Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quinta-feira, 27 de março de 2008

ESTA GRÉCIA DEIXA-NOS GREGOS!


Pronto, apagaram-se as luzes da Arena de Dusseldorf (Alemanha) e os trinta mil espectadores rumaram às suas casas. Vinte e tal mil vestiram-se de azul e branco e vibraram com mais uma vitória da sua Selecção (Grécia). Sete mil eram emigrantes portugueses que, parece, escutaram os apelos de Scolari e fizeram-se representar em número superior ao inicialmente previsto. Sofreram mas não desanimaram e os seus gritos de apoio ecoaram pelo estádio, apesar de só explodirem verdadeiramente de alegria quando aos 75 minutos o golo de raiva do capitão Nuno Gomes (com uma assistência perfeita de Hugo Almeida), entrou na baliza da equipa adversária. Este foi o primeiro golo da época 2008 do avançado do Benfica que, diga-se, fez com Hugo Almeida uma excelente parceria, neste encontro marcadíssimo pelas ausências de Ronaldo, Deco, Petit, Nani, Maniche, Bosingwa.


No decorrer do encontro amigável, Simão sairia lesionado e entraria em campo João Moutinho que trouxe chama à partida, da qual ia saindo com a cabeça partida quando chocou em voo de águia com Karagounis (ex-benfiquista). Aliás, foi ele todo que marcou os dois golos da Grécia, em livres directos, que iam provocando um piripaque a Ricardo, excessivamente deslocado, que (parece) nem se mexeu ao ver a bola passar. Não estava nos seus dias. Acabaram-se os desafios a feijões e agora espera-se, no Verão, o emotivo e dificílimo Euro 2008 que vai agitar muitas almas e pulverizar emoções. Há 12 anos que não ganhamos à Grécia, essa matreira equipa que no brilhante 2004 nos atirou para o lugar de Vi-Campeões e eles quedaram-se (descaradamente, digo eu) com a majestosa taça e título de Campeões, facto que ainda hoje nos provoca pele de galinha. Perdemos, é verdade (é uma realidade que se vai tornando comum, mas…) mas, senhores, somos o 4º classificado no Campeonato do Mundo e Vice-Campeão da Europa. Temos peso, não? Antes do início do jogo já se sabia que ia ser difícil. A nossa Selecção estava desfalcada de jogadores de peso e a Grécia, como avisava Helder Postiga, antes do encontro:


-Não é muito diferente da selecção de 2004. Cria muitos problemas


E não é que criou! A nossa (querida) Selecção que estreou os novos equipamentos estava elegantérrima. A cor é linda. O corte é impecável e o cair do tecido é excelente, mas o Karagounis estragou-nos a festa. No banco, Scolari estava calmo, muito calmo, contrastando com Otto Rehhagel (seleccionador grego) que parecia movido a pilhas Duracell. Portugal começou mal o jogo e sofreu o impacto do primeiro golo. Só a entrada de Moutinho veio dar nova dinâmica, movimentação e posse e controlo de bola. É justo recordar que Miguel Veloso e Moutinho foram os melhores jogadores da primeira parte, Hugo Almeida criou embaraços aos gregos, Miguel, como lateral direito, cumpriu. E, Ricardo Carvalho (como eu gosto dele), voltou a ser um Senhor em campo, em toda a partida. Todavia, o trabalho da Selecção, no seu todo, não chegou para a desejada vitória. O talentoso Quaresma (que Mourinho parece querer levar para o Barça) não esteve no seu melhor. Sobre este encontro amigável o seleccionador português, disse:


-A eficiência da Grécia foi melhor do que a nossa! É um martírio! Mais uma vez perdemos. Fazer o quê? Mas, neste encontro, ganhámos um ou dois jogadores para o Euro…


Mistério. A quem se referia Filipão? E saber? Moutinho (dinâmico), Veloso (impetuoso)? Recapitulando: bom seleccionador, temos. Excelentes jogadores, quem duvida? O que nos falta? Vitórias! Pois é e, aí, lembramo-nos de Carlos Queiroz, o português que é treinador-adjunto do Manchester United, adjunto de Fergunson que, qualquer dia, vai andar calvo como um ovo graças à aposta feita com Cristiano Ronaldo, quando pensava que este não marcaria 30 golos. Pois! E, além de careca, ainda terá de pagar uma bela quantia de libras ao nosso Madeirense de ouro. Voltando a Queiroz, que tem alguns dos melhores pontas-de-lança da Europa, disse (não gostei nem do tom nem do timing):


-Portugal não é equipa favorita no Europeu. É gritante a questão do ponta-de-lança que tarda em ser resolvida. Pauleta foi uma excepção…


É! Pauleta foi realmente o melhor marcador do futebol português e , ainda, não encontramos substituto, mas há quem possa dizer isso (não é que não seja verdade) com altivez, porque pode. Tem de se ter classe.


-Pois! Mas quem marca golos no Manchester é o Cristiano Ronaldo, que não é ponta-de-lança… Expressão de Luiz Filipe Scolari, Seleccionador Nacional


A prová-lo lá estão os trinta e tal golinhos do Ronaldo que vão deixar o Fergunson careca. Olha se ele, o Ronaldo, fosse ponta-de-lança!


5 Comentários:

Blogger Psiquiatra Angustiado disse...

Julgo que há um problema grave com a nossa selecção. Faltam ali jogadores que comam a relva, e que não tenham medo de sujar a fatiota.

Os maus resultados desta selecção reflectem a falta de atitude com que têm jogado. Não que me deixe totalmente preocupado (isto aconteceu também na preparação para o Europeu de 2004). Preocupa-me sim olhar para o rol de jogadores seleccionáveis e não vislumbrar muita gente capaz de arregaçar as mangas e pegar na sachola.

Veja-se como corremos no Mundial contra a Holanda ou Inglaterra, e como nos temos arrastado agora nesta última dezena de encontros.

Perder com a Grécia nem há-de ser assim tão mau. De derrota em derrota, até à vitória final. Eles com Zeus, nós com a nossa Vénus (Nuno Gomes)...

27 de março de 2008 às 06:58  
Blogger MEB disse...

É mesmo uma dúvida angustiante. Será comodismo? Endeusamento? Ou será que há, quase colectivamente, um estado físico debilitado? Ah! mas nós temos de os ajudar, na Áustria e na Suiça, a renascerem em cada passo no relvado. Essa coisa das bolas paradas faz-me uma certa confusão. Em movimento parece-me bem mais difícil dominá-las! Mas, ontem, o Ricardo estava para esquecer e o Karagounis veio aprender a marcar livres no Benfica...
Obrigada pela sua opinião. Em 50 crónicas, é o 2º comentário que tenho.Já me sentia a escrever para as estrelas.

27 de março de 2008 às 17:31  
Blogger Psiquiatra Angustiado disse...

Em cinquenta crónicas, eis que chega o terceiro comentário, o segundo enviado pela mesma pessoa. Continua a escrever para as estrelas, com certeza elas não darão as tuas palavras por mal empregues.

Creio que a dificuldade da nossa selecção tem estado, principalmente, na inexistência de uma voz de comando. Alguém que dentro do relvado, no meio daquela coreografia de pernas e figuras geométricas tão inventivas consiga pegar na bola, no jogo, nas goelas, e mostre aos outros 10 mancebos que é preciso ir para a frente, que é preciso cerrar fileiras, que é preciso ser gente.

Falta-nos uma Padeira de Aljubarrota.

29 de março de 2008 às 03:45  
Blogger MEB disse...

Sente fragilidade no Scolari?

29 de março de 2008 às 17:15  
Blogger Psiquiatra Angustiado disse...

O Scolari tem voz de sargentão, e como já se viu é um homem que comanda a selecção e defende os seus meninos com punho de aço (embora com uma pontaria questionável, a fazer lembrar os pontas-de-lança que têm surgido na era pós-Pauleta).

Mas o Scolari não joga, não corre dentro do campo, não calça chuteiras de cores berrantes, não acicata os pitões contra a canela do adversário. Somos uma selecção que não mete medo a ninguém, que apesar das prestações nos últimos europeu e mundial não impõe respeito.

Qualquer Azerbaijão desta Europa joga connosco como se fossemos uma equipa sem valores nem estrelas nem protagonismos mediáticos. Como se não fizéssemos capas de revistas cor-de-rosa e de jornais tablóides britânicos, cá dentro e lá fora.

Temos uma reputação a defender e somos olhados como uma espécie de fenómeno emergente e ao mesmo tempo decadente, mas que acaba por nunca ser reconhecido como confirmação.

Quando digo que falta voz de comando, é alguém dentro do campo que lidere as hostes, que saiba orientar as peças no campo de batalha, um capataz desta grande obra pública que é a selecção, rumo à outra margem, à margem do sucesso, para que mais jogadores nossos saiam, ganhem asas e voem por esse mundo, e enviem remessas para a nossa economia e para os nossos Ivas, que bem precisam. Precisamos de um jogador que ponha na ordem os soldados dissidentes da estratégia definida. Falo de indivíduos da craveira de um Schmeichel, de um Jorge Costa, de um Figo, gente com veia de líder e capaz de mandar qualquer colega de equipa para uma parte mais imprópria.

O problema é que, para se ser líder, importa ter carisma. E isso, já se reparou, falta ao nosso conjunto de craques.

30 de março de 2008 às 08:56  

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