Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

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O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

RAROS E INESPERADOS MOMENTO DE MAGIA


Raramente, muito raramente, a vida tem momentos tão mágicos, tão intensos, que conseguem parar o relógio do Universo e, parado, o momento é só nosso. Ficamos sábias, sem respiração e, surpreendidas, agarramos a imagem para que se torne sonho dominado e nos ilumine sempre que revivido. Momentos intensos. Basta um olhar, um sorriso simples e o chamamento à vida tem a duração de um milésimo de segundo quando o relógio do Universo parado trabalhou só para nós e alimentou a reserva inesgotável de magia, capaz de nos levar, voando, pelos espaços abertos da nossa capacidade de sonhar. Bastou um olhar e a fantasia roçou a perfeição, ficou mais próxima da vitória.


...Cada pessoa que passa na nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós...
(Charles Chaplin)

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ACABOU A TRAVESSIA DO DESERTO DA SELECÇÃO



O tabuleiro de xadrez está já arrumado. Já se fizeram as peregrinações solitárias. Já se choraram lágrimas e soltaram raivas. Já passou o tempo dos agradecimentos e das decepções. Tudo está à frente com um núcleo de jogadores que, pergunto, qual é a equipa que tem um conjunto assim? Só de ler os nomes provoca arrepio. Vamos abrir o coração, com sinceridade, e aceitemos frontalmente, com verdade, o treinador e a Selecção Nacional. Sejamos um País positivo que sabe dar as mãos aos nossos jogadores para estarmos na África do Sul. Somos ou não somos o 12º jogador? Vamos a isso.
*


Reze como se tudo dependesse de Deus e trabalhe. como se tudo dependesse de você
(Cardeal Shellman)



A SERENA DAMA DO LAGO DE ALTHORP




Por muitos anos que passem deseja-se que Diana de Gales esteja verdadeiramente em paz. A sua morte, tal como a sua vida, foram marcantes.


Vento é um cavalo: ouve como ele corre pelo mar, pelo céu...
(Pablo Neruda)

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sábado, 29 de agosto de 2009

JACKSON, AMOU A VIDA MAS NÃO ENTENDEU O MUNDO DOS HOMENS


Michael Jackson morreu a 25 de Junho de 2009 e, segundo as últimas notícias, ainda não encontrou (29 de Agosto), na Terra, o local do merecido repouso físico. Se fosse vivo faria hoje 50 anos. O que dele foi escrito, depois de morto, mataria qualquer moribundo: não tinha nariz, não tinha cabelo, tinha as pernas em ferida, parecia um velho e, curiosamente, no dia anterior tinha estado a ensaiar para os 50 espectáculos programados (ele só queria fazer 1o!). Ensaios que, parecem, vão ser transformados em filme. É tudo confuso o que se diz de Michael -nunca vi nenhum comentário feito pela ex-mulher, Lisa Marie Presley, com quem se casou em 1994. Estiveram juntos dois anos. Daria para uma palavra reconfortante?- : é pai , não é pai; tem filho, não tem filho? Era uma pessoa maravilhosa ou um predador? Chega.


A estas horas, aliás, há muitas horas, o vento já o envolveu, o fogo do Sol já o purificou e as águas das nuvens deixaram-no liberto de qualquer resíduo terrestre. Agora, ele move-se no seu verdadeiro universo com energia própria e a solidão mesclada da sua sofredora e brilhante vida está agora sintonizada no Infinito. É já pó de estrelas, circula por entre elas e Legiões de Luz acompanham-no nas suas deambulações. Na Terra, cultivou o hábito de ficar em silêncio, principalmente quando se sentia só e, aí, inquieto, procurava o palco onde soltava todas as vibrações de um talento -vindo da Fonte Universal- arrebatador que o consumia e o realizava. A energia do seu corpo ainda anda por aí encerrada em caixa dourada à espera de descanso. Ele foi um Oceano de poderosas renovações. Amou a vida, mas não entendeu o mundo dos homens. Transmutou-se.

*


Não existe o esquecimento total: as pegadas impressas na Alma são indestrutíveis
(Thomas De Quincey)

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

TED KENNEDY - O DEFENSOR DE UM SONHO


Obama, é um Presidente próximo do povo. Não se isola. Não se endeusa (quando ri, ri abertamente, não sorri por condescendência). Escuta-lhe pedidos e protestos, pede-lhe ajuda e opinião e, frequentemente, comunica com ele através de e-mail, uma ferramenta informática que usa desde as renhidas Primárias. A morte de Ted Kennedy, de quem recebeu precioso apoio na recta final das ultimas eleições Presidenciais, quando os Republicanos e Democratas usavam os trunfos finais, o senador Kennedy não hesitou (apesar de muito debilitado fisicamente) em dizer à América: esta é a hora da mudança. É o tempo de Barack Obama. Na hora da sua morte o Presidente fez chegar às caixas de mensagens de milhões de americanos o seu pesar.


Michelle e eu ficámos inconsoláveis ao sabermos esta manhã da morte de nosso querido amigo, o senador Ted Kennedy. Por quase cinco décadas, a sua obra no avanço dos direitos civis, saúde e bem-estar económico do povo norte-americano, teve o seu nome. As suas ideias e ideais ficaram carimbados em dezenas de leis e reflectem-se hoje em milhões de vidas - em idosos que conhecem nova dignidade, em famílias que conhecem nova oportunidade, em crianças que sabem a promessa da educação, e em tudo que pode perseguir o sonho de uma América mais igualitária e mais justa. No Senado dos Estados Unidos, não consigo pensar em ninguém que tivesse gerado maior respeito e carinho por parte dos membros de ambos os lados do corredor.


A sua seriedade, humildade, cordialidade e bom ânimo, eram reconhecidas e admiradas. Ele lutou (apaixonadamente) no plenário do Senado pelas causas que lhe eram caras, e ainda mantinha amizade calorosa além das linhas partidárias. E isso é uma razão pela qual se tornou não só um dos maiores senadores do nosso tempo, mas um dos americanos mais talentosos para servir a nossa democracia. Eu, pessoalmente, senti-me valorizado pelo seu sábio conselho no Senado onde, independentemente do redemoinho de acontecimentos, sempre teve tempo para um novo colega. Admirava a sua confiança e apoio (importantíssimos) na minha corrida para a Presidência. E mesmo travando uma luta desigual com uma doença mortal, não deixei de beneficiar como Presidente do seu incentivo e sabedoria.


A sua luta deu-nos a oportunidade que nos foi negado quando seus irmãos John e Robert nos foram tirados: a bênção da hora de dizer obrigado e adeus. A demonstração de amor, gratidão e boas lembranças que todos testemunhámos é um poderoso testemunho da forma como esta figura singular na história americana tocou tantas vidas. Para a América, ele foi um defensor de um sonho. Para sua família, foi um guardião. Os nossos corações e preces vão para a sua maravilhosa esposa, Vicki, seus filhos de Ted Jr., Patrick e Kara, seus netos e família. Hoje, o nosso País chora a sua morte. Nós, dizemos adeus a um amigo e um verdadeiro líder que soube desafiar-nos a viver com os mais nobres valores. Damos graças à sua memória, que ainda nos inspira.
Atenciosamente,
presidente Barack Obama
*
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis
(Fernando Pessoa)

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

UM PORTUGUÊS PRECISA DOS SEUS VOTOS PARA IR À ANTÁRCTICA



Um sonho é um sonho! É o degrau acima, o passo em frente, o sonho resonhado. É entusiasmo, dinamismo, embriaguez de sentidos. O sonho é sal da Vida. Torna-a macia, colorida, risonha, frenética. O sonhador é sempre feliz! É sempre um lutador! É sempre alguém que está um passo à frente do seu pensamento. Está já lá, antes de lá ter chegado. Um sonhador é sempre um conquistador. E, Luís Monteiro (tem um programa de rádio e um blog), um sonhador português (tem 28 nos), vai conquistar a Antárctica. Vai rebolar no gelo, tremer no frio, fotografar tudo o que mexa; vai desesperar e entusiasmar-se, vai respirar mais fundo do que nunca o fez e vai ser tão feliz, tão feliz, que vai gritar tão alto que os pinguins vão correr desajeitadamente. E nós vamos ver, através do blog que irá contar a viagem do Luís à Antárctica.


O sonho de um português a mexer no Universo. É Lindo! Mas (há sempre mesmo o tal de mas) para que isso aconteça, para que ele ouça violinos, o rebentar de foguetes, o tilintar de sinos, harpas, cítaras e bandolins, quando avistar os primeiros gelos, precisa da sua ajuda. Da nossa ajuda. É uma história um pouco longa mas vá a http://www.rumoantarctica.com/ e fica esclarecida(o). É preciso votar para que ele consiga ser o escolhido. Nesta altura creio que está em primeiro lugar e em segundo, um italiano (não tenho a certeza). O prazo termina a 30 de Setembro. Você consegue ficar parado sem dar um empurãozinho a um português que, apesar de todas as crises, consegue ter ainda e fomentar o salutar e auspicioso hábito de sonhar? O sonho dele, agora, comanda-lhe a vida.


Assim como a semente traça a forma e o destino da árvore, os teus próprios desejos é que te configuram a vida
(Pearl S. Buck)

sábado, 22 de agosto de 2009

O NOKIA QUE CAÍU NAS AREIAS DA ADRAGA...

Há anos que sou fiel ao Nokia, desde que apareceram esses telefones pequeninos que nos fazem pensar frequentemente como é que vivemos (e fomos felizes!) tanto tempo sem eles e agora, nem de noite nem de dia, deixam de estar ao alcance do nosso ouvido e dos nossos dedos. Desde a minha primeira aquisição a opção foi Nokia. Tive vários e com alguns sucederam as coisas mais estranhas: um perdeu-se e andou por aí a tocar talvez chorando pela dona ausente; outro, foi amaciadoramente furtado já que não dei por nada: outro, ainda, teve um final pouco glorioso já que o deixei cair na banheira e, finalmente, dei um outro de presente a alguém que num momento de fúria atirou o seu para a piscina (o destino do Nokia está muito interligado com a água! Reparou?).


Não é difícil verificar que a minha relação com as máquinas não é muito airosa. Entre mim e elas há uma certa inquietude. Apesar disso, sempre fiel ao Nokia e agora, depois de ver como o Nokia 5530 (creio) atirado para as areias da praia da Adraga, onde vou regularmente, ser limpo ao som da voz de Mika (We Are Golden), no corpo brilhante do Gianecchini, debaixo de um sorriso capaz de ofuscar o Sol, tenho a certeza de que nunca mudarei de marca. Nem de praia. Nem de areia, nem de esperança...


http://www.youtube.com/watch?v=L53z3o_oS1k




É urgente inventar a alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras
(Eugénio de Andrade)

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

TRAGÉDIA NUMA PRAIA ALGARVIA


Portugal está a viver uma hora de apreensão. Portugal está triste. Num dia de Agosto (21), no temperado Sol algarvio, deitados numa praia (Maria Luísa-Albufeira) banhada pelo Atlântico, sintonizados com a tranquilidade, o bem-estar, sentindo (por certo) uma intensa alegria interior, provavelmente saboreando uns fugidios dias de férias, cinco pessoas sucumbiram debaixo de uma arriba quando esta cedeu e, num ápice, subterrou corpos que a tremenda boa vontade dos homens não conseguiu salvar, na derrocada de parte da falésia.


Infelizmente, há muito que se ouve e se lê que o belíssimo litoral português sofre ameaças de intenso e iminente perigo mas as sinuosas falésias continuam, solitárias, a sofrer a erosão do tempo e das mudanças climáticas. Há dias, no Algarve, houve um tremor de terra de fraca intensidade. Pode ter sido fraca (felizmente) mas pode ter deixado mais fragilizadas as tais falésias que embelezam a orla da nossa costa.Uma das primeiras tragédias anunciadas aconteceu. E, bastariam umas fitas de plástico, creio, às riscas, para impedir que, ingenuamente, os banhistas se transformassem, sem se aperceber, em desafiadores do impossível e, perdessem as vidas.



A Humanidade tem dois caminhos a escolher. Um, o do medo, temor, catástrofes. O outro, Amor, Luz, Vida...
(P.Ling)

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sábado, 15 de agosto de 2009

CADA VITÓRIA É COMO UM NASCER DE SOL


Se quer expulsar o medo, abra as portas e janelas no interior de si próprio, faça entrar a luz, não deixe um recanto na sombra. Analise, escute, observe, desligue todas as possibilidades de conflitos, guardando um espírito calmo, perfeitamente concentrado. Reencontre a audácia e a lucidez do guerreiro: em si, desenraíza o medo. Cada vitória sobre si mesmo é como um nascer de Sol. Ultrapassar o medo, todos os medos, abre um horizonte ilimitado. Compreenda que o medo dos outros, do qual se apercebe, sente, é primeiramente o medo de si próprio. Um ser pacificador, que ultrapassou as suas angústias, vai ter com os outros com serenidade.


Mantenha o seu espírito permanentemente na alegria do instante e o medo será vencido. Nenhuma noite é bastante longa e obscura para impedir a madrugada. Os medos as inquietações, as angústias, traduzem um medo mais profundo, que é o da morte. É o Grande Medo que atormenta o homem desde a noite dos tempos. Aprenda a morrer todos os dias alegremente, sem perder o amor à vida, e o seu medo será vencido. Não tema a provação difícil, a lassidão, a perda de esperança. É quando se toca o fundo que se pode olhar para as estrelas. O medo alimenta-se das agitações do seu espírito. Observe os seus medos sem intervir, sem tentar dominá-los ou combatê-los, e eles desaparecerão. Aprenda a conhecer-se, ilumine as zonas de sombra do seu espírito, desmonte os mecanismos do pensamento que o fazem agir e reagir, e o medo desaparecerá... (D.R.)


A coragem não pede uma demonstração heróica, pública, que toda a gente veja, mas uma guerra secreta, no interior de si próprio. A coragem verifica-se todos os dias, nos actos da vida corrente, lutando contra os hábitos, as mentiras, os arranjos, os compromissos, que obscurecem o espírito e impedem a sua libertação
(Dugpa Rinpoché)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ALERTA VERMELHO AMEAÇA PORTUGAL


O mundo tem nos braços a ameaça de uma pandemia que em rigor ninguém sabe como se desenvolverá a partir do próximo Outono. Não se imagina nem a sua força nem as suas mutações e enquanto os outros países se mostram atentos, rigorosos e preocupados, Portugal manda às urtigas receios e cenários que podem paralisar o País, e dá-se ao luxo de ter uma Ministra da Saúde (até gosto dela) que sabendo de atitudes aberrantes que provam como os portugueses são bizarros (não era isto que queria dizer, mas não sei colocar bolinha vermelha no início do texto) que propositadamente contaminam outros com o vírus da Gripe A, de que são portadores, e se recusam a colocar a máscara quando necessário. A Ministra sabe, disse-o na Televisão, tal como afirmou que não faria denuncias.


Senhora Ministra, é cúmplice de um crime. É o mesmo que ter SIDA e praticar sexo sem protecção, assaltar com uma seringa infectada ou pactuar com criminosos. Pode ter atenuantes mas não deixa de ser cúmplice de mentalidades atrofiadas, perigosas, doentias, vergonhosas. Tem o dever de denunciar. Ainda há cidadãos conscientes neste País que merecem protecção. Lembre-se das crianças. Lembre-se que com gente assim o vírus vai atacar Portugal num sopro, deixando-o totalmente em alerta vermelho. E, aí, como nos poderá olhar de frente sem se sentir culpada?



Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos
(provérbio chinês)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

TANTA SEDUÇÃO, GARBO, VIRILIDADE...


Não teria sido necessária tanta elegância, tanta sedução, tanto dramatismo, tanto arrebatamento. Bastaria a tua mão na minha cintura, enlaçando-me, conduzindo-me ao som de uma qualquer harmonia. Não te teria exigido uma linguagem de alma, numa intensa forma musical de estar na vida, como se vivesse intensos e sofridos amores ao ritmo acelerado de corações arrebatados. Não te pedi tanta energia, tanta paixão. Eras já especial sem necessidade de o exibires. Não te pedi -nunca- que dançasses comigo como se estivéssemos na Lua e a Terra girasse à nossa volta e, ambos, flutuássemos no Universo, transportados por uma intensa e provocante sensação a dois onde o ódio se misturasse com o amor, a elegância com a entrega, a sensualidade com o desejo, nos corpos flexíveis, colados, como se fossem apenas um.


Nunca exigi a maestria de Gardel nem a genialidade de Piazzola. Nunca pedi asas nos pés e porte majestático, nem braços onde voluptuosamente deslizasse nem esperei murmúrios confidentes dizendo-me que havia céus azuis, lindos, nos meus olhos, enquanto rodopiássemos na elegância de passos largos e olhares profundos quando o meu corpo poderia parecia cair dos teus braços numa linguagem plástica intensa e expressiva. Na verdade, nunca pedi tanta sedução, tanta embriaguez, tanto garbo, tanta virilidade. Pedir, não pedi! Mas, gostava de o ter feito.



http://www.youtube.com/watch?v=dBHhSVJ_S6A


A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é; ou, mais correctamente, de ser amado apesar daquilo que você é
(Victor Hugo)

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A BAILARINA DA MADRUGADA TRISTE


Na madrugada há lágrimas que se libertam do interior rio da saudade e, em silêncio, escuta-se o coração magoado pela paixão que a vida amordaçou em partidas sem adeus. Na madrugada da memória, no canto da solidão, espalha-se a nostalgia numa alegria disfarçada de quem quer enganar o mundo e a madrugada clara que queria ser triste. Acordes musicais espalham-se pelo ar, enchem o espaço e a vida da bailarina de cabelo negro azeviche, solto e sedoso - da madrugada clara que queria ser triste- que ondula o corpo, a cabeça, movimenta as mãos, os braços, o tronco, as ancas, em círculos lentos e profundos, num ritmo dolente, sensual, exótico, onde os pés nus marcam os passos ousados, sempre que solta um dos sete véus -leves como penas de anjo, tansparentes como chiffon- e acabam por deixar a descoberto um ventre liso numa postura corporal envolvente. A bailarina da madrugada vestiu-se de ritmo e de musicalidade; despiu-se de adornos, dançou para si, caminheiro permanente de viagens sem portos de chegada. Majestoso quando lembra, solitário quando esquece.

*

Estou aqui não porque deva estar, nem porque me sinto cativo nesta situação, mas porque prefiro estar contigo a estar em qualquer outro lugar no mundo
(Richard Bach)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DESAFIANDO O SOPRO DO VENTO


Confia-se, quando se cria na pista o sopro do vento e nele se desliza ao sabor do saber e da emoção. Expressa-se elegância, domínio. Distribui-se agilidade, segurança, em movimentos ensaiados à exaustão nas figuras desenhadas por corpos esbeltos, sincronizados com as melodias que completam os gestos em sublimes expressões de arte. Confia-se a cada segundo e em cada voo que desafia o vento com a velocidade da alma de artista. Imponente. Intocável. Poderosa. Suprema.


Confia-se no saber e na tranquilidade de um coração mensageiro que relembra -no cortar do sopro de vento- que a tranquilidade é necessária à sincronia dos movimentos quando se viaja, em abandono, no rodopiar veloz de quem corta o sopro do vento. As mãos, ganham magia; o corpo, requebra-se em desafios de equilíbrios; o rosto, etéreo, sublime, ilumina-se como cristal resplandecente sob os projectores que acompanham o deslizar de quem domina o espaço, a gravidade, e se transporta para dimensões libertas onde ser anjo é quase ilusoriamente possível.
*

Um minuto de felicidade vale mais que mil anos de glória
(Voltaire)