Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

sexta-feira, 4 de abril de 2008

MANAUS, A DIVA DA FLORESTA



Confesso que tenho uma ideia idílica de Manaus (Brasil), desde há muito tempo, mas a excelente série, creio que da Globo, Amazónia, voltou a reacender a chama do fascínio na minha fértil imaginação. Frequentemente projecto para mim própria a noite que deve ter sido deslumbrante, esplendorosa, emotiva e provocadora, de 31 de Dezembro de 1896, que assinalou a inauguração do Teatro Amazonas (no apogeu do Ciclo da Borracha), uma verdadeira pérola no calor sufocante e exótico da floresta. Deve ter sido algo mais do que gratificante. Foi, seguramente, selectiva, povoada por pessoas maravilhosas, vestidas a rigor onde o frou-frou das sedas de elegantes damas, contrastava com o rigor dos fatos masculinos, num acontecimento mundano e artístico, ímpar na região.


Convidados e artistas, entre eles a soprano Maria Bosi, levados pela mão do maestro e empresário Joaquim Franco, surpreenderam-se a cada descoberta no magnífico, majestoso edifício, que estavam a conhecer na noite que assinalava o terminar de um ano, já de si um tradicional momento festivo. Mas aquele, em Manaus, deve ter superado tudo o que a mais inspirada criatividade tivesse capacidade de sonhar. Nessa noite realizou-se apenas um concerto, mas a 7 de Janeiro de 1897 deu-se início à temporada lírica que durou três meses e contou com 50 espectáculos. Que riqueza de momentos devem ter sido, vividos numa cidade próspera financeiramente, é verdade, graças ao triunfo do látex da seringueira, produto que a Europa e a América disputavam e valorizavam. Vida económica desafogada mas sem vida cultural. Que ousadia foi necessária para, em1881, o deputado Fernandes Júnior apresentar um projecto de construção de um Teatro (ainda hoje é um dos mais bonitos do mundo) capaz de receber uma sociedade exigente que sentia a falta de espectáculos, companhias e artistas que triunfavam em plateias internacionais.




O projecto arquitectónico escolhido (fonte Wikipédia) foi o da autoria do Gabinete Português de Engenharia e Arquitectura de Lisboa, em 1883. O início das obras foi em 1884 mas viria a sofrer algumas paragens e só no governo de Eduardo Ribeiro, recuperou dinamismo e entrou na recta final. Arquitectos, construtores, pintores e escultores da Europa foram levados para a Amazónia e, em conjunto, realizarem uma verdadeira obra de arte: lindíssima, luxuosa, arrebatadora onde se destacava uma salão nobre, com características barrocas; a pintura do tecto A Glorificação das Belas Artes na Amazónia, da autoria de Domenico de Angelis, resplandecia. Cristais de Veneza, quadros de pintores de renome, veludos, brocados no Teatro Amazonas (com capacidade para 685 pessoas), a prova viva da prosperidade, na fase áurea da borracha. Na altura, a inesperada iniciativa (Ópera na selva!) fascinou o mundo rendido à maravilha concretizada em Manaus, cidade que despertou para o mundo da Arte com um vigor e uma elegância exemplares.


Ao longo dos anos passaram pelo palco as melhores companhias de Ópera; cantaram-se e tocaram-se obras dos maiores compositores; dançaram os bailarinos mais disputados. Sucederam-se noites de apoteose, de encantamento, num local que enfrentando o tempo e a história, ainda hoje mantêm a traça original e se mostra com a opulência e o brilho com que se abriu para uma sofisticada plateia, na noite de 31 de Dezembro de 1896 que, rendida, bateu as primeiras vibrantes palmas que ecoaram pelos rios e recantos da floresta Amazónica que, sobressaltada, tentava descodificar os sons que se libertavam das paredes do edifício do novo Teatro.



Rezam as lendas que ainda há madrugadas tropicais e perfumadas, com sons de vozes cristalinas, entoando melodias imortais que se espalham, misteriosamente, pelos luares grandiosos, banhando espaços onde há 112 anos só havia árvores...




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4 Comentários:

Blogger Pitigrili disse...

reveja o Fitzcarraldo...

5 de abril de 2008 às 04:18  
Blogger MEB disse...

Será um filme?

6 de abril de 2008 às 14:45  
Blogger E se eu quiser ser assim?! disse...

Meu nome é Cristiane, tenho 27 anos e moro em Manaus. Nasci e me criei aqui e o que posso lhe afirmar é que minha terra é quente e está passando por grandes problemas com a cheia do rio (é provável que a senhora tenha ouvido falar dos rios Negro e Amazonas que banham o nosso estado do Amazonas).
É uma terra realmente linda com um povo super caloroso que são capazes de dar-lhe todo o conforto apenas para agradar seus visitantes.
Aconselho a senhora a vir e prestigiar de perto, além de todas as nossas maravilhas naturais, o nosso festival de ópera que está ocorrendo nesses meses de maio/junho.
Fique com Deus e aguardo sua visita. Deixarei meu email caso a senhora se interesse por mais alguma coisa que eu possa ajudar.
[]'s,

cristiane.pachecoreis@gmail.com

28 de maio de 2009 às 22:40  
Blogger MEB disse...

Cristiane, que bom receber um comentário de um post que escrevi creio que em Março de 2008. Parabéns por morar em Manaus. Poder abrir os olhos e ser dona dos seus horizontes. Toda essa zona me fascina e a história de Manus é palpitante. Ir aí, bem não há impossveis mas, para já, não me parece fácil. Mas gostava. Desejo que os rios acalmem e que as margens voltem aos leitos e que as terras fiquem energizadas. Que sorte Cristiane. Pode não ser fácil viver em Manus mas é entusiasmante, não? Passe por aqui e leia-me, se gostar. Tudo de bom para o famoso festival de Ópera.

30 de maio de 2009 às 02:52  

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