Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

TRÊS PRESIDENTES NA CASA BRANCA


Tenho um amigo que, passados anos, ainda mantêm intacto o prazer de relembrar a sua dinâmica, creio, passagem por umas eleições presidenciais americanas. Devem ter sido mesmo muito marcantes e emotivas já que ele vibra sempre que recorda o acontecimento.


Não garanto (e como não sei por qual dos continentes anda, não posso confirmar agora) mas creio que pertenceu à equipa do republicano Richard Nixon, advogado, oriundo da Califórnia, que viria a ser o 37º presidente dos EUA ( 1969/ 1974).


Curiosamente dos 43 presidentes já eleitos (o primeiro -1789 / 1797- foi George Washington, um fazendeiro e militar da Virgínia), Nixon foi o único que renunciou ao cargo, após o Caso Watergate, abrindo caminho a Gerald Ford (1974/1979), um republicano do Nebraska e, tal como ele, Andrew Jackson (1829 /1837), Harry Truman (1945 /1953) e Ronald Reagan (1981/1989) foi vítima de atentado.


Imagino que na Patagónia ou em Katmandu esse meu amigo deve estar em alerta vermelho. È! Sempre que surgem novas eleições nos EUA ele volta furiosamente às notícias, previsões, intuições. Faz gráficos, devora as biografias, compara os candidatos mi-nu-cio-sa-men-te e sofre como gente grande. E a 4 de Novembro, quando 200 milhões de eleitores votarem na escolha presidencial (é muito confusa a forma de eleição, passa pelos delegados ligados aos partidos), ele vai roer as unhas até ao cotovelo. Seguríssimo.


Vá lá saber-se porquê se nem sequer tem nacionalidade americana (se o fosse, tivesse 35 anos e vivesse há mais de 14 anos no país, podia candidatar-se… ). Só pode ter sido das noitadas frente às televisões, das sondagens, dos quilómetros de páginas escritas, das frenéticas viagens, dos garrafões de coca- cola, de litros de café (que detestava) . Acho que não tinha tempo para comer, dormir, tomar banho, mas sempre ia dizendo que na sede, nos comícios, havia uma louras de parar o trânsito.


Por isso, tenho muita pena que ele não esteja em Portugal assim, não tenho horas garantidas de acesas discussões. Mas como o tema me interessa vou falar nele, salvaguardando que não sou, nem de perto nem de longe, uma expert na matéria. Curiosa e estudiosa. Apenas isso.


No momento, o que de início parecia impossível, Hillary Clinton (primeira dama dos Estados Unidos de 1993/2001) não está desafogadamente sorridente nas tabelas das preferências do eleitorado. Pelo contrário, quem sorri (abertamente) é o inesperado senador do Illinois de nome Barack Obama que nos discursos (muito bem escritos por um jovem de 26 anos, cujo nome não recordo neste momento), distribui empatia pela assistência, onde os jovens estão a ser o seu grande e inesperado trunfo, tal como a sua frontal oposição à guerra do Iraque que quer ver terminada.


Hillary, por seu lado, apoiou Bush na invasão e agora sente o peso desse calcanhar de Aquiles que lhe cobra dividendos, embora a candidata faça questão de deixar bem vincada a ideia de que quer trazer para casa o mais rapidamente possível as forças estacionadas no Iraque. Este facto é, sem dúvida, uma fragilidade (que alguns na época, mal informados e com boas intençõs, caíram).


O desfecho de 4 de Novembro é imprevisível, penso que estas eleições para a Presidência da América são as mais complicadas e confusas dos últimos tempos e, em minha opinião, o jogo está assim no tabuleiro:


-Metade da América não quer Hillary (inteligente, forte, segura) que, à partida, não esperava tão alto nível de rejeição por parte dos americanos.

-A outra metade não quer Obama (jovem, visionário, carismático e excelente orador), que surpreendeu pela positiva, apoiado por uma campanha estonteante e conquistando apoiantes de peso, em sectores diversos.

-O republicano e herói de guerra John McCain (o mais idoso candidato à Presidência, ultrapassando mesmo Reagan), defende a continuação das tropas americanas no Iraque e tem a “bênção” de Bush (os americanos estão saturadas da sua Administração),
mantêm a esperança de vencer os democratas.


Até agora o inesperado brilho de Obama tem ofuscado Hillary, mas tanto um como outro têm trunfos na manga, traduzidos também nos dólares angariados para as campanhas e, também aí Obama, no momento, conseguiu mais contribuições do que a sua rival.

Mas as eleições americanas são um mundo! Nos bastidores tecem-se acordos de última hora, “cobram-se” lealdades, lembram-se promessas, há verdadeiras maratonas nos corredores que levarão um dos candidatos à Casa Branca.


Serão duas personalidades distintas na corrida presidencial: a de Hillary Clinton e Barack Obama. Apesar dos americanos estarem fartos de “dinastias” por capricho dos deuses ou voltas do destino, Bill Clinton será o primeiro-cavalheiro da América, Barack Obama vice-presidente (um dia será presidente) e Hillary Clinton, a presidente.

Antevisionando 4 de Novembro de 2008, recordo o 4 de Julho de 1776 onde 56 homens assinaram a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, em Filadélfia e, para celebrarem o acontecimento brindaram com Vinho da Madeira.



Na altura, brindarei. O Mundo precisa de três presidentes na Casa Branca, os estragos foram demasiados.

2 Comentários:

Blogger Pitigrili disse...

Dizia o The New York Times, que até apoia oficialmente Hillary Clinton, que pior que ter um presidente na Casa Branca é ter dois, pois Bill nunca se deixará ficar calado...
Três? Seria o fim do mundo...

16 de fevereiro de 2008 às 22:42  
Blogger MEB disse...

A priori penso exactamente assim mas, depois de entrar dento do tema e de analisar a maneira de ser dos três intervenientes e da necessidade visceral da América se encontrar de novo consigo própria e de avaliar as responsabilidades que já implantou no Mundo, penso que só mentes muito brilhantes poderão ser capazas de se unir e "engolir elefantes", conseguindo coabitar a favor da Humanidade. Estão para vir tempos difíceis. A textura política tem de se abrir às novas realidades e imprevistos desafios. Tem de modificar-se.Os tempos futuros já não se podem enfrentar só pelo apoio de lobys. Para se liderar povos e nações a responsabilidade tem de estar alicerçada na Sabedoria. A triologia está delineada. O futuro dirá o que farão dela...

17 de fevereiro de 2008 às 16:32  

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