Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

E SE ELE SAIR E ELES NÃO QUISEREM GOVERNAR?

A recente visita do nosso Primeiro a Nova York não foi dos seus melhores momentos porque, por ele e por todos os que se lhe opõem em Portugal, deixou-se perceber (para fora) que o País não está a beneficiar de convergência de esforços nacionais. Antes pelo contrário. Os especuladores internacionais vivem destes momentos de fragilidade para encarecerem (ainda mais) o dinheiro que vamos precisar nos próximos anos. Esta falta de sintonia pública e, sobretudo internacional, entre Primeiro-ministro e líder da Oposição (este ainda a operar em modo menor mas também ainda a tempo de reescrever a sua história futura), totalmente desnecessária porque antes do Natal têm que mostrar que se entendem. O desentendimento não deveria ter acontecido. Muito menos no centro de gravidade da Economia e das Finanças mundiais, onde a Bolsa de Valores tem mais volume de negócios que qualquer outra. Aliás, mais do que todas as restantes juntas. Tamanha montra para uma zanga com nenhum sentido de Estado !


Bastava ter-se seguido o exemplo de Zapatero, fresco do dia anterior que negociou em Nova York (com sucesso) como se não tivesse imensa Oposição no seu país, pelo menos aparentando a Unidade Nacional q.b. que possa fazer as praças internacionais pensarem que a Espanha tem um plano de recuperação e de desenvolvimento a médio e a longo prazo. E, não é por acaso, até tem. Basta estarem a mostrar que existe (eles até o têm de facto), um pacto político e social para que determinadas áreas estratégicas do desenvolvimento espanhol não fiquem expostas às políticas diferentes em cada Legislatura, como nós aqui deste lado tão bem continuamos a insistir em fazer, para mal do nosso futuro. O mais incrível deste quadro improvável é que os nossos dois protagonistas, além de estarem irremediavelmente agarrados à parte mais simples da solução que é aprovar o próximo Orçamento de Estado, sabem que se o actual Primeiro-ministro sai, deixa ao próximo a obrigação de personificar as medidas ainda mais impopulares e necessárias do que todas até aqui tomadas e o que esse próximo quer é que este actual as tome e já. Ambos o sabem.


O que seria da Oposição se o Governo se demitisse agora e futuras eleições lhes desse a vitória sem que esta tivesse sequer que lutar muito por isso? Ambos sabem também que essa é a perspectiva de uma vitória angustiante. O PR que, a entrar na sua própria corrida, começa da posição mais atrás que jamais começou algum PR candidato a segundo mandato, para já alimentado mais pela tradição do que pela força do seu modelo ou histórico recente, não deverá conseguir fazer a diferença neste impasse, pelo menos em tempo útil. O que vem ai é, então, certamente mais peso fiscal, até porque o dinheiro vai voltar a estar mais caro mas, sobretudo, vem a necessidade absoluta de sentido de Estado na defesa frontal do que se tem que fazer, em ritmo próprio. Que não se distraia com eleições já à porta, exigindo a convergência política, enquanto ao mesmo tempo se tem que encaixar o embate das medidas estruturais que meio mundo internacional nos irá impor, quer por via dos mecanismos da UE, quer por via dos mecanismos da Economia e Finanças internacionais.


O nosso segundo governante mais atacado -só atrás do Primeiro Ministro mais atacado de sempre na nossa história contemporânea-, é bem capaz de ser quem pode dar cara a essa luta. Tem sido uma cara fechada por ser compenetrado e persistente. Mostra-a fechada porque, sobretudo, não tem a menor das paciências para a feira de indisciplina e desrespeito em que se deixa o nosso Parlamento exercer, o que lhe tem ficado muito bem no currículo. O nosso Primeiro que, extraordinariamente, demonstra manter a mesma vontade de luta e de projecto político desde que o conhecemos e como não voltaremos a ver nos próximos largos anos, já há uns tempos que não tem tido oportunidade para promover uma daquelas suas medidas, ainda de boa memória, de profunda e ampla intervenção estrutural no País. Ele pode agora ter a oportunidade de promover a medida estrutural que fará toda a diferença nos tempos que correm com uma Oposição ainda em formação, medida essa no sentido do diálogo político e no da criação de condições efectivas para a adopção das medidas que se devem impor internamente antes que sejam impostas em dobro externamente, fazendo diferença no seu próprio futuro político a dez anos: lançar o seu de tantas lutas, Teixeira dos Santos.




Deixe as suas esperanças, e não os seus ferimentos, moldarem o seu futuro
(Robert H. Schuller)

sábado, 25 de setembro de 2010

ESCUTA A VOZ DO TEU CORAÇÃO


Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores; lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a seiva custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera a volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar. (S.T)


http://www.youtube.com/watch?v=rJT98ZGsW9Q





O coração é o centro do espírito
(Susanna Tamaro)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

THE ONE JÁ ULTRAPASSOU A DIMENSÃO DE SPECIAL.


Bem, vou dar por encerrado o caso Mourinho-Selecção. Já ouvi barbaridades que bastem. A última foi ontem dizerem com a douta sabedoria dos convencidos que Mourinho só queria aceitar os dois jogos para ter protagonismo, está megalómano e só quer evidência (atirem-me água fria)! Ele precisa de protagonismo? Aqui não há mesmo sentido de País e não o sabem reconhecer em quem o tem. Lástima. Nem sabemos merecer os que nos dignificam além-fronteiras. O Mourinho até é capaz de estar mesmo megalómano. Ele já se tinha em bicos de pés quando não era ninguém por isso, agora que merece ser considerado o melhor do mundo na sua arte, imagine-se o que não vai quase de incontido naquela mente !!! Mas, então, mais valor tem a proposta porque fê-la sem precisar de a fazer, sabendo já que até estaria a ser usado pela Federação, suspeitando também que o seu patrão não o deixaria (ele disse-o dois dias antes) mas, ainda assim, fê-la porque ele é mesmo por esse Portugal que, um dia, há-de aparecer e que ele sabe que existe em potencial.


Mas ninguém fala do que é que ele ia provavelmente fazer à Selecção nos dois jogos! Provavelmente ia, mais do que os colocar instantaneamente a jogar bem e em equipa (que ainda não são), dar-lhes a noção e o ultimato de que jogar pela Selecção tem que começar por ser uma força incondicional que vem de dentro e que transforma as pessoas para grandes feitos. Mas mais do que apaixonado, o Mourinho é mesmo um estratega pleno e, com esta acção, sabia que ia ter o mundo a seguir esses dois jogos do pequeno Portugal, confiando (aposto eu) que ia conseguir aquele passe e aquele golo que, por efeito de borboleta haveria, daqui a uns anos, por trazer o Campeonato do Mundo à Ibéria, coisa que os Espanhóis querem conseguir sozinhos e, talvez por isso, o não Espanhol ao pedido ousado, de mente e coração. Para sabermos se foram ou não estas as razões para a recusa basta respondermos à questão: quem não gostaria de poder agora dizer que fez um favor a Mourinho e cobrar-lhe, no mínimo, a Taça do Campeonato Espanhol à primeira? E o Mourinho? Não sabe isto melhor do que eu ? Concluímos, então, que é mesmo megalómano? Talvez seja também o Campeão Mundial deste desporto radical. Talvez seja esta a energia indomável que o transforma em único e que ele até extravasa não em incómodos para nós mortais, mas em realizações excepcionais a que todos gostamos de assistir... até os Espanhóis que o contrataram com banhos de ouro (e haja quem me possa provar o contrário: também secretamente com incenso e mirra).




O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer
(Albert Einstein)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

NAQUELE DIA, DECIDI TRIUNFAR


Walter Elias Disney foi produtor cinematográfico, cineasta, director, guionista, filantropo e co-fundador da The Walt Disney Company. Tornou-se conhecido, nas décadas de 1920/30, pelos seus filmes e personagens de desenho animado como Mickey, Pato Donald. Foi o criador do parque temático sediado nos Estados Unidos (Orlando-Califórnia) a Disneylândia.Walt Disney foi um nome maior da industria cinematográfica, sem dúvida. Os seus filmes continuam tão fascinantes como quando foram apresentados pela primeira vez e as personagens mantêm-se actuais. Todavia, estes tempos de bonança não existiram sempre. Ele passou por momentos difíceis, desencorajadores e, por diversas vezes, pensou em desistir. Dessa época resultou o texto que o ajudou a superar o desânimo, as dificuldades. O desencanto. Decidiu, naquele dia, que queria concretizar os sonhos.


Depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar. Decidi não esperar pelas oportunidades e sim, eu mesmo ir procurá-las. Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis. Decidi ver cada noite como um mistério a resolver. Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz. Naquele dia descobri que meu único rival não era mais do que as minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar. Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido. Deixei de me importar com quem ganha ou perde. Agora importa-me simplesmente saber melhor o que fazer. Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir. Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de amigo. Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, o amor é uma filosofia de vida. Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma ténue luz no presente. Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais. Naquele dia, decidi trocar tantas coisas. Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para se tornarem realidade. E, desde aquele dia, já não durmo para descansar. Durmo para sonhar.




Se podemos sonhar, também podemos tornar os nossos sonhos realidade
(Walt Disney)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A CANDIDATURA IBÉRICA NÃO PRESSUPÕE DOIS CANDIDATOS COOPERANTES?


A coesão Ibérica para o futebol será oportuna, os estádios já os temos e se a Candidatura Ibérica para o Mundial vencer, aí, sim: recuperamos (definitivamente) o investimento e damos um passo nessa (inevitável) evolução para a Frente Ibérica em que nos tornaremos, sem prejuízo para as identidades nacionais (a não ser que nós continuemos a dormir à beira-mar e os espanhóis a recuperar). No filme sobre a presença de Mourinho na nossa Selecção -nos dois jogos, a 8 e 12 de Outubro, que nos podem deixar em coma irreversível- concordo com a lógica fluída com que Mourinho explicou a sua forma de adoptar a ideia da Federação ao convidá-lo, não sem um sentido de oportunismo mediático (por parte da Federação, claro) para fazer diluir no brilho desta excelente iniciativa- contrariando radicalmente o que pensa o sabedor que é Marcelo Rebelo de Sousa que achou péssima a ideia de se ir a Espanha pedir ajuda (a Candidatura Ibérica não pressupõe dois candidatos cooperantes? E cooperar não suporta a ideia de ajuda em momentos extremos? O Real Madrid não soube mesmo ler o futuro) - na má conduta contra o treinador cessante que, merecendo ou não o despedimento, não o merecia ele, nem o País que fosse feito no decurso de uma má novela, em directo. Só nos apequenou. Só nos tirou coluna.




Problemas fazem parte do fato de estarmos vivos. Superá-los é o melhor caminho para conhecer sua força. Avance e dê uma oportunidade ao mundo de conhecer a sua energia
(Roberto Shinyashiki)

sábado, 18 de setembro de 2010

QUE GOLO LINDO, MOURINHO


Era necessário que o Real Madrid tivesse tido uma forte sensibilidade perante o pedido humilde (sê-lo não é vergonha, a humildade é sempre grandiosa. Estes pedidos não se fazem, por isso, fazê-los, é necessário engolir muito) da Federação Portuguesa que, tentando ultrapassar uma fase dificílima (8 e 12 de Outubro, frente à Dinamarca e Islândia), pediu emprestado para dois jogos, o treinador capaz de dar a volta à situação: Mourinho. José Mourinho. Mas o Real Madrid não soube ser sensível e deixou escapar pelos dedos uma forte possibilidade de vitória, na concretização da ambição (Candidatura Ibérica, partilhada com Portugal) para a efectivação do Mundial 2018/2022, dentro das suas fronteiras. Mostrando ao mundo uma forte coesão entre os dois países dava, simultaneamente, a garantia de um estrutura sólida para a excelente realização de tal evento fragilizando, assim, as aspirações (fortes) da Inglaterra. Mas o Real Madrid não soube ler as linhas do futuro e não resistiu e seguiu o caminho que todos anteviam: nunca emprestaria o seu treinador, o nosso Mourinho que, agora, é deles.


Bom, se tivesse dito sim haveria admiração espalhada pelos quatro cantos do mundo. O não nem chegou a ser surpresa mas não quero deixar passar a oportunidade de demonstrar orgulho pelo comportamento de Madaíl que, numa altura de sufoco, tentando livrar a sua dama (Portugal) de apuros, procurou a solução. Com simplicidade foi e disse. Voltou sem a solução mas nunca terá uma hora sem sono por pensar que não tentou tudo. Quanto a Mourinho, vê-lo na conferência de imprensa, escutar as suas palavras, seguir-lhe o raciocínio, foi uma lição de mestre, foi uma manifestação tocante, inspirada, de um Patriota (não confundir com Patrioteiro). Em poucos minutos mostrou por A + B como se deve agir em situações de emergência: com a cabeça, o coração, o saber e a grandeza da generosidade e da humildade. Não conseguirá concretizar nada pois, na verdade, ele é o treinador do Real Madrid mas o que nos ensinou foi muito. Foi um jogo magnífico onde meteu um golo lindo quando mostrou total abertura em ajudar o seu Portugal a quem nunca diria não. Só que não podia dizer sim!





A intuição sussurra a verdade! Não somos poeira, somos magia! Feche os olhos e siga sua intuição.
(Richard Bach)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O IMPOSSÍVEL E DESEJADO S-I-M DE MOU



Estar lá, em Espanha-Madrid, já lá estão os portugueses quais comerciantes do século XVI, na rota do diálogo e das conquistas. Estão estes altos dignitários numa missão que tanto tem de impossível como de inteligente sem deixar, claro, de estar imbuída numa tal capacidade de encanto que recordamos mais do que nunca a ansiedade do saudoso Torres quando suspirou: deixem-me sonhar. Assim somos nós, portugueses, ao lembramos que em Outubro (até é um mês simpático, cordial, bem falante) temos (a órfã Selecção Nacional) de enfrentar no dia 8 a equipa da Dinamarca e a 12 a da Islândia, selecções vindas do frio com uma imensa vontade de incendiar as nossas balizas e o Eduardo também.


Este 2o10 tem sido um ano e tanto; não nos tem faltado nada para nos preocupar, e no que toca à Selecção oh! oh! nem digo nada que nunca toquei com um dedo em quem (mesmo que fique depois milionário) está na mó de baixo. Assim, como hoje não me apetece escrever estou aqui para dizer que: sim senhor, a ideia do Tony (o primeiro futebolista que entrevistei, estava com um casaco de peles até aos pés e achei aquilo, invulgar e giro. Outros tempos. Pensando melhor, seria o Humberto Coelho? Não me lembro agora, confesso) de pedir auxílio como Missão de Salvamento Nacional a Mourinho é de génio. E de génio será se ele ( o Mou) se disser sim. Se o fizer, ficam todos a ganhar! Vejamos: nós, enfim, mesmo que se perca ter o Mourinho a orientar por dois jogos, a prazo, é melhor do que papos de Anjo (doce conventual). Espanha, ficaria perante o mundo com uma aureola mais luminosa do que aqueles astros que o Máximo Ferreira nos revela na Antena Um e, importantérrimo, que bom aspecto daria para a nossa coabitação desportiva a propósito da parceria para 2018/22. Já viram bem? Os espanhóis ficavam reis do desportivismo e savoir-faire ao ceder por dois joguinhos o Special One, nós papávamos os friorentos jogadores e, Mourinho, tinha direito a passadeira vermelha e a ser condecorado. E os ingleses, ficavam a roer as unhas.



http://www.youtube.com/watch?v=TeOhPR_0x8E


Nunca se dá tanto do que quando se dá esperança
(A. France)


A RIMA MAIS BONITA



A música gera um tipo de prazer que a natureza humana não pode prescindir
(Confúcio)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

OBAMA MAIS SÓ DO QUE NUNCA


Acontece a todos, toca aos que governam: o estado de graça geralmente dura pouco. Governar desgasta. É impopular. Cobra friamente dividendos. A América galvanizada que endeusou Obama está distante e os barómetros de opiniões dão índices de popularidade impensáveis há meses atrás. Fracos. O povo que elegeu o actual inquilino da Casa Branca parece distanciar-se. Está confuso ou está descrente. A crise têm mão pesada e faz do seu dia-a-dia uma luta a que não estava habituado. Este é o quadro real sobre Barack Obama; todavia, penso que é justo pensar que esta impopularidade tem a ver com a sua estratégia de continuar a fazer tudo o que é impopular. Obama conseguiu fazer passar medidas que estavam há décadas para ser implementadas e que no processo feriu muitos lobbies (eles não perdoam). Está a desmarcar-se da guerra e da estrutura militar num país que está baseado na indústria de exportação militar e, consequentemente, da exportação da guerra e só esse lobbie que está a atacar já seria o suficiente para o deitar abaixo. Mas ainda continua na Casa Branca. E os EUA estão a demonstrar que já começam a consolidar condições para fazer aquilo que (inevitavelmente) vão conseguir fazer: recuperar antes dos outros. Com menos gastos na guerra vai poder diminuir a dívida americana e investir no desenvolvimento social e tecnológico. A América deixando de ser uma potência militar, têm que ser imediatamente a potência tecnológica e de inovação que a poderá manter mais 20 anos na liderança do mundo.


Também é justo reconhecer que Obama tem demonstrado potencial para ser menos imperfeito que a esmagadora maioria dos outros Presidentes, mas pode não ser o mais perfeito! Tem alguns erros pelo caminho (há quem pense que ele cedeu a Israel pensando na ajuda à reeleição) e é verdade que se ele ganhar as eleições para um segundo mandato é porque a partir de agora (já este trimestre) vai conseguir recuperar. Vamos seguir atentamente estes três meses e confirmar se o Presidente dos EUA tem, como prenda de Natal, umas sondagens bem mais favoráveis. Também se murmura pelos corredores do Poder que Hillary Clinton já anda a preparar a sua candidatura presidencial. Pode não passar de manipulação ou boato, ela é, sem dúvida, a candidata da alternativa. Quanto à grande estrela dos Republicanos que (parece) a estão a preparar (!) para fazer abalar Obama, só resta dizer que Sarah Palin será a candidata do vazio de poder, caso o modelo Obama falhe o segundo mandato. Apesar dos actuais indicadores de desencanto americano, nada ainda faz prever que o modelo falhe o segundo mandato e, se assim fosse, muito menos que Palin ganhe a Hillary.



A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.
(Aristóteles)

domingo, 12 de setembro de 2010

DIFÍCIL É MENTIR AO NOSSO CORAÇÃO


Falar é fácil quando tem as palavras em mente que expressem a sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer. Fácil é julgar pessoas que estão a ser expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e reflectir sobre os seus próprios erros. Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir. Difícil é ser amiga para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso. Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo a deixa irritada. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente a conhece. Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã. Difícil é questionar e tentar melhorar as suas atitudes impulsivas e por vezes impetuosas, a cada dia que passa. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir ao nosso coração. Fácil é ver o que queremos ver. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Fácil é ditar regras e, difícil é segui-las. (C.D.A.)
*



A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 11 de setembro de 2010

QUE SAUDADES VASCO DE LIMA COUTO

Conheço muito bem a biografia de Vasco de Lima Couto, poeta, actor, encenador, declamador, radialista (nascido no Porto) mas não é bem isso que me apetece lembrar deste notável poeta que vá lá saber-se porquê, entender o motivo, é tão esquecido. A todos os níveis. Imperdoável. Envergonho-me quando verifico como realmente sabemos amar tão mal os nossos notáveis que (como herança) nos deixaram magia de emoções que pelo valor ganharam asas e tiveram a capacidade de voar pelos espaços das estrelas. Não, verdadeiramente o que me apetece recordar (sem memórias esbatidas) é o Vasco, o meu amigo Vasco, visita assídua de minha casa (em Luanda), amigo da minha família, onde ele era ele: um senhor, um poeta, um artista livre, um sonhador, um conversador fascinante, um apreciador exigente, diga-se, de refeições caprichadas. Gostava dos petiscos da cozinha angolana. Gostava da imensidão de Angola e admirava-lhe a beleza com a tranquilidade dos seus olhos cor de mar em silêncios que antecediam inspiração. O Vasco era um poeta enorme. Era um homem de uma bondade tocante. Era um homem lindo. Era inquieto, por vezes, e, rabiscava, desenhava em todos os pedaços de papel que apanhava e escrevia, escrevia com a grandeza inspiradora que acorda com o Sol. Como sinto saudades do seu humor, da sua comunicabilidade, da sua capacidade de rir, da sua tocante simplicidade. Que saudades sinto dos serões de música, poesia e diálogo frente à baía de Luanda. Na memória do tempo, senti saudades do Vasco.



Ver contigo um jardim é plantar mil flores dentro de mim
(Vasco de Lima Couto)


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

RECORDANDO MICHAEL JACKSON



http://sorisomail. com/email/ 12091/clip- censurado- nos-eua-- mickael-jackson- .html





Trata bem a terra. Ela não te foi doada pelos teus pais. Foi-te emprestada pelos teus filhos
(Provérbio do Quénia)

SEM CRISE NÃO HÁ MÉRITO!


Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e as soluções fáceis. Sem crise não há desafios. Sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la (A.E.)





Existem apenas duas maneiras de ver a vida; Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre
(Albert Einstein)

domingo, 5 de setembro de 2010

JÁ SENTI A DESUMANIDADE DA VIDA


Não há fúrias que me amedrontem. Já senti o lado furioso da vida e renasci renovada.Passei por furacões, tempestades de neve, de areia, sobrevivi à dureza de monções, de ventos invertidos, de chuvas calamitosas. Sei o que é o cheiro da guerra, do perigo à espreita, escondido, traiçoeiro, inabordável. Sei o que é olhar para o nada e não sentir a respiração que nos alimenta a vida. Sei o que é estar numa fila imensa com um copo e um prato na mão à espera que chegue a ração que nos cabe num dia de sorte. Sei o que é tomar banho no esguicho de um cano de rua que alguém furou para que os retornados se refrescassem. Sei o que é dormir em tábuas apenas com um cobertor dado por umas religiosas apiedadas com a situação. Já contei tostões e já deixei de comer o que me apetecia por o dinheiro não chegar. Já tratei por tu a desumanidade da vida, mas nunca deixei de me deslumbrar com o Universo.


Nunca virei as costas a uma luta. Nunca deixei de acreditar mesmo nos instantes de iminente desfalecimento. Nunca traí, nem mesmo aqueles que me traíram. Levantei-me sempre que caí e lambi as minhas próprias feridas. Aprendi a fazer das estrelas minhas cúmplices. Memorizei o encantamento do Sol quando nasce e como capta a beleza dos oceanos. Das árvores fiz os meus templos e dos sonhos tracei metas, muitos esfumaram-se e voaram, mas nunca deixei de sonhar. Aprendi a entender os alertas dos dias, ganhei a confiança do tempo, aprendi a descodificar as vozes dos ventos que trazem mensagens de tempos sem tempo, certificados com a chancela genética da vida: memórias ancestrais. Venci solidões e saudades lembrando carinhosamente os ausentes, mesmo que eles não o saibam. Perdi familiares e amigos. Não os trago nos braços mas moram eternamente no meu coração. Bebi lágrimas, sofri, mas renasci nos luares de confissões. Nunca permiti que a angústia, o desânimo, a desilusão me agarrassem, manietassem, numa asfixia sem retorno. Já não há fúrias que me amedrontem. Não quero! Continuo atenta à esperança. Sou a heroína da minha própria história!



http://www.youtube.com/watch?v=dpthnM6S9Nw




Sorria! Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, contamina. Mas sorria com a Alma, não apenas com os lábios
(Léa Waider)