Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A AMIZADE É UM SEGREDO DA VIDA


Um escritor inglês disse que a amizade constituía um dos segredos da vida. Que vence o mais empedernido coração, desenvolve a parte mais nobre da alma e favorece a prática do bem. Desarma a resistência e abranda a natureza humana. Estas palavras avivam a necessidade de sabermos conviver com os outros. Vivemos em sociedade, não somos ilhas isoladas (não devemos ser), necessitamos de apoio e de saber cultivar a solidez da amizade, lembrando-nos que, provavelmente, os amigos de pura gema não serão tantos como os dedos das nossas mãos.


A amizade é rara e preciosa. Um amigo nunca recusa nem o abraço nem o ombro onde o outro amigo (a) necessita de apoiar-se quando o que lhe apetece é desistir. De tudo! O amigo conta sempre com o outro em tempos de desânimo, sofrimento, desespero e, quando se senta à sua frente e fala, fala, em sã cumplicidade, vai readquirindo o ânimo perdido.Costuma dizer-se que só há uma regra para o bom conversador: aprender a ouvir. E, praticada, quantas são as coisas boas que se descobrem nos diálogos-monólogos, observando quem fala, acompanhando-lhes os silêncios, decifrando as pausas, deixando-nos absorver pela linha do pensamento que é exposto, por vezes com visível satisfação pessoal por parte de quem fala; outras, com manifesta angústia pela confidência que era necessário partilhar.


Não é privilégio de muitos mas seguramente faz parte da personalidade do verdadeiro amigo, daquele que fala pouca mas que escuta atentamente. Daquele que se procura quando o dia, por isto ou por aquilo, pesa demasiado sobre as costas, como se o mundo caísse, inexplicavelmente, em cima dos ombros. Ou quando os dias não têm claridade nem tom: são, apagados, nublados, tristes, impregnados da saudade que aperta com uma nostalgia marcante. Aí, o diálogo sabe bem. Funciona como se duas mãos se estendessem na procura do tal ombro onde se quer encostar o rosto e, provavelmente, chorar. Ou não. Há lágrimas que nunca rompem os diques interiores apenas entram, silenciosamente, no ritmo da respiração.


Se o diálogo é, portanto, uma terapia particularmente eficaz, ter o amigo, a amiga (os bons ouvintes), é uma dádiva notável que deve agradecer e não se afastar. Porque o número de amigos a sério, de corpo inteiro (nem sempre presentes mas nunca ausentes), nunca abundarão. A amizade supera o mais valioso diamante que possa existir no mundo. É pedra preciosa, valiosíssima e rara. Não se vulgariza. Um mundo sem amigos é como tentar agarrar o mar dentro de um búzio ou tentar contar as estrelas que brilham, é tarefa impossível. São tentativas frustrantes que nos deixam na aridez do deserto. Sós, rodeados do nada. Há que saber viver dentro das regras do jogo que o Universo ensina e exige .

A vida é para ser compartilhada com fraternidade e merecida com entusiasmo, vencendo inibições, derrotas, traições, desencantos, desafiando o futuro. Boris Pastemark, escritor e poeta, autor do romance Doutor Jivago, é considerado um dos maiores expoentes da literatura russa contemporânea (morreu em 1960). É dele esta pergunta:

-Pode alguém controlar o seu futuro?”


E a resposta é também dele:


-Pode, independentemente do sistema em que viva, creio que em toda a parte os homens têm mais força do que nunca sobre o seu futuro”


Longe de nos sentirmos desesperançados ou impotentes, devemos agarrar qualquer oportunidade, por menor que seja, para auxiliar o mundo que nos rodeia, no sentido da paz, da produtividade e da fraternidade humana.


Estamos em 2008 e as suas palavras continuam a ser actuais. O mundo deveria parar de se fragmentar, de cessar conflitos, e reaprender a ser solidário, fraterno para que o legado dos adulto de hoje às crianças do amanhã seja uma herança positiva, sólida, sã, capaz de abrir caminhos novos e seguros.


Se cada um de nós é uma célula do infinito Universo e pertence aos mil milhões da população, é necessário no dia-a-dia contribuirmos para que passos positivo sejam dados. Se assim fizermos há triliões de passos, por segundo, em movimento, na marcha grandiosa rumo ao amanhã.


Pode controlar-se o futuro dentro de padrões há muito estipulados mas nunca devemos percorrer a estrada da vida num ritmo solitário. A família é o pilar, é a grande muralha que nos apoia nos tremendos vendavais que cortam a respiração e nas estonteantes alegrias. Os amigos, esses, estão (longe ou perto), a nosso lado sempre que os chamamos e nessa dinâmica troca de dar e receber: amizade, gratidão e o conforto do apoio que conduz à sensação de felicidade. Esta potencialidade grandiosa do sentimento humano é capaz de gerar a mais deliciosa harmonia. Connosco e com os outros.

Não rejeite um amigo. Nunca.


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