Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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Localização: Portugal

O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ESTAMOS EM CONSTANTE INTERCÂMBIO COM O UNIVERSO


Vivemos tempos de alertas, sobressaltos. Ventos cruzados, em fúria, fustigam, amedrontam, desgastam e mesmo que tentássemos distanciar-nos da agitação não conseguiríamos. O que toca aos outros, toca-nos a nós porque cada um tem em si a dimensão da condição humana. Não se consegue serenar, os pensamentos dissipam-se, não agarramos o fio condutor das ideias. Pairamos ao sabor da angústia e da esperança. Sabe bem ler Chopra nestes dias turbulentos, junto a ele viajamos em descobertas, explorando regras da existência que nos acalmam e orientam. Aclaram e encantam.


Lei da Potencialidade: Somos um campo de infinitas possibilidades, que é a essência do nosso verdadeiro ser. Ao entrarmos em contacto com esse manancial ilimitado, podemos criar e realizar tudo que precisamos para a nossa felicidade. Para aceder à sua verdadeira natureza, cultive momentos de silêncio e quietude. Faça meditação, comungue com a Natureza e pratique o não-julgamento: aceite-se a si mesmo e os outros como são. Lei do Dar e Receber: Estabelece que estamos em constante intercâmbio com o Universo. Dar e receber são aspectos diferentes do fluxo de energia que trocamos com o mundo. O dinheiro que ganhamos, os nossos relacionamentos, o que damos e recebemos das pessoas são exemplos práticos dessa lei. Desenvolva um sentimento de gratidão pelos presentes que a vida lhe dá, pelo pôr-do-sol, pelos amigos, pelo que existe a sua volta. Proponha-se também a dar algo para as pessoas que encontrar: amor, um sorriso, uma palavra amável, um presente. Respire conscientemente. A inspiração e a expiração são exemplos concretos de que doamos e recebemos ininterruptamente.


Lei do Carma ou da Causa e Efeito: Ensina que devemos estar atentos às nossas escolhas porque as nossas acções geram reacções equivalentes. É a versão hindu do ditado popular: cada um colhe o que planta. Preste atenção às suas escolhas. Ouça o seu coração e verifique se elas causam conforto ou desconforto. Ao tomar decisões, pergunte: Quais serão as consequências dessa escolha para mim? Como afectará os outros?. Lei do Menor Esforço: Baseia-se no princípio da não-resistência. Revela que tudo na Natureza flui naturalmente e sem esforço. É assim com o nascer do Sol e o desabrochar de uma flor. Faça as suas acções alcançarem o máximo benefício com o menor esforço. Aceite as coisas como são, em vez de impor a sua maneira de resolvê-las. Não queira controlar as pessoas e os acontecimentos, não se culpe a si mesmo ou os outros pelo que acontece. Todo o problema é uma oportunidade única para transformar sua vida. Lei da Intenção e do Desejo: Parte do pressuposto de que os nossos desejos e intenções têm o poder de manifestar o que desejamos. Se quisermos que algo cresça e floresça, devemos colocar nele a nossa atenção. Se não queremos que aconteça, devemos retirar a nossa atenção. Faça uma lista de seus principais desejos e reveja-a diariamente antes de dormir. Entregue-os depois ao Universo – ele se encarregará de manifestá-los. Não deixe que dificuldades e obstáculos dissipem os seus desejos. Assim, as suas acções e desejos serão apoiados pela Inteligência Cósmica.


Lei do Desapego: Para obter algo na vida, é preciso desapegar-se do resultado. Mantenha firmes a intenção e o desejo, mas deixe o resultado nas mãos do Universo. O apego gera ansiedade e é baseado no medo e na insegurança. As suas acções tem que ser completamente livres e desapegadas dos resultados. Não seja rígida. Acolha as incertezas. Lide com seus medos e inseguranças e cultive a confiança na vida. Inicie cada dia com o sentimento de que ele é um campo fértil para todas as possibilidades. Abra-se a elas. Lei do Dharma ou do Propósito na Vida: Todas as pessoas têm um propósito na vida, talentos únicos e uma maneira própria de expressá-los. Faça uma lista de suas habilidades e dos seus talentos. Isso a ajudará a ver melhor o seu verdadeiro potencial. Observe as coisas que a deixam feliz e criam harmonia à sua volta. Elas são a expressão de seu dharma e dos seus talentos e isso respeita a Lei Cósmica do Universo. Use-os para servir aos outros. Pergunte-se: Como posso ajudar as pessoas com quem entro em contacto?


Como sabe Depaak Chopra é autor de inúmeros outros (Saúde Perfeita, A Cura Quântica, Vida Incondicional, Conexão Saúde, O Retorno de Rishi, Mente sem Barreiras, Corpo sem Idade..). As suas palestras e os seus livros misturam a física e a filosofia, o lado material e o espiritual da vida, a milenar sabedoria oriental e a visão científica ocidental. É dele esta definição: O Universo físico nada mais é que o Eu desdobrando-se para experimentar-se como espírito, mente, matéria. As leis físicas do Universo representam esse processo, essa consciência em movimento. Quando compreendemos essas Leis e as aplicamos na nossa vida, qualquer coisa que desejamos pode ser criada, porque essas mesmas Leis que a Natureza utiliza para criar uma floresta, uma galáxia, uma estrela, um corpo humano, podem realizar os nossos desejos mais profundos.






http://www.youtube.com/watch?v=iYfmLpUG_XU



Olha para este mundo a girar no nada. Isso está dentro do seu poder
(Rumi)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O FUTURO A RENASCER NA PÉROLA DO ATLÂNTICO


A Pérola do Atlântico foi ferida (duramente) pela asa da Natureza. O que era, deixou de ser. O que estava, deixou de estar. Onde havia cor ficou castanho. Onde corria água quedaram-se pedras amontoadas ocultando vidas, casas, carros. O esplendor da ilha foi ofuscado mas a grande onda de solidariedade agigantou-se e mais de duas mil pessoas, diariamente, só no Funchal, estão a reerguer dos escombros -num ritmo impressionante- a vontade indómita de voltar a olhar a sua Princesa do Atlântico. Quem partiu passa agora a viver nos corações, nas lembranças, nas lágrimas vertidas. Na dor muito sofrida. O que foi, passou. Marcou uma fronteira entre o hoje e o futuro. O passado está lá espalhado pelo Atlântico, não adianta olhar para trás. O futuro está ali expresso na foto, na força das mãos que se uniram para vencer obstáculos tremendos que só a força arrancada à Alma conseguiu vencer. Está nas palavras de Alberto João Jardim: ...esta tragédia levou o passado, a partir de hoje é um recomeço, um renascer. É um tempo novo...


A Madeira voltará, em breve, a ter o ar saudável que revigorava, a beleza tocante das suas paisagens, o exótico da flores e a grandeza das suas árvores, que desde sempre encantaram personalidades: imperatrizes Leopoldina e Isabel (Sissi), a Rainha Adelaide de Inglaterra, os Habsburgos, D. Carlos e Rainha Dona Maria Amélia, Sacadura Cabral, Gago Coutinho e Ortins Bettencourt, Winston Churchill, Rei Carlos Gustavo e a Rainha Sílvia da Suécia. O príncipe Alberto do Mónaco, e a irmã Stéphanie, Papa João Paulo II, Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva. Os Reis de Espanha, Juan Carlos e D. Sofia, Margaret Thacher, Duques de Bragança, D. Duarte e D. Isabel, apenas alguns nomes ao acaso para recordarmos o prestígio desta ilha que em breve voltará a resplandecer. A primeira prova de fogo (pensando nos efeitos da tragédia no turismo internacional) será na Festa da Flor (17 e 18 de Abril). Seria bom, se aqui do Continente uma presença em força fosse in loco dizer: irmãos, estamos aqui!




Os grandes navegadores devem sua óptima reputação às grandes tempestades
(Epicuro)

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

HÁ MUITAS FORMAS DE SUPORTAR A DOR



Os tempos actuais não primam pela maciez dos acontecimentos nas suas mais diferentes vertentes. Vivemos horas amargas que nos escorregam dos dedos, tal é a impotência humana para os entender e agarrar. Andamos de corações cansados pelas armadilhas da vida. Há sombras que nos toldam a luz e nos deixam melancólicos quando enfrentamos os novos casos de cada dia que surgem aqui, acolá, além e apetece sucumbir sem reagir. Desolados, revoltados, vencidos, é tempo de acordar a vida, suportar e vencer. Cada um, à sua maneira. Porém, nunca é tempo de abandonar a luta que dilacera a carne e dói na Alma.




http://www.youtube.com/watch?v=GnmBbPEN45g







A vida expande-se ou encolhe de acordo com a nossa coragem
(Anais Nin)

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

AS DIFICULDADES EXIGEM CORAGEM E AMOR

Ter sucesso exige uma grande confiança nos outros. Ninguém pode ter sucesso sozinho. Os outros são os mil braços que ajudam a construir a vida de cada um. É assim que o Universo funciona, desde a mais pequena célula de vida até às galáxias mais longínquas. Aprende a considerar o Universo como uma rede de boas vontades. As provações devem ser aceites com coragem e doçura. Cada uma delas te propõe a riqueza do coração e a alegria do espírito. Precisas de coragem para as vencer, e da doçura para as amar. Nós receamos a confrontação, o encontro com o outro, porque temos medo de ser destruídos ou diminuídos. Habituámo-nos a olhar para o mundo como uma sucessão de fracassos, de desastres. Inverte essa errónea maneira de ver. De todas as vezes, o obstáculo indica os degraus da tua progressão. Ele é o momento requerido para a tua transformação. Não o encares como um adversário aterrador. Não passa de um espelho, no qual tu te reflectes a ti próprio, com os teus medos, as tuas hesitações.


Não conserves em ti nenhuma animosidade, nenhum rancor ou desejo de vingança. Desenraíza os maus pensamentos, os fantasmas, as obsessões que paralisam a vontade. Não dissimules nada. Para vencer os teus desejos, cultiva em ti o desejo de te venceres a ti próprio. Elimina a pouco e pouco os hábitos, os automatismos, as más disposições que dividem e atravancam o espírito. O sucesso não é outra coisa senão a imagem mais bela de ti, de repente construída, realizada diante de ti. O sucesso é uma mulher envolta em sedas e jóias resplandecentes. Aprende a seduzi-la. Para evitar o fracasso, as decisões devem antes de mais nada ser meditadas, com as suas consequências. Imagina-as como uma rede de energias, com forças que se cruzam, se amplificam ou se combatem. Tu és o centro delas. A única nascente. É preciso iluminar o obstáculo muito longe, antes de o enfrentar, compreender o seu mecanismo de funcionamento, para não ser surpreendido e vencer as suas armadilhas.


Utiliza as tuas sensações de embriaguês, de prazer, com uma clara consciência de ti próprio. Dá um novo significado a toda a acção, a toda a experiência, a todo o combate da vida quotidiana. Então, conhecerás a alegria dos vencedores, daqueles cuja força interior está polarizada sobre a meta a atingir, como a agulha de uma bússola.
Não te desvies da acção quotidiana, se queres conquistar a mais nobre das vitórias: a vitória sobre ti próprio. O desabrochar do ser é o maior dos sucessos. Dá a paz do coração, a alegria de viver e a lucidez do espírito. Então, os obstáculos caem por si, e as dificuldades tornam-se simples escalões necessários à tua progressão.
Encontra o teu centro, a partir do qual poderás construir a tua vida, empreender, realizar um projecto. Esse centro, que é a tua nascente de vida pessoal, é como um lago calmo, que nenhuma paixão agita. É um silêncio profundo, espiritual, que se produz quando o pensamento pára, com as suas palavras e as suas imagens. Faz brotar a tua acção desse silêncio. O sucesso pede uma disposição feliz do espírito. Nenhum pensamento negativo deve contrariar o teu desejo de realização (D.R.)

*


Quem deseja a sorte alcança-a sempre. Não deprecies nunca os teus sonhos. Deves fazer um pacto com eles
(Dugpa Rinpoché)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

AMO-TE ASSIM, NÃO SEI AMAR DE OUTRA MANEIRA



Amo-te como a planta que não floriu e tem

dentro de si, escondida, a luz das flores,

e graças ao teu amor,

vive obscuro no meu corpo

o denso aroma que subiu da terra.



Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,

amo-te directamente sem problemas nem orgulho:

amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,



a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,

tão perto que a tua mão no meu peito é minha,

tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono(P.N)





...Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento...
(Pablo Neruda)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

UM DIA DE CARNAVAL QUE SE MASCAROU DE BRANCO


O dia vestiu o seu manto de arminho e desfilou ondulante, poderoso, pelos recantos do seu encantamento. Luminoso, subtil, abriu (sedutoramente) os braços ao mundo e saboreou (com prazer) o impacto provocado sempre que oscilava o seu imenso manto de arminho, alvo da neve que espalhava, pintando cenários de diamante: transparentes, rijos, brilhantes, preciosos, agarrando tudo o que encontrava no espaço do seu desfilar desafiador. Endureceu rios, polvilhou ruas, pessoas, edifícios. Criou magias, enfureceu mares, fez brilhar risos de crianças de faces rubras pelo sopro gélido que as agitava. Venceu os desprotegidos da sorte, sem saúde, sem calor, sem defesas. Magoou e deleitou por entre brilhos e sombras num dia de
estremecimentos, de paisagens esplendorosas onde o sol saltitou sem calor e sem chama. O frio e a neve chegaram num dia de Carnaval que se mascarou de branco.





Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos
(Antoine de Saint-Exupéry)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

...O AMOR DÁ-NOS ASAS...


Perguntei a um sábio a diferença que havia entre Amor e Amizade, e ele disse-me esta grande verdade... O Amor é mais sensível, a Amizade é mais segura. O Amor dá-nos asas, a Amizade o chão. No Amor há mais carinho, na Amizade há mais compreensão. O Amor é semeado e cultivado com ternura, a Amizade vem faceira, e troca a tristeza pela alegria e torna-se numa grande e querida companheira. Mas, quando o Amor é sincero ele vem como um grande amigo, e quando a Amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos os sentimentos coexistem dentro do seu coração. (William J. Bennett)



http://www.youtube.com/watch?v=AD5pbc7PfyQ




O amor é uma luz que não deixa escurecer a vida
(Camilo Castelo Branco)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SORRIA, VOCÊ ESTÁ A SER (SEMPRE) OBSERVADO


O padre de uma igreja, um dia, decidiu observar as pessoas que entravam para orar. A determinada altura a porta abriu-se e um homem de vestes muito velhas entrou pelo corredor central e ajoelhou-se. Inclinou a cabeça, levantou-se e foi-se embora. Nos dias seguintes, sempre ao meio-dia, a cena repetia-se e cada vez que o homem se ajoelhava por alguns instantes, deixava ao lado uma marmita. A curiosidade do padre já era muita e ao mesmo tempo receava que o pobre fosse um assaltante. Decidiu aproximar-se e perguntar-lhe o que fazia ali. O velho homem disse que trabalhava numa fábrica, num outro bairro da cidade e que se chamava Jim. Contou que o almoço havia sido há meia hora atrás e que reservava o tempo restante para orar, já que a igreja ficava perto da fábrica. A oração que o padre escutou foi esta:


-Vim aqui novamente, Senhor, só para lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tornamos amigos e que o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar, mas eu penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, só a observar.


O padre não conseguiu disfarçar a admiração e emoção pelas palavras e pelo sentimento do homem e disse-lhe que ele seria sempre bem-vindo, que viesse à igreja sempre que o desejasse. Obrigada. Está na hora de me ir embora, disse Jim sorrindo. Depois de agradecer dirigiu-se apressadamente para a porta. Em seguida o padre ajoelhou-se diante do altar, de um modo como nunca havia feito antes e teve então, um lindo encontro com Jesus. Enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto, repetiu a oração que acabara de escutar: vim aqui novamente, Senhor, só para lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tornamos amigos e que o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar mas penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, só a observar.


Certo dia, o padre notou que Jim não aparecia na igreja para orar, e a ausência prolongou-se por vários dias. Intrigado e preocupado decidiu ir à fábrica perguntar por ele e foi assim que descobriu que Jim estava doente. Durante a semana em que Jim esteve no hospital, a rotina da enfermaria mudou. A sua alegria era contagiante. A chefe das enfermeiras, contudo, não entendia como é que um homem tão simpático não recebia flores, telefonemas, cartões de amigos, parentes. Nada! Ninguém se deve importar com ele, não deve ter amigos, que triste. Jim ouviu o comentário da enfermeira e virando-se, sorridente, para o padre encolheu os ombros e disse:


-A enfermeira está enganada, ela não sabe, mas desde que estou aqui, sempre ao meio-dia Ele vem! Um querido amigo meu, que se senta bem junto a mim, e segura na minha mão, inclina-se na minha direcção e diz: vim só para lhe dizer quão feliz eu sou desde que nos tornamos amigos. Gosto de ouvir a sua oração e penso em você todos os dias. Agora, sou eu quem o está a observar e a cuidar... (autor desconhecido).



A Bíblia ensina-nos a orar. É pela oração que o homem vai a Deus e que Deus entra nele
(Eça de Queirós)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

NÃO QUERO SILÊNCIO NOS MEUS SONOS



Quero cavalgar pela noite adentro abraçando os meus sonhos com a ternura de quem ama esse mundo nocturno vindo não se sabe donde, por onde percorro corredores imensos, cintilantes, coloridos ou não; por onde desço escadarias, canto, danço, nos mais empolgantes espectáculos onde, sabe-se lá porquê e como, sou a vedeta principal; luto, morro e renasço nas guerras mais mortíferas, vou a locais que a memória abraçou ou olho paisagens desconhecidas; encontro pessoas com as quais mantenho diálogos com o mesmo raciocínio se estivesse acordada. Já subi ao céu por uma escada de flores e vi o meu nome escrito por estrelas no horizonte. A preto e branco, a cores, em vários idiomas, mesmo os que não domino, o jogo, a provocação, o mistério da noite renova-se sempre que o sublimar acender do céu ilumina a Terra dos mortais e eu, suspensa, deslizo solta num Universo que me prende, fala, indica, provoca, quando me presenteia com encontros impensáveis onde protagonizo um filme que desconheço que dura o tempo da noite e se dissipa no amanhecer. A noite que não domino prende-me, pouso nela como se fosse um campo de algodão, um campo de sonhos, e sem temer as emboscadas das surpresas espero que a extenuação chegue enquanto esvoaço pelos espaços abertos que percorro num bater de asas desafiantes e desafiadoras. Não quero silêncio nem quietudes nos meus sonos, quero apreciar as vertigens de mundos desconhecidos.





A realidade de hoje foi o sonho de ontem. O sonho de hoje será a realidade de amanhã. E em todas as épocas se gracejou dos sonhadores (Zalkind Piatigirki)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A MELODIA QUE ENCHEU O MEU CORAÇÃO E A MINHA VIDA


Foram anos e anos de fascinação, de memórias, de dores terríveis, de alegrias imensas. Foram transformações, lutas, mudanças constantes num transbordar de vitalidade ou numa serenidade inspiradora capaz de iluminar pensamentos e ambições. Foram medos negativos que tolheram gestos e palavras treinadas que nunca foram ditas. Foram confissões em surdina que perderam o vigor. Quebrei grilhetas, despertei emoções adormecidas em silêncios vigorosos, doloridos, que me agitaram, engrandeceram e deixaram transbordante de vitalidade. Vivi em permanente estado de desassossego. Dediquei-me a causas. Procurei cumprir objectivos. Com harmonia, em desamor, em lassidão. Fui agressiva, obsessiva, doce, serena, silenciosa, autêntica. Envolvi-me em mantos de audácia. Tomei as rédeas da vida e apelei ao meu poder. Desafiei e desafiei-me. Esperei. Amei e desamei. Amei em esperança, em desespero, em fascínio. Amei silenciosa em cada manhã por acontecer. Chorei e desisti em fugas de solidão e de amor. Fiquei exausta, esgotada, desanimada. Levantei-me sempre que caí, mesmo que o trilho de lama ou de pedras já me tivesse ferido os pés, mesmo que a densidade da mata já me tivesse rasgado, dilacerado. Atormentada respondi, sempre, ao milagre, ao mistério da vida que me protegia. Eu era audaz!



Confesso que vivi e enfrentei desertos, oásis e ilhas paradisíacas ao som constante de uma melodia que encheu a minha vida. Foram anos sucessivos com ela no coração, fazendo de mim o barco que contornava a costa, ao som do eco do farol e da sua luz. Fui dependente da sua harmonia. Escutava-a quando queria e mesmo quando a rejeitava. Ela era o sinal de trânsito da minha existência. Foi o despertador sem horas das minhas alvoradas. Foi demais e foi bom. Foi motivador e desesperante. Foi tudo e continua a ser o que já foi e, assim, será... Concerto para Uma Voz, foi a canção da minha vida. Tudo girou em torno dela (como é possível!). A primeira vez que tomei contacto com esse 45 rotações foi em Luanda, na Rádio Ecclésia, quando necessitava de um indicativo para um novo programa. Seria a queridíssima Ana Maria Bello Marques a descobri-lo. Escutei-o e, no mesmo instante, fiquei no mais exaltante e indelével estado de deslumbramento com a canção. Acabei por a usar frequentemente e o curioso (ou seria provocação?) da vida é que a viria a encontrar ao longa do exercício da minha profissão (é uma história demasiado longa para contar). Concerto para uma Voz foi composta por Saint Preux, em 1969. Tinha 19 anos. Danielle Licari interpretava-a tão bem que arrepiava.



-Dabadá, dabadabadabadá-dabadabá. Badaba badabada badaba uabididaba. Badabada ahhhhh... badabadaba uabididaba…Nunca ouvi mais do que isto e, como bastou!







A música é a linguagem universal da humanidade
(Longfellow)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ABRACE A VIDA COM PAIXÃO


Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis, esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei decepcionar-me, mas também decepcionei alguém. Já abracei para proteger, já ri quando não podia. Fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, quebrei a cara muitas vezes! Já chorei escutando música e olhando fotos, já liguei só para escutar uma voz. Já me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade, tive medo de perder alguém especial (e acabei por perder). Mas vivi, e ainda vivo! Não passei pela vida. E você também não deveria passar! Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante. (C.C)



http://www.youtube.com/watch?v=hyCom4PuAHI





A vida não é significado; a vida é desejo
[Charles Chaplin]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

MORREU ROSA LOBATO FARIA


Agora, é o tempo certo para escutar uma melodia que nos acompanha na saudade, na tristeza. Poderá ser a única companhia que suporte este abatimento perante um facto consumado: morreu Rosa Lobato Faria. Para ela não haverá mais amanheceres, só as manhãs douradas do Universo. Quais serão os mundos por onde andará a descobrir e a encantar? Não tenho palavras, só emoção.

*



Quem me quiser há-de saber as conchas

a cantiga dos búzios e do mar.

Quem me quiser há-de saber as ondas

e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,

a laranjeira em flor,

a cor do feno, a saudade lilás que há nos poentes,

o cheiro de maçãs que há no Inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva

que põe colares de pérolas nos ombros

há-de saber os beijos e as uvas

há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos

que passam nos abismos infinitos

a nudez clamorosa dos meus dedos

o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma

em que sou turbilhão, subitamente-

Ou então não saber coisa nenhuma

e embalar-me ao peito, simplesmente. (R.L.Faria)




http://www.youtube.com/watch?v=YvdX5Ht3U9w





O vento é o mesmo, mas a sua resposta é diferente em cada folha
(Cecília Meireles)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CUMPRIU-SE O DESEJO DO MANUEL MOURA: O CARLOS NÃO VENCEU...


Passei parte do serão de domingo a assistir, na SIC, à eliminatória do programa Ídolos, onde foram apurados os dois concorrentes para a gala final que ditará qual irá para Londres (seis meses), como prémio por ter vencido. Será a Diana ou o Filipe?Ainda bem que só falta mais um programa. Confesso que me custou (frequentemente) ouvir as opiniões deste júri: Laurent Filipe, foi o único com um fio condutor que não sofreu desvios. Teve personalidade e soube comunicar. Foi sabedor e justo. Roberta Medina, é linda, não gosta de agitar águas e foi serena. Demasiado. Pedro Boucherie Mendes, confuso, hesitante, nervoso, não me convenceu o que, claro, não é importante. Manuel Moura Santos, teve frases, silêncios, olhares, divagações, suspiros, críticas, que arranharam sensibilidades. Ouvi-lhe dizer coisas impensáveis a (alguns) concorrentes. Conseguiu (sem esforço) ser deselegante, desmoralizador, traumatizante, injusto, arrepiante. Hoje, vai dormir sereno, o Carlos (parabéns pela classe e valor. Aguentou firme e sorriu), a quem ele em directo, ao vivo e a cores, disse: espero que não sejas tu a ganhar isto...não ganhou!




Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se
(Provérbio Persa
)

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