADE DA VIDA


Não há fúrias que me amedrontem. Já senti o lado furioso da vida e renasci renovada.Passei por furacões, tempestades de neve, de areia, sobrevivi à dureza de monções, de ventos invertidos, de chuvas calamitosas. Sei o que é o cheiro da guerra, do perigo à espreita, escondido, traiçoeiro, inabordável. Sei o que é olhar para o nada e não sentir a respiração que nos alimenta a vida. Sei o que é estar numa fila imensa com um copo e um prato na mão à espera que chegue a ração que nos cabe num dia de sorte. Sei o que é tomar banho no esguicho de um cano de rua que alguém furou para que os retornados se refrescassem. Sei o que é dormir em tábuas apenas com um cobertor dado por umas religiosas apiedadas com a situação. Já contei tostões e já deixei de comer o que me apetecia por o dinheiro não chegar. Já tratei por tu a desumanidade da vida, mas nunca deixei de me deslumbrar com o Universo.


Nunca virei as costas a uma luta. Nunca deixei de acreditar mesmo nos instantes de iminente desfalecimento. Nunca traí, nem mesmo aqueles que me traíram. Levantei-me sempre que caí e lambi as minhas próprias feridas. Aprendi a fazer das estrelas minhas cúmplices. Memorizei o encantamento do Sol quando nasce e como capta a beleza dos oceanos. Das árvores fiz os meus templos e dos sonhos tracei metas, muitos esfumaram-se e voaram, mas nunca deixei de sonhar. Aprendi a entender os alertas dos dias, ganhei a confiança do tempo, aprendi a descodificar as vozes dos ventos que trazem mensagens de tempos sem tempo, certificados com a chancela genética da vida: memórias ancestrais. Venci solidões e saudades lembrando carinhosamente os ausentes, mesmo que eles não o saibam. Perdi familiares e amigos. Não os trago nos braços mas moram eternamente no meu coração. Bebi lágrimas, sofri, mas renasci nos luares de confissões. Nunca permiti que a angústia, o desânimo, a desilusão me agarrassem, manietassem, numa asfixia sem retorno. Já não há fúrias que me amedrontem. Não quero! Continuo atenta à esperança. Sou a heroína da minha própria história!



http://www.youtube.com/watch?v=dpthnM6S9Nw




Sorria! Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, contamina. Mas sorria com a Alma, não apenas com os lábios
(Léa Waider)

4 Comentários:

Blogger Fernanda disse...

Minha querida amiga MElvira!

Só quem viveu todas as desventuras sabe dar um valor às pequinas coisas que fazem a verdadeira felicidade.

"You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.!

Lindo!!!

Amiga, nunca a esquecerei.

Beijinhos

6 de setembro de 2010 às 16:54  
Blogger MEB disse...

Obrigada minha amiga. Gostei que tivesse gostado. Beijinho

6 de setembro de 2010 às 19:58  
Anonymous Anónimo disse...

Como me revejo neste teu "JÁ SENTI A DESUMANIDADE DA VIDA".
O importante é termos a capacidade de nos levantar, lamber as tais feridas e seguir em frente sempre com amor no coração.

Um beijo

Lara

8 de dezembro de 2010 às 00:21  
Blogger MEB disse...

Pois é Lara, é mesmo a única atitude certa mas não é fácil. Não importa as vezes que caímos, importa, sim, as vezes que nos levantamos. Boa noite. Beijinho

8 de dezembro de 2010 às 02:46  

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