Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ERA A TARDE MAIS LONGA DE TODAS AS TARDES...


José Carlos Ary dos Santos
( Dezembro de 1937/ Janeiro de 1984). Pausa na noite para recordar um poeta português que não passou distraído pelas ruas da vida. Cada segundo inspirava o inspirador que oscilou (sempre) entre o terreno firme do chão que pisava ou o ar lúdico em que esvoaçava -espaços livres e sublimes onde era rei e senhor. Agigantou-se sempre que despertava. Deixou-nos um espólio poético precioso (só canções foram 600).
***
Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!




http://www.youtube.com/watch?v=w3WYsdHhC-8



Não chores porque acabou, sorri porque aconteceu
(Gabriel García Márquez)

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4 Comentários:

Blogger Fernanda disse...

Querida amiga,

Fez-me bem lembrar este tesouro lindo!

Obrigada por o ter partilhado connosco.
Beijinhos

21 de janeiro de 2010 às 18:06  
Blogger MEB disse...

Querida Ná

É uma canção linda. Sem dúvida. Uma canção de Ary! Bijs

21 de janeiro de 2010 às 18:40  
Blogger Luis disse...

Minha Boa Amiga,
Adorei o poema "Era a tarde mais longa de todas as tardes..." e é tão lindo que me atrevi a roubá-la para a minha Tulha! Não se zanga pois não?
Espero que não, obrigado!
Beijinhos amigos.

23 de janeiro de 2010 às 17:08  
Blogger MEB disse...

Luís
Se por engano dos deuses tivesse sido eu que escrevesse esse poema, mesmo assim tinha o maior prazer em vê-lo no seu blogue. Claro que não me importo, fico contente. É sinal de que me lembrei de algo que agradou. Um abraço amigo nesta tarde fria embora as notícias digam que está céu azul em todo o País!

24 de janeiro de 2010 às 16:08  

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