Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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domingo, 11 de maio de 2008

OS EMPOLGANTES DISCURSOS DE OBAMA


Indubitavelmente as eleições presidenciais americanas são sempre vibrantes mas estas, de 2008, são as que nos últimos anos têm distribuído mais emoção, disputa, surpresas constantes e, frequentemente, resultados inesperados. Já estamos em Maio e, verdadeiramente, até esta altura, em rigor, não se pode dizer quem vá representar os Democratas na corrida à Casa Branca, ao lado do candidato dos Republicanos, John McCain, embora tudo pareça estar a favor de Barack Obama que, depois da vitória na Carolina do Norte e perder por muito pouco no Indiana, pela primeira vez, consegue o apoio de mais superdelegados (266 e 1809 delegados) que Hillary Clinton (263 e 1665 delegados) e, isto é importantíssimo. O número de delegados para garantir a nomeação Democrata é de 2025.


A disputa entre os dois candidatos Democratas tem conseguido picos de verdadeira euforia, facto raro na história da América mas, Obama, deu um importante passo para assegurar a nomeação às presidenciais, graças ao último triunfo obtido. Apesar disso, Hillary que venceu por curta margem no Indiana, ainda não perdeu as esperanças nem se mostrou desmoralizada com o resultado das duas primárias considerando mesmo que a sua candidatura regressou à cena: Passámos os obstáculos. É sempre em frente até à Casa Branca, além de prometer ainda bater-se pelos resultados na Florida e no Michigan, Estados que ganhou, mas cujos resultados foram invalidados pelo Partido. Sem ataques ao rival e sem tom triunfalista a senadora Clinton, em Indianápolis, adiantou:


-Não importa o que acontecer, o importante é que um Democrata seja eleito, porque caso os Republicanos triunfem na eleição geral de Novembro não serão vistas mudanças nos Estados Unidos. Queremos que vocês saibam que o Partido Democrata é o vosso partido e um Presidente Democrata será o melhor…


Por seu lado, os analistas argumentam que a campanha de Hillary está afundada em dívidas e que após os últimos resultados, é difícil conseguir novas doações. A senadora fica cada vez mais endividada (10 milhões de dólares). No que toca ao senador a situação é totalmente diferente, tem os cofres a transbordar, milhões em caixa e, apenas, 800 mil dólares em dívidas! Obama gastou três vezes mais do que Hillary na Pensilvânia, foi incansável e agressivo nos comerciais. Pode!


E Clinton que começou com uma conta bancária milionária? O futuro dirá. Estas primárias tem mostrado uma candidata incansável, lutadora, que de preferida quase que passou já a perdedora declarada, mas não desiste. No fundo, ninguém esperava pela máquina estruturante de Obama. Apanhou todos de surpresa e galvanizou sectores decisivos, principalmente os jovens e os desesperançados.


A 20 de Maio, o Kentucky e o Oregon votam, representando um total de 125 delegados à Convenção Democrata de Agosto, mas a verdadeira aposta está, neste momento, nos superdelegados, com assento directo na Convenção por já terem ocupado cargos eleitos ou por terem sido líderes. Os eleitores de origem latina (que, à partida, eram considerados fortes apoiantes de Hillary) e seus descendentes formam uma parcela crescente do eleitorado dos Estados Unidos e, especialmente em alguns Estados, podem ser a diferença na hora de carimbar o passaporte para a Casa Branca. Segundo o Instituto de Pesquisas Centro Hispânico Pew, os hispânicos são hoje 15% da população dos Estados Unidos e 9% do eleitorado americano, cerca de 8,6 milhões –um milhão a mais do que o registado em 2004.


Mas, apesar da dinâmica destas eleições, a verdade é que a prolongada disputa (o povo americano só irá às urnas a 4 de Novembro), entre Obama e Hillary já está a gerar uma onda que começa a mostrar os primeiros sintomas de saturação. É uma luta disputadíssima entre os dois. Este mês, ou em finais de Setembro, o candidato tem de estar escolhido nos Democratas para enfrentar o Republicano McCain.


Aliás, nesta altura, há quem ache muito difícil que Hillary consiga o objectivo final que seria o de sentar-se, com pleno direito, na (mítica...) Sala Oval da Casa Branca, como Presidente dos EUA. E os motivos são vários mas o primeiro, claro, parte da actual simpatia (leia-se vitórias) dos americanos por Obama, o senador de Illinois, que teve, até aqui, a sorte de ter conquistado os eleitores com os seus empolgantes discursos. Na realidade, os americanos começaram por se apaixonar pelos discursos preciosamente elaborados por um elemento do seu staff e da surpresa depressa passaram à simpatia e, daí, à esperança!


Para aquela que, à partida, era considerada por muitos como a grande vencedora a situação está nublada e diz-se mesmo já nos bastidores que os superdelegados que a apoiam são capazes muito brevemente de a aconselhar a sair de cena e apoiar Obama. Este já adiantou que a vai convidar para vice-presidente quando for eleito. Em entrevistas à CNN e a NBC fez-lhe fortes elogios e disse mesmo que a adversária é uma candidata formidável, que reúne todas as condições para assumir o segundo lugar à frente dos Estados Unidos.


Todavia, hoje mesmo foi feita uma sondagem que adiantou resultados curiosos contrariando os efectuados de há meses atrás, sobre o mesmo tema: quem ganhará, Democratas ou Republicanos? Hillary conseguiu 47% dos votos, Obama 46% e McCain ficou, apenas, pelos 38%. Como é fácil verificar os Democratas andam frequentemente colados nas tabelas de preferências. Só que não podem correr o risco de cisões dentro do Partido e a escolha é necessária.


E, então, o que se passa com McCain? Diria que estrategicamente está (muito) calado, politicamente silencioso, olhando a trepidante movimentação dos outros dois candidatos. Um deles será o grande rival. Qual? Quem estará na recta final com este veterano do Vietname que, após a queda do seu avião (era piloto da Marinha), foi capturado e feito prisioneiro Tem inúmeras condecorações onde se destacam: A Estrela de Prata, de Bronze, a Legião de Mérito, O Coração Púrpura e a Cruz de Voo. O porquê do seu silêncio? Este experiente senador vive em Phoenix, (Arizona) com a sua mulher Cindy. Tem sete filhos.


Sobre a sua hipotética eleição muitos dizem (incluindo Obama): Todos estamos de acordo para não permitir dar a John McCain a hipótese de completar o terceiro mandato da presidência Bush, afirmou o candidato Democrata que aproveitou ainda para denunciar as tentativas de jogo sobre os nossos medos e da exploração das nossas diferenças para nos atirar uns contra os outros para um puro cálculo eleitoral.


E quanto a promessas eleitorais? Imensas, diversificadas e já conhecidas. Das últimas ressalto a que Hillary fez em Indiana, onde prometeu 5 milhões de novos postos de trabalho (Bill Clinton, o marido, quando saíu da Casa Branca, deixou na América numa confortável situação financeira). A senadora também apoiou a proposta de John McCain de oferecer uma moratória sobre um imposto cobrado sobre gasolina (e há quem diga que este foi o golpe final, um dos motivos que a fez perder na Carolina do Norte).


A 15 de Fevereiro, neste blogue, com o título Três Presidentes Para a Casa Branca, adiantei que a decisão final (para mim) seria a de Hillary ser eleita, Obama ficar como vice e Bill Clinton como o Primeiro Cavalheiro, isto é: estariam três Presidentes na Casa Branca, que seria bom dadas as crises, em vários sectores, que a América está a viver, com reflexos para o Mundo e, tendo em conta das mudanças que se virão a operar com o aparecimento do poder da China, da Rússia, já para não falar de outros desafios como as fortes mudanças climáticas, a guerra do pão (o preço dos alimentos que ameaça fome para milhões de pessoas), o preço imparável do petróleo, as exorbitantes verbas aplicadas na guerra do Iraque, a instável situação financeira instalada na América. Uma imensa lista de preocupações.

A situação complicar-se-á, por isso, mais do que nunca, acho desajustada no tempo a nomeação de Obama. Ele será Presidente da América, um dia, mas não o deveria ser em 2008. Obama, contrariamente às ondas de exaltação em torno de si, é frágil. Não mudei de opinião mas, analisada a situação actual dos candidatos ou Hillary renasce das cinzas, ou Obama é eleito. E, se preferia o renascer da Fénix, acho que se as cinzas forem demasiado quentes para a apoteose, então que McCain seja o escolhido. A experiência é de ouro. O mundo precisa de líderes confiantes. Sabedores. Seguros. Aptos a enfrentar os vendavais da vida.


A Democracia é um mecanismo que garante que nunca seremos governados melhor do que aquilo que merecemos.
George Bernard Shaw

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