Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

A minha fotografia
Nome:
Localização: Portugal

O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quarta-feira, 27 de maio de 2009

MAIS SENSÍVEL, HUMANITÁRIO, AMOROSO...


Leia este breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff (escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Franciscanos) e Dalai Lama (acredita-se que o Dalai Lama seja a reencarnação de uma longa linha de tulkus que optaram pela reencarnação, a fim de esclarecer a Humanidade). Leonardo Boff diz:

-No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, perguntei-lhe no meu fraco em meu inglês: Santidade, qual é a melhor religião?Esperava que ele dissesse: é o budismo tibetano ou são as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo. O Dalai Lama fez uma pequena pausa, sorriu, olhou-me bem nos olhos (o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta) e afirmou: a melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.


Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar: a que me faz melhor? Ele respondeu: aquilo que te faz mais compassivo (compaixão) e, aí, senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta
... aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável. A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião. Calei-me, maravilhado, e até aos dias de hoje recordo sua resposta sábia e irrefutável .


Se quer transformar o mundo, mexa primeiro no seu interior
( Dalai Lama )

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terça-feira, 26 de maio de 2009

PAULO SERÔDIO - AFRO-AMERICANO BRANCO




Ferreira Fernandes é um jornalista de pura gema (não consegui uma foto sua mas, na tentativa de ressaltar o lado africano do texto, decidi-me por mostrar uma imagem de África). Ler as suas crónicas, na última página do Diário de Notícias, é um salutar hábito que não dispenso. Pensamentos que refectem sensibilidade e actualidade relatados em textos breves mas palpitantes. Com ritmo. Inspirados e inspiradores. A sua crónica de hoje reflecte tudo isso.


Paulo Serôdio, de 45 anos, nasceu em Moçambique, numa família portuguesa de três gerações em África. Foi para os Estados Unidos, em 1984, naturalizou-se americano, casou, teve filhos e, já quarentão, decidiu tirar Medicina. Queria trabalhar nos Médicos Sem Fronteiras, no continente onde nasceu. Na Faculdade de Medicina de Nova Jérsei, em Newark, numa aula em que era pedido aos alunos que se definissem culturalmente, Serôdio respondeu: "Afro-americano branco." Uma colega negra insurgiu-se: aquilo era um insulto! E o professor ordenou-lhe que nunca mais se definisse assim. Paulo Serôdio insistiu e foi suspenso da escola - há um processo judicial que corre sobre o assunto (li a história no site da cadeia televisiva americana ABC, alertado por um post, ontem, no blogue Blasfémias). É uma história de ignorância. Do triângulo "africano, americano e branco" é claro que o que incomoda é a junção de africano com branco. Se Paulo Serôdio quiser, serei sua testemunha. E levo uma longa lista de brancos que deram a vida, o trabalho e o amor pela sua pátria africana.



O rio consegue atingir os seus objectivos porque consegue contornar os obstáculos
(Provérbio africano)

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

O PODEROSO SEGREDO DOS ESPARGOS



A Dr. Helena Cid, nutricionista, num excelente texto desvenda-nos o segredo dos espargos. Por vezes esquecidos, mas sempre deliciosos. E não só. Leiam. Não é por acaso que o cardápio do Dia dos Namorados tem quase sempre como entrada um creme de espargos ou uma salada de espargos e cogumelos. Há muito que os espargos são vistos como um alimentos afrodisíaco, que aumenta a libido e a intensidade das sensações. O segredo está na vitamina B3, que tem um princípio vasodilatador dos vasos sanguíneos. Assim, para além de serem um legume bastante completo, rico em ácido fólico, sem calorias nem colesterol, os espargos têm propriedades afrodisíacas.


Originários da Ásia e cultivados desde a antiguidade, os espargos podem assumir a cor verde (mais pequenos e menos suculentos), brancos (tenros e adocicados) e violeta (de sabor mais intenso). Independentemente da sua origem, qualquer das variantes é pouco calórica e rica em vitaminas. Talvez por isso, a gastronomia alentejana os tenha recebido tão bem, e conseguido torná-los num ingrediente indispensável nas sopas e nas migas. Mas há outras formas saborosas de os integrar numa refeição: em entradas, sopas, saladas ou sob a forma de souflé. Apesar de a sua colheita estar prevista para os meses de Maio e Junho, tal não deve constituir um constrangimento para consumi-los todo o ano. A opção pode passar pelas sopas de espargos já confeccionadas ou, se os preferir ao natural, através das conservas.


Para além dos benefícios nutricionais conseguidos através da ingestão de espargos, este vegetal pode ainda trazer outros prazeres. Na verdade, alguns nutrientes, como é o caso do complexo de vitaminas B e B1, actuam sobre os neurotransmissores que influenciam a predisposição sexual. Por outro lado, o ácido fólico estimula a produção de histamina que aumenta a apetência para atingir o orgasmo, tanto masculino como feminino. Os gregos e os romanos antigos atribuíam outras propriedades terapêuticas aos espargos, evocando a sua capacidade de curar desde a dor de dentes até ao reumatismo. Em causa estão as suas propriedades nutricionais, que começam na proteína vegetal e no alto teor de fibras. Mas há outros benefícios a ter em conta:


* Baixos em calorias, apenas 20 kcal em cinco espargos
* Isentos de colesterol
* Ricos em potássio, que desempenha um papel importante no metabolismo celular
* Importante fonte de fibras solúveis e de ácido fólico, que actua enquanto nutriente protector da saúde cardiovascular
* Ricos em vitamina C, ajudam a energizar e proteger o organismo das infecções
*Fonte do complexo de vitamina B, essencial ao bom funcionamento do metabolismo, nomeadamente vitamina B1, que ajuda as células do organismo a converter os hidratos de carbono em energia
*Antioxidantes – têm vitamina A e C
*Fonte de ferro, reforça o sistema imunitário e previne as anemias.


Os espargos contém ainda uma acção probiótica, que estimulam de forma natural o estômago e auxiliam no processo digestivo. Outra boa notícia para as mulheres são os benefícios da vitamina C e E que, para além de protegerem o organismo da acção dos radicais livres, retardam os efeitos do envelhecimento e deixam a pele, as mãos e o cabelo mais saudáveis. Grandes aliados das dietas e das grávidas. Quem disse que estar de dieta é sinónimo de comer mal? Sabia que a ingestão de cinco espargos equivale à ingestão de 60 por cento do valor diário recomendado de ácido fólico (200 a 400 miligramas)? Esta vitamina é essencial na formação das células, na prevenção das doenças do fígado e, no caso das grávidas, essencial na prevenção de malformação congénita do sistema nervoso do bebé.


Os espargos também são ricos em fibras solúveis, têm poucas calorias e sal, o que faz deste legume uma opção saudável e saciante para todos os dias e, especialmente, para quem está a fazer dieta. Da família da classe Liliopsida, a sua composição nutricional potencia as suas propriedades diuréticas, actuando enquanto desintoxicante já que ajuda os rins na sua tarefa de eliminar os líquidos, uma arma natural no tratamento da obesidade. Por outro lado, previne também o aparecimento de pedras no rins. O consumo regular de espargos estimula o sistema imunitário, protegendo o organismo da acção dos radicais livres.



Nós somos o que pensamos. Tudo que somos surge com os nossos pensamentos. Com eles, nós fazemos o mundo!
(Buda)

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

A PINTORA QUE DESAFIOU O SÉCULO XIX



Mary Cassatt, pintora impressionista, faria hoje 165 anos; nasceu a 22 de Maio de 1844 e faleceu a 14 de Junho de 1926 (82 anos), perto de Paris. Desde muito cedo que a América a fascinavam e foi aí que viria a estudar arte na Academia da Pensilvânia. Ela teve o grande mérito de, no século XIX, enfrentar e vencer num mundo marcadamente masculino. Participou em várias exposições de 1879 a 1886, evidenciando-se as suas obras por um estilo muito próprio onde a suavidade e a luminosidade eram marcantes. Pintou muitas crianças. Nas suas telas encontram-se sensualidade, pureza, movimento. Edgar Degas, grande admirador das suas obras -eram amigos mas alguns historiadores consideraram-nos amantes o que não era confirmado por outros, devido à maneira de ser do pintor. Teve forte influência na mudança de estilo de Mary (adorava crianças. Degas era estéril) que começou a usar cores claras. Degas, frequentemente, defendeu-a perante alguma crítica da época que não tinha por Mary tanta admiração. Algumas das suas telas foram severamente criticadas. Mary conviveu com grandes pintores como Monet, Pissarro, Renoir, entre outros e admirava Manet, Courbet, e, claro, Degas. Em 1868 fez a sua primeira exposição e em 1884, com 30 anos, deixou de pintar.


http://www.youtube.com/watch?v=7JswrTIuct0




Uma vida é uma obra de arte. Não há poema mais belo que viver em plenitude
(Georges Clemenceau)


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quinta-feira, 21 de maio de 2009

APRENDE A SER COMO EL UNIVERSO


Habla simplemente cuando sea necesario.
Piensa lo que vas a decir antes de abrir la boca.
Sé breve y preciso ya que cada vez que dejas salir una palabra,
dejas salir al mismo tiempo una parte de tu chi.
De esta manera aprenderás a desarrollar el arte de hablar sin perder energía.
Nunca hagas promesas que no puedas cumplir.
No te quejes y no utilices en tu vocabulario
palabras que proyecten imágenes negativas
porque se producirá alrededor de ti
todo lo que has fabricado con tus palabras cargadas de chi.


Si no tienes nada bueno, verdadero y útil qué decir,
es mejor quedarse callado y no decir nada.
Aprende a ser como un espejo: Escucha y refleja la energía.
El universo mismo es el mejor ejemplo de un espejo
que la naturaleza nos ha dado,
porque el universo acepta sin condiciones nuestros pensamientos,
nuestras emociones, nuestras palabras, nuestras acciones
y nos envía el reflejo de nuestra propia energía
bajo la forma de las diferentes circunstancias
que se presentan en nuestra vida.


Si te identificas con el éxito, tendrás éxito.
Si te identificas con el fracaso, tendrás fracasos.
Así podemos observar que las circunstancias que vivimos
son simplemente manifestaciones externas
del contenido de nuestra habladuría interna.


Aprende a ser como el universo,
escuchando y reflejando la energía
sin emociones densas y sin prejuicios.
Porque siendo como un espejo sin emociones
aprendemos a hablar de otra manera.
Con el poder mental tranquilo y en silencio,
sin darle oportunidad de imponerse
con sus opiniones personales
y evitando que tenga reacciones emocionales excesivas,
simplemente permite una comunicación sincera y fluida.


No te dés mucha importancia, y sé humilde,
pues cuanto más te muestras superior,
inteligente y prepotente,
más te vuelves prisionero de tu propia imagen
y vives en un mundo de tensión e ilusiones.
Sé discreto, preserva tu vida íntima,
de esta manera te liberas de la opinión de los otros
y llevarás una vida tranquila volviéndote
invisible, misterioso, indefinible,
insondable como el Tao.


No compitas con los demás, vuélvete como la tierra
que nos nutre, que nos da lo que necesitamos.
Ayuda a los otros a percibir sus cualidades,
a percibir sus virtudes, a brillar.
El espíritu competitivo hace que crezca el ego
y crea conflictos inevitablemente.
Ten confianza en ti mismo,
preserva tu paz interna
evitando entrar en la provocación
y en las trampas de los otros.


No te comprometas fácilmente.
Si actúas de manera precipitada
sin tomar conciencia profunda de la situación,
te vas a crear complicaciones
La gente no tiene confianza en aquellos que muy fácilmente dicen “sí”,
porque saben que ese famoso “sí” no es sólido y le falta valor.
Toma un momento de silencio interno
para considerar todo lo que se presenta
y toma tu decisión después.
Así desarrollarás la confianza en ti mismo y la sabiduría.


Si realmente hay algo que no sabes,

o no tienes la respuesta a la pregunta que te han hecho, acéptalo.
El hecho de no saber es muy incómodo para el ego
porque le gusta saber todo, siempre tener razón
y siempre dar su opinión muy personal.
En realidad el ego no sabe nada,
simplemente hace crer que sabe.


Evita el hecho de juzgar y de criticar,
el Tao es imparcial y sin juicios,
no critica a la gente,
tiene una compasión infinita y no conoce la dualidad.
Cada vez que juzgas a alguien
lo único que haces es expresar tu opinión muy personal
y es una pérdida de energía,
es puro ruido.
Juzgar es una manera de esconder sus propias debilidades.
El sabio tolera todo y no dirá ni una palabra.


Recuerda que todo lo que te molesta de los otros
es una proyección de todo lo que
todavía no has resulto de ti mismo
Deja que cada quien resuelva sus propios problemas
y concentra tu energía en tu propia vida.
Ocúpate de ti mismo, no te defiendas.
Cuando tratas de defenderte
en realidad estás dándole demasiada importancia
a las palabras de los otros
y le das más fuerza a su agresión.
Si aceptas el no defenderte estás mostrando
que las opiniones de los demás no te afectan,
que son simplemente opiniones
y que no necesitas convencer a los otros para ser feliz.


Tu silencio interno te vuelve impasible.
Haz regularmente un ayuno de la palabra para volver a educar al ego
que tiene la mala costumbre de hablar todo el tiempo
Practica el arte de no hablar.
Toma un día a la semana para abstenerte de hablar.
O por lo menos algunas horas en el día
según lo permita tu organización personal.
Este es un ejercicio excelente para conocer
y aprender el universo del Tao ilimitado
en lugar de tratar de explicar con las palabras qué es el Tao.


Progresivamente desarrollarás el arte de hablar sin hablar
y tu verdadera naturaleza interna
reemplazará tu personalidad artificial,
dejando aparecer la luz de tu corazóny
el poder de la sabiduría del silencio.
Gracias a esta fuerza atraerás hacia ti todo lo que necesitas
para realizarte y liberarte completamente.
Pero hay que tener cuidado de que el ego no se inmiscuya.
El poder permanece
cuando el ego se queda tranquilo y en silencio.
Si tu ego se impone y abusa de este poder
el mismo poder se convertirá en un veneno,
y todo tu ser se envenenará rápidamente.


Quédate en silencio, cultiva tu propio poder interno.
Respeta la vida de los demás y de todo lo que existe en el mundo.
No trates de forzar, manipular y controlar a los otros.
Conviértete en tu propio maestro y deja a los demás ser lo que son,
o lo que tienen la capacidad de ser.
Dicho en otras palabras, vive siguiendo la vida sagrada del Tao.



Texto taoísta traducido por
Oscar Salazar

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

MILHÕES DE CRIANÇAS DORMIRÃO NA RUA



A avaliar pela minha caixa de correio a Internet tomou conta da mundo! Os emails chegam num ritmo impressionante, por vezes repetidos, por vezes sem interesse, por vezes irritantes mas, felizmente, a maioria das vezes extraordinariamente importantes. Dos que comecei hoje a abrir fiquei por este. Achei-o profundo. Tocante. Confesso que não sei se o que refere é cumprido rigorosamente em Cuba. Tenho óbvias dúvidas. Mas, se não for, devia. Em Cuba e em cada milímetro de terra da nossa Terra. Enquanto os adultos não souberem defender cada criança do Planeta este barco -onde todos viajamos- sofre permanentes ameaças de abalroamento. Pelas consciências.


O vídeo que vai ver foi filmado em Cuba pelo controverso Michael Moore (cineasta, documentarista e escritor americano conhecido pela acutilante crítica em relação à violência armada, à invasão do Iraque e à hipocrisia dos políticos, Bush não foi poupado, é evidente). Foca o sistema nacional de saúde cubano. Cuba, onde as crianças não têm acesso a Play Stations (pelo menos com facilidade). Nem se sentem inferiorizadas por não vestirem roupas de marca. Onde os supermercados não apresentam 60 marcas de manteiga diferentes. E a TV não mente a publicitar que os Danoninhos ajudam as crianças a crescer. Os carros de luxo não abundam. Nem as malinhas Louis Vuitton. Mas têm, talvez, o mais avançado sistema de saúde de todo o Planeta. E um sistema de ensino ímpar, em que os professores ensinam e os alunos aprendem, com rigor e disciplina, onde não há lugar para Escolas Novas, estatísticas duvidosas, pseudo universidades. Há empregos. As ruas são seguras, livres de criminalidade e de drogados. Mas os cubanos têm falta de liberdade...

* Para assaltarem idosos e crianças.
*Para agredirem professores dentro das escolas.
*Para dispararem contra polícias.
*Para desrespeitarem o seu semelhante.
*Para políticos corruptos que enriquecem à sombra do erário público.


Cuba, onde tantas coisas faltam, principalmente as supérfluas, as inventadas pelo capital na sua necessidade de se reproduzir. Mas onde abundam a solidariedade, a fraternidade e, principalmente, a humanidade.


http://video.google.com/videoplay?docid=-8478265773449174245&hl=pt-BR




Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é
cubana
(Fidel Castro)

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A VIDA NÃO PROTEGE OS ACOMODADOS



Uma caravana de camelos atravessava o deserto. Pouco depois, chegou a hora do descanso e o cameleiro preparava-se como habitualmente para prender os camelos às estacas quando verificou que faltava uma. Não sabendo como resolver o problema, perguntou ao mestre da caravana:


-
Mestre, falta-me uma estaca para um camelo. Como faço?


- Não tenhas problemas. Eles estão tão habituados a ficar presos que se tu fingires que o atas com a corda, ele pensará que está preso e nem sequer tentará sair do sítio. O cameleiro assim fez e o camelo ali ficou toda à noite. No dia seguinte quando se preparavam para partir esse camelo simplesmente recusou-se a sair do sítio, mesmo quando o puxavam com toda a força. Sem saber que atitude tomar, dirigiu-se de novo ao mestre contando-lhe o sucedido.


-Homem, respondeu-lhe o mestre. Que fizeste ontem? Não fingiste que o ataste à estaca? Então faz o mesmo hoje. Finge que o desamarras. O camelo, mal o cameleiro fingiu que o desatava da estaca imaginária, recomeçou a caminhada. Muitas vezes não avançamos na vida, devido às nossas estacas mentais. É o desconforto da acomodação (Solemio).



As dificuldades não esmagam um homem, fazem-no
(Arthur Meighen)

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sábado, 16 de maio de 2009

J.M.BARROSO - O LÍDER A RECONDUZIR



O presidente da Comissão Europeia desde Novembro de 2004, José Manuel Barroso, é português e já foi nosso Primeiro-ministro. Presentemente está numa fase de reunir consensos (e apoios) que é uma coisa que a União Europeia não consegue fazer bem consigo própria. Só por isso ele mostrou já características de líder, embora seja justo reconhecer que Barroso não se tem destacado por uma liderança forte, combativa, polémica, interventiva (não tem o frenesim de um Sarkozy -como presidente da UE seria uma trepidação permanente). Não, a força do presidente português reside precisamente (e por isso vai ser reeleito expressivamente) por uma inteligente condução conciliadora, atenta, sabedora.


Sem espaventos tem sabido lidar com as situações, correntes, circunstâncias e algumas directivas que serão superiores ainda por muitos e bons anos dos EUA e dentro da UE, da Alemanha, às terças quintas e sábados; da França, às segundas, quartas e sextas, mandando em alguns domingos ora a Espanha, ora ninguém porque a maior parte desses domingos são mesmo representativos da lacuna de liderança Europeia. Lacuna que exige rapidamente uma UE mais coesa e mais forte, preparando-se para toda a espécie de desafios que se avizinham. A presença do actual presidente é benéfica porque alia a sua maneira de ser (não é fracturante) aos conhecimentos adquiridos que valem ouro. O futuro do mundo não vai ser fácil


O presidente Barroso não é limitado como o pintam: rosto do passado, nacionalista, Cimeira da vergonha. Tenho lido e escutado verdadeiras barbaridades a personalidades portuguesas políticas no activo ou não que arrepiam. Barroso percebeu (muito bem) que a fórmula socrática de cativar o tecido empresarial resulta num apoio decisivo porque o poder verdadeiro é o da Economia, não o dos ideais políticos que só servem para campanhas, já que depois de eleições todos têm que governar ao centro da linha fina das prioridades económicas.Também por estes vai ser reeleito. Para além disto, é o português que está no topo da cadeia de decisão da UE e tem visão sobre os processos e se isso não ajuda tanto Portugal hoje, ajudará no futuro, quando ele materializar toda a cadeia de conhecimentos que acumulou e que estão já a fazer pequenos impérios que se estendem por vários cantos Europeus.


Portugal, inexplicavelmente, parece-me que não se encanta com o candidato português e até parece torcer para que ele não renove o mandato! Politicamente, não dá para entender. Mais facilmente José Manuel Barroso obtém apoios, por exemplo, de Angola do que de Portugal pela razão simples que Angola vê em Portugal a porta acessível à UE e vê Barroso ao pé dessa porta e isto não é mau! É bom, dada a nossa dimensão e porque não podermos vender trabalho produzido cá dentro (não há), petróleo, ouro e diamantes (temos muito pouco). Vendemos influências, a dele incluída e à cabeça. Por último, nós é que não nos lembramos mas tirando um ou outro líder histórico do antigamente na esfera de conceitos iniciais de UE, a começar por Adenauer, Schmidt ou Olof Palme, a verdade é que praticamente quase todos os anteriores ocupantes do cargo foram em média maus (vá lá, Jacques Delors teve os seus momentos) e se Barroso só é sofrível, faz dele face aos outros, um bom ou muito bom líder por comparação e não sendo nós Taiwan, Singapura ou Noruega, por exemplo, a mais não podemos aspirar e deveremos, então, declará-lo um excelente líder. E quem somos nós para não votar num excelente líder europeu português para o lugar de presidente, que não é o da Junta?


Há detalhes de oportunidade que devem ser tidos em conta como por exemplo: nos próximos três anos, Portugal tem a hipótesel de ver confirmada a sua expansão territorial para um tamanho que é quase meio Brasil, com o alargamento dos limites marítimos. Claro que é debaixo de água e parece que não dá jeito, mas os nossos filhos e netos vão saber melhor do que nós que vai dar tanto jeito que, de uma só assentada, poderá colocar Portugal em posições definitivas de liderança nas renováveis, na vocação Atlântica, na valorização do eixo norte-sul Ocidental, no triângulo de ouro Palop de Portugal com o Brasil e com Angola, na extracção de matérias primas dos fundos dos mares (nós temos uma Arábia do futuro debaixo de água...), tudo elementos onde o peixe Barroso também tem nadado com à vontade desde as piscinas que fez em Bicesse e, entretanto, com as piscinas olímpicas que tem gramado (mas não se vê, nem se sabe, nem se valoriza) para tentar aglutinar todas estas díspares valências e montar linhas de influência que possam projectar o poder da empatia da Portugalidade da Língua e da Cultura, para se poder assumir como o guia das novas super economias de Língua Portuguesa (Brasil e Angola) na UE, mas também dos pequenos povos com grandes mares e posição geoestratégia abençoada como São Tomé, Timor ou Moçambique. Portugal podia ajudar a África do Sul a montar um Dubai mulato.


São muitas e amplas as visões que o líder português pode ter nos próximos cinco anos e, para além das suas qualidades tem os olhos bem afastados para todas estas visões e abarcar, em simultâneo, todas! Conciliando, assim, num mesmo quadro de actuação, mesmo que por isso tenha que continuar difuso na linha de vista em frente, o que pode indicar que continuará a ter uma progressão cuidadosa, apalpando caminhos em função das mãos que o apoiem hoje ou amanhã, na indicação do caminho hoje mais por aqui, amanhã mais por ali, o que não é mais do que uma versão de líder como outras, esta com índice de sobrevivência comprovada.


Um líder que assumiu a Conferência dos Açores e ainda hoje está ileso, prova que é melhor actuar sem ter a certeza de estar certo do que nada fazer, o que teria contribuído para uma UE ainda mais despersonalizada, fraca e vulnerável na altura ao terrorismo exterior e, hoje, ele já seria realidade interna em cada país. Um líder que escapa todo o mandato sem ter que tomar posição séria sobre a entrada da Turquia percebe que a transparência da actuação política é, afinal, feita de muitas folhas de acetato transparentes, sobrepostas, mas cada uma com a sua ténue cor de tendência capaz de filtrar sem por isso se dar, quanto muito tira-se do meio um ou outro acetato e mostra-se para que se veja decisão na mexida, mas nunca se tiram todas ao mesmo tempo.


Um líder que se assume Europeu mas consegue ao mesmo tempo o apoio incondicional de uma Inglaterra para a reeleição, uma Inglaterra que cria há 300 anos, Barrosos nas suas escolas de elite para mais tarde mandarem, tem que ser um político em que se lhe reconhece potencial. Um político que trata a Oposição por e diz que é porreiro, tem que se respeitar! Neste caso a Oposição também se deve respeitar por permitir ser assim tratada em ambiente de Conciliação Nacional, sobretudo porque é a Oposição que está no nosso Governo a governar em maioria, mais bem que mal (para nossa sorte). Ao Governo que está na UE, debaixo deste nosso PR da UE, que está lá e o de nós não. São estas articulações subliminares que nós dificilmente vislumbramos mas ele têm-nas bem debaixo de olho. E, por isso, também, merece ser líder.


Além disso, pode muito bem vir a ser o líder que ajudará a aparente (perante a UE) minoria governamental socrática a organizar-se para, em Convergência Nacional, permitir contradizer César e provarmos que nos deixamos governar. Mas, para isso, é preciso ter o Sentido de Estado bem apurado e aí é que está: nós, que nem para a cidadania temos o sentido desperto, podermos convergir em Sentido de Estado e apoiar José Manuel Barroso? Temos de decidir ou um dia destes vamos arriscar-nos a que ele peça alguma dupla nacionalidade Palop e vire Alto Comissário de qualquer coisa exótica e rica, juntos dos fóruns internacionais Europeus e Mundiais ? Ou pior, perdemo-lo para super administrador de interesses económicos e financeiros de interesses económico financeiros emergentes? Barroso, é dolente no aperto de mão, mas esse é o sinal definitivo que nos faltava para perceber o seu elevado potencial em se adaptar, reconfigurar e, para uma UE que ainda se procura a si própria, ele é -mesmo- o líder a reconduzir.

A nossa maior glória não está em nunca ter fracassado, mas em levantarmo-nos cada vez que fracassamos

(Ralph Waldo Emerson)





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quinta-feira, 14 de maio de 2009

DULCE PONTES - INSPIRADAMENTE DIVINA


Portugal continua com o péssimo hábito de ignorar filhos que, por este ou aquele motivo se destacam. Não o faz com todos mas, alguns (vá lá saber-se porquê) parece que são marcados com o símbolo do esquecimento. Lembro Dulce Pontes, uma artista notável, portuguesa, nascida no Montijo em 1969, que desde que se destacou, à sua custa, galgou fronteiras e as suas canções chegaram a filmes de Hollywood (Raiz do Mal com Richard Gere ou Afirma Pereira ). Os espectáculos que leva a todo o mundo galvanizam plateias. Canta ao lado dos maiores nomes, na foto com José Carreras, fê-lo com Andrea Bocelli e muitos outros. O maestro italiano Ennio Morricone, responsável por filmes como A Missão, Cinema Paraíso, Era Uma Vez no Oeste, não esconde como admira a voz, a sensibilidade e as interpretações de Dulce Pontes.


Para ela cria temas que vão pelo mundo aumentando a sua plateia vastíssima de admiradores. Em Portugal, se a quiser ouvir na Rádio, só se for nas locais. Na Antena Um, por exemplo, não passa. Nunca passa. E se passa, foi, certamente, por distracção. Em Portugal a música portuguesa é substituída por vozes e sonoridades de todos os lados menos do nosso! É uma vergonha. Reveladora, mas não deixa de ser uma vergonha que continua a prevalecer. Infelizmente. Nunca mais aprendemos a amar Portugal.


http://www.youtube.com/watch?v=KBYAYbQ-JI0



Não importa o tamanho da montanha, ela não pode tapar o Sol!
(provérbio chinês)

terça-feira, 12 de maio de 2009

FÁTIMA - UM DOS CORAÇÔES DA TERRA


Hoje, é a noite mais luminosa de todas as noites de Fátima. Por ser Maio, o mês de Maria. Por ser Maio, o mês do coração. Por ser Maio, o mês da Mãe. Por ser Maio, só por isso: por ser Maio, a noite onde as velas trémulas têm, no suceder das décadas, aguentado lágrimas perdidas, frios cortantes, chuvas fustigantes, calores abrasadores e brisas reconfortantes para as dores dilacerantes que podem tolher o corpo mas não beliscam a alma. Hoje, em Fátima, vive-se a noite mais brilhante de todas as noites onde, uma vez mais milhares e milhares de peregrinos vindos de todas as partes do mundo se colocam aos pés de Maria e lhe pedem, mesmo sem falar, ajuda. Ou lhe agradecem. Ou, simplesmente, anseiam sentir o toque da chama Divina que os deixe menos sós na imensidão dos seus Universos perdidos. Fátima, é o ponto de encontro de todos os quereres e de todos os credos.


Um dia, há muitos anos, o Dr. Perdigão, de Vila Nova de Ourém, contou-me como foi estar lá, na Cova da Iria, em 1919, em Outubro, quando o Sol girou perante três jovens pastorinhos, ajoelhados aos pés de Maria -apareceu um grande sinal no Céu: uma mulher revestida de Sol, tendo a Lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça» (Ap. 12, 1)- . Deliciava-me escutá-lo, falava calmamente sem excessos de qualquer espécie mas não escondia que aquele dia tinha sido diferente de todos os outros da sua longa existência. E, quando lhe perguntava (ansiosa) pelo rodopiar do Sol, lembra-me que ele me olhava com uma certa complacência e dizia: lamento, senti que havia qualquer coisa de muito diferente no ar mas dizer que vi o Sol girar, não vi. Não quer dizer que ele não o tivesse feito, eu é que talvez não merecesse ver a mensagem.


Hoje, em Fátima, tudo começa como se fosse o primeiro dia: a mesma fé, a mesma procura, as mesmas dores e as mesmas esperanças. O mesmo sofrimento do corpo e o maior bálsamo da alma. A mesma esperança, a mesma entrega, os mesmos anseios, a mesma união com os milhares de outros peregrinos que enchem solo sagrado. Não se tente explicar Fátima. Fátima, é um dos corações do Além que palpita na Terra.


http://www.youtube.com/watch?v=wlMxCjoCnSQ




...Os Anjos virão do céu e abençoarão a Terra nos tempos que virão...
(Maria, Mãe de Jesus)

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domingo, 10 de maio de 2009

NÃO VOTAR, NÃO CONSTRÓI FUTUROS...


O dia em que os eleitores portugueses serão chamados a votar nas eleições para o Parlamento Europeu (7 de Junho), aproxima-se rapidamente e a sensação que paira no País é que o tema esvoaça no ar mas não agarra. Nós estamos alegremente a deitarmo-nos no precipício da indiferença numa insensatez preocupante. Portugal precisa da Europa e grande parte dos portugueses não sabe, não quer aperceber-se da realidade em que vive e recusa-se a acreditar que se não fosse o escudo da tal Europa, a crise globalizada que tem ceifado empregos e sonhos de futuros teria sido muito pior. Por isso, enquanto é tempo, não é demais lembrar a importância desse voto numa altura marcada por várias ameaças; é absolutamente necessário que, juntos, enfrentemos o futuro com trabalho, solidariedade, justiça e dignidade. A Europa pode ter sido o comboio desconjuntado que Portugal apanhou mas, era o único! E, ainda bem que o fez e que hoje é um dos 27 Estados-membros da União Europeia.


Vamos relembrar (um pouco) o atroz sofrimento da Europa onde ocorreu a Segunda Guerra Mundial -com início em 1 de Setembro de 1939 (invasão da Polónia pela Alemanha) e terminou no dia 2 de Setembro de 1945 (rendição da Alemanha e da Itália). Foi o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade, com mais de 70 milhões de mortes e, na altura, mobilizou mais de 100 milhões de militares. A partir daí foi exigido durante anos e anos a milhares de homens e de mulheres uma capacidade de sacrifício pungente que terminou com a reconstrução de uma Europa que necessitaram de reerguer do chão, em fragmentos. Foi muita dor e muita tenacidade que fez chegar até aos dias de hoje um Continente renascido das cinzas escaldantes qual Fénix. O sofrimento foi tanto que o Santo Padre Pio XII, aos microfones da Rádio Vaticano, proferiu um discurso do qual retirei este extracto:


...Considerando a Europa isoladamente, encontramo-nos face a face agora com problemas e dificuldades gigantescas que deverão ser vencidas se desejarmos abrir caminho para uma paz verdadeira - a única paz que pode ser duradoura. Esta não pode realmente florescer e prosperar senão numa atmosfera de segurança e perfeita fidelidade, aliada a uma confiança recíproca, à compreensão mútua e à benevolência. A guerra fez surgir por toda parte a discórdia, a suspeita e o ódio. Assim sendo, se o mundo desejar conquistar a paz, devem desaparecer as falsidades e os rancores e em seu lugar devem reinar a verdade e a caridade...


De 1945 até hoje sucederam-se tentativas falhadas e vitoriosas para que a Europa se levantasse, se unisse, concretizando metas e ambições. Robert Schuman, um dos responsáveis pela criação do Movimento Republicano Popular (1944), de orientação social-cristã que teve uma participação decisiva na primeira etapa política do pós-guerra em França, como ministro das Finanças, primeiro-ministro, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça. Contribuiu para a constituição da União Europeia com o seu Plano Schuman (1950), em que concretizou as propostas de Jean Monnet para a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Em 1958, tornou-se o primeiro presidente do Parlamento Europeu, cargo que desempenhou até 1960, no qual advogou a reconciliação e a colaboração política com a República Federal da Alemanha.


No Tratado de Paris, assinado em 18 de Abril de 1951, nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço que realizou o Plano Schuman de 1950. A Alta Autoridade comum passou a ser presidida por Jean Monnet. Nesta primeira comunidade europeia uniram-se seis países: A França, a Alemanha, a Itália, a Bélgica, os Países Baixos e o Luxemburgo. Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Seis, sob a presidência do belga Paul Henri Spaak, reuniram-se em 1955, na Conferência de Messina. Em resultado dos acordos aí firmados deu-se um passo definitivo para a construção europeia: em 25 de Março de 1957, os Seis assinavam os Tratados de Roma que criaram a Comunidade Económica Europeia (CEE). Este breve regresso ao passado é, apenas, um grão de areia do que foi necessário fazer para que a União Europeia fosse, hoje, uma realidade. Com a sua não ida às urnas, a 7 de Junho, ajudando a criar uma abstenção perigosíssima, sente que está a respeitar os que lutaram pela liberdade da Europa no passado? Sente-se com direito de exigir o que quer que seja se não exerceu o seu direito de voto: a arma do povo que pode ajudar Nações? Pare e pense e, vislumbrando um futuro para os seus filhos e para os filhos dos seus filhos, vote! Vença a abstenção.

*


O Primeiro-ministro acaba de divulgar sob que condições nos vimos obrigados a entrar em guerra contra a Itália que ameaça a nossa independência. Neste grande momento, estou certo de que todos os cidadãos gregos, homens e mulheres, cumprirão seus deveres até o fim, mostrando-se dignos de nossa gloriosa História. Com fé em Deus e no nosso destino, a Nação, como um só homem, lutará pelos seus lares
(Rei Jorge II)


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SINTRA, UM IMPÉRIO DE MIL SONHOS



Quando nos aproximamos de Sintra assaltam-nos memórias do passado e preparamo-nos para um encontro irreal: jardins, palácios, o perfil da serra a abraçar o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, majestoso, flutuando no Monte da Lua, Monserrate (o sonho e a obra de Byron e Cook), rendilhado, orientalista, exótico, colorido, circundado por jardins que só por um caprichoso lapso dos deuses ainda não foi descoberto por pesquisadores do passado e, por isso, não desmaiaram de emoção ao sentirem-se dentro do Éden Terreno. Aquela imensidão de verdes caprichosos nas suas nuances e brilhos, arrebatam.


São as chaminés ímpares do Palácio da Vila, visitado por largos milhares de turistas que vindos de todos os cantos do mundo, durante o ano, se rendem totalmente à beleza desta paisagem que se espraia até ao Atlântico. É tanto azul, tanto verde, que embriaga os sentidos. Quando o comboio bamboleia na curva da Portela e lá em cima, no cume da Serra, surge o perfil do antigo mosteiro dos monges de S. Jerónimo, Nossa Senhora da Pena, fundado por D.Manuel (quase destruído no terramoto de 1755), não imagina que daí, um dia, o Rei espreitou a frota de Vasco da Gama, no seu regresso da Índia. Mais tarde seria D.Fernando II que ao adquirir em hasta pública as ruínas do mosteiro, o mandou restaurar a um engenheiro militar, o alemão Eschwege, em 1839, construindo um castelo que ainda hoje mostra as magníficas linhas arquitectónicas das construções árabes, o estilo mudéjar de Espanha e o romantismo alemão.


Enquanto o comboio continua a serpentear pela linha e o fim dela se aproxima, instala-se no passageiro uma espécie de ansiedade. Ele sabe que está a entrar num reino especial ao qual em 1848, o conde Raczynski, famoso critico de arte, dizia: os arqueólogos do ano 2245 quebrarão a cabeça quando quiserem fixar a época das diferentes construções da Pena. Talvez seja por isso mesmo, por essa miscelânea de concepções que o Palácio Flutuante do Graal, continua a deslumbrar. E, curioso, com o passar dos anos consegue ir a espaços secretos (por certo) arrebatar uma vitalidade que o torna cada vez mais esplendoroso. Subir a rampa de acesso e olhá-lo cá de baixo, cuidado, a emoção é muita. É mágico. Quando chega ao pátio e se aproxima do belíssimo muro debruçado para o Infinito, não dá para descrever. É estonteante. A paisagem matizada emociona, virada para qualquer que seja o lado. É encanto puro a salpicá-la naquele espaço, diz-se com espólio dos Templários, imortalizado por pintores, reis, escritores, artistas. Sintra é um império de sonhos.


Seja qual for o capricho dos seus dias. Há nevoeiros intensos, brumas enigmáticas, brisas acariciadoras. Há miragens quando Sintra se envolve em neblinas e ostenta altiva e sensual mantos que flutuam ao sabor da imaginação porque, em Sintra, a realidade é invenção! O diferente, são os cânticos que ecoam pelos palácios, pelos recantos da memória e reanimam vidas que se projectam noutras dimensões do espaço e descem, mansamente, as escadas do tempo e chegam aos locais de saudade. Em Sintra há sopros de ventos, embalando a sabedoria dos deuses: silenciosos, sublimes e supremos. As vibrações são poderosas porque Sintra é um Império de sonhos unido ao respirar dos céus.



Eis que em vários labirintos de montes e vales / surge o glorioso Éden de Sintra./ Ai de mim! Que pena ou que pincel/ logrará jamais dizer metade sequer/ das belezas destas vistas (...)?
(Lord Byron)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

CR - O FAZEDOR DE SONHOS E DE GOLOS



Há noites inspiradas, brilhantes, irrepetíveis, sublimes, onde o número 7, Cristiano Ronaldo, do Manchester United ( desde 2003, tinha 18 anos), faz história quando rasga o espaço com um poderio inesperado e o esférico tocado (disparado) pelo seu pé, rodopia, desce, sobe, curva, engana, e entra na baliza de um guarda-redes vencido. Nessas noites de inspiração, onde corre e voa, o português Ronaldo, rouba Luas e, misteriosamente, ilumina estádios inteiros, corações, e faz explodir intensas emoções. Em uníssono. Vibrantemente.

*

Para que haja um vencedor, a equipa deve ter um sentimento de unidade; cada jogador deve colocar a equipa acima da glória pessoal
(Paul Bear Bryant)

terça-feira, 5 de maio de 2009

CHANEL 5, UMA PODEROSA NUVEM DE ODOR


Muito cedo descobri o poder enfeitiçante do Chanel 5 que, para mim, é um perfume magnético. Há quem não goste do seu odor forte e existem imensas mulheres espalhadas pelo mundo que pura e simplesmente não o suportam. Eu não o dispenso. Posso até passar épocas sem o usar e optar por outros (dois ou três. Sou fidelíssima a aromas) mas tenho de o ter em casa. À vista. Tocável. Por vezes é o meu perfume da noite; seduz-me quando me visto com toques de gotas nos pulsos que gradualmente me envolvem inebriantemente, conquistando os sentidos. Chanel 5, como se sabe, é uma lenda no mundo da fragrância. Nenhum como ele. Tenho o frasco aqui à minha frente. Desafiando-me. Fazendo-me companhia. Animando o meu ego. Quando acabar o post, depois do banho, vou colocar duas leves nuvens de Chanel 5 e dormir com os anjos.


http://www.youtube.com/watch?v=nfoMbir_Qd4



A vida não é significado; a vida é desejo
[Charles Chaplin]

segunda-feira, 4 de maio de 2009

QUERO-TE SÓ PORQUE A TI TE QUERO

Não te quero senão porque te quero,

e de querer-te a não te querer chego,

e de esperar-te quando não te espero,

passa o meu coração do frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,

Odeio-te sem fim e odiando-te rogo,

e a medida do meu amor viajante, é não te ver e amar-te,

como um cego.



Talvez consumirá a luz de Janeiro,

seu raio cruel meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego,

nesta história só eu me morro,

e morrerei de amor porque te quero,

porque te quero amor,

a sangue e fogo.

(Querer - PN)


http://www.youtube.com/watch?v=Id2NoXiBTJk



É tão curto o amor, tão longo o esquecimento
(Pablo Neruda)