Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

OS ENROSCADOS NA VIDA


Portugal continua a passar por uma vaga de frio que, comparada com a que fustiga o Leste da Europa, é leve. Neva só no Norte português é verdade, mas em todo o País há mãos geladas, há um ar frio (a que não estamos habituados) que nos avermelha o nariz, as orelhas e nos deixa inquietas debaixo de camisolas, gorros, meias, luvas e grossos casacos de Inverno. E, mesmo assim, o frio ultrapassa todas as barreiras. Devem estar, neste momento, quatro graus em Sintra e eu mal consigo tocar no teclado. Todavia, se quiser, posso ligar o aquecimento (não gosto). O problema não sou eu, nem largos milhares de outros como eu.


O problema do frio que me agride até à Alma é pensar nos que enroscados na vida, aos cantos das portas, envoltos em cartões, cobertores, jornais ou plásticos, desligados do mundo que os rodeia, absortos nos silêncios sem exigências e sem luz, ficam noite após noite, dia após dia, a fingir que vivem ou a viverem aconchegados de recordações que ainda lhes povoam os sonos. Não consegui saber quantos sem-abrigo existem em Portugal. Parece que, em Lisboa, há mais de mil e, horroroso, cada vez se encontram mais jovens, mais mulheres, mais pessoas que conheceram o ritmo de uma vida normal e as surpresas atiraram-nos para as noites em céu aberto.


Esse frio é mais cortante que todo o nosso e por muito que se vista, se lembrarmos os que a esta hora estão espalhados pelo gelo das ruas, com as suas fraquezas, os seus medos no centro dos seus vendavais ou já sem medos, anestesiados por uma dor que já dilacerou e já não conta, não podemos deixar de ficar profundamente infelizes.

A riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.

(Adam Smith)



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