Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quinta-feira, 10 de abril de 2008

SAUDADES DO PAPA DO AMOR


A 2 de Abril de 2005, às 20:30 (hora de Portugal), 60 mil pessoas enchiam a Praça de São Pedro, rezando e acompanhando os últimos momentos de João Paulo II (tinha 84 anos) que terminava um dos mais longos papados da história (27). Os olhos fixavam-se na luz do quarto onde tinha decorrido a longa agonia do Papa do Leste que encheu o Mundo de Amor e tocou no coração de milhões de pessoas que se habituaram a amá-lo. Em todos os cantos do Globo havia quem acompanhasse os acontecimentos pelas emissões televisivas e, por entre lágrimas e acenos de despedida dirigidos ao ecrã, libertavam a dor que já sentiam.




Na mesma praça, passados três anos (2008), uma multidão voltou a enchê-la, numa demonstração silenciosa de amor e de saudade por alguém que não esquecem e que continua a estar presente no coração e nas preces daqueles a quem ainda custa reter a dolorosa emoção de perda. Relembram a vida fascinante de Karol Jozef Wojtyla, nascido em Wadowice, perto de Carcóvia, ao sul da Polónia. Na cerimónia estava o seu sucessor, o Papa Bento XVI e 30 cardeais, que recordaram o carisma de João Paulo II.


-Tinha qualidades espirituais místicas excepcionais. Bastava olhar para ele quando rezava, disse Bento XVI


Apesar da saudade que ainda sentem os corações de milhões de católicos todos visualizam João Paulo II determinado, sorridente, simpático, amando o mundo e lutando para que a Paz unisse os Continentes. Era um desejo que levou consigo este ex-operário a quem os amigos chamavam Lolus, que se ordenou sacerdote em 1946, no Dia de Todos-os-Santos, e que a sua trajectória se viria a caracterizar por uma vitalidade espantosa. Além de se ter doutorado em Filosofia, Moral e Teologia ainda arranjou tempo para escrever poemas, folhetins de ficção literária, duas peças de teatro, pregar, educar e entoar canções. Viveu sob o signo do dinamismo e a sua vasta cultura e conhecimento de muitos idiomas (14) facilitaram-lhe a tarefa de ir ao encontro do Mundo e dos corações de todas idades que soube unir como ninguém.


Nas suas férias, gostava de se interligar com a Natureza e caminhar por ela horas e horas. Uma vez, nas montanhas do Colorado, quando Karol tinha 73 anos, um jovem ofereceu-lhe umas sapatilhas próprias para um relaxante passeio O Papa, de imediato, calçou-as e olhando para os pés, feliz e sorridente, proferiu um
entusiasmante

-Uau!

Crê-se que dentro de um ou dois anos será oficialmente declarada a sua beatificação. Será um dia radioso. Lembro o dia em que estive a seu lado, no Palácio de Belém (na presidência de Ramalho Eanes) à distância de uma mão. As suas vestes brancas, o sorriso e o olhar iluminados, irradiavam uma luz excepcional que, na altura, não soube decifrar.


A nossa visão só se torna clara quando conseguimos olhar para dentro do nosso coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta – C.Jung

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