Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

UN TUAREG NA UNIVERSIDADE DE MONTPELLIER


...Tuareg significa abandonados, somos um velho povo nómada do deserto, solitário, orgulhoso. Chamam-nos os Senhores do Deserto. Somos três milhões, a maioria nómadas, mas a população diminui. É preciso que um povo desapareça para se reparar que ele existia! Estas são algumas das palavras de Moussa Assarid, um Tuareg que estuda na Universidade de Montpellier, numa excelente e extensa entrevista (Tu Tens o Relógio, eu Tenho o Tempo) dada a Victor-M. Amela que recebi por e-mail. Gostaria de a transcrever na íntegra, mas o tempo já me mostrou que um post demasiado longo, não é lido. Fico-me por alguns excertos dispersos. Se por acaso gostasse de a ler, posso enviá-la por mail.


-É verdade que o deserto é muito silencioso?
- Se estiveres só naquele silêncio, ouves o bater do teu próprio coração. Não há melhor lugar para nos encontramos connosco
...

-Como nasceu essa paixão pela escola?
-Uns anos atrás passou pelo acampamento o Rally Paris-Dakar e uma jornalista deixou cair um livro da sua mochila. Apanhei-o e entreguei-lho. Ela ofereceu-mo e disse-me que aquele livro se chamava O Principezinho. Eu, prometi-lhe que um dia seria capaz de lê-lo

-E conseguiu!
-Sim, Acabei por ganhar uma bolsa de estudo para estudar em França
- Um Tuareg na Universidade...
- Ah! O que sinto falta aqui é do leite de camela e do fogo de lenha... Caminhar descalço sobre a areia quente e... as estrelas. Olhamo-las todas as noites e cada uma é diferente da outra. Lá, à noite, o céu é a TV
...

Moussa não sabe a idade, nasceu no deserto do Saará num acampamento nómada Tuareg, a norte de Mali. Foi pastor de camelos, cabras, vacas; hoje, é universitário mas não esquece que aos sete anos aprendeu a orientar-se pelo Sol e pelas estrelas, descobriu o cheiro do vento e nunca mais esqueceu o céu cor-de-rosa, azul, vermelho, amarelo, verde, no cair de cada tarde. Momentos mágicos, recordados numa Europa apressada e insatisfeita.

*


A cultura ajuda um povo a lutar com as palavras, em vez de o fazer com as armas
(Glugiermo Ferrero)


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