Brumas de Sintra

Ponto de encontro entre a fantasia e a realidade. Alinhar de pensamentos e evocação de factos que povoam a imaginação ou a memória. Divagações nos momentos calmos e silenciosos que ajudam à concentração, no balanço dos dias que se partilham através da janela que, entretanto, se abriu para a lonjura das grandes distâncias. Sem fronteiras, nem limites

A minha fotografia
Nome:
Localização: Portugal

O meu nome é Maria Elvira Bento. Gosto de olhar para o meu computador e reconhecer nele um excelente ouvinte. Simultaneamente, fidelíssimo, capaz de guardar o meu espólio e transportá-lo, seja para onde for, sempre que solicitado. http://brumasdesintra.blogspot.com e brumasdesintra.wordpress.com

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

AS PROFESSORAS QUE SALVAM VIDAS



Não querendo enegrecer a noite fria que convida à fuga para o cantinho aquecido que pede um bom livro, um bom filme, boa música, saboreando uma caneca de cacau muito quente, -rodando maquinalmente entre as mãos- ou, apenas, interiorizações calmas mas profundas, recordo, a partir de um e-mail que recebi como foi desastrosa e sofrida a última época de férias em relação a piscinas e a bebés. Cessaram mais de oito vidas ainda por viver. Apetece dizer: desnecessariamente.


Pela crise que se vive não é tempo de relembrar a quem nos governa -continuam a enfermar do erro de se manterem longe, distantes do povo que os elegeu. Não sabem chegar a ele- como seria importante existirem mais piscinas em Portugal. Convite (saudável e apaziguador) aberto a pessoas de todas as idades, começando pelos bebés, pelos adolescentes, pelos adultos e pela terceira idade que anda por aí a desmaiar nos dias de solitárias solidões.


Apostar nas escolas desde o primeiro ano, no desenvolvimento físico, era um dos nove pontos absolutamente necessários para surgisse a primeira de futuras gerações viradas para o futuro e não para a violência, fruto muitas vezes de ruas sem saída onde impera a ociosidade e a impreparação. Se se quer salvar um país tem de se começar nas salas de partos (e não nas ambulâncias-maternidades).


A finalidade de hoje é falar do vídeo www.childdrowningprevention.com
que recebi por e-mail. Uma preciosidade. Merece ser partilhada. Veja e espalhe a mensagem (que, claro, não é portuguesa). Aproveito a oportunidade para saudar todas as professoras de natação deste País que, diariamente, nas piscinas, em clubes por vezes demasiado caros, transmitem os seus conhecimentos que podem salvar vidas. Parabéns a todas, a começar pela minha filha Isabel que é o orgulho de qualquer mãe. Para ela cada aluno é uma vida a necessitar, no seu campo de ensino, de técnicas e saberes profundos que façam dele um saudável e vigoroso sabedor, confiante e enérgico que, sempre que entrar na água, esteja apto a deslizar nela ou a salvar quem, perto de si, precisar de ajuda.




Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades
(Epicuro)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

FERNANDO PESSOA

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...



As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
(Fernando Pessoa)

UMA CANÇÃO PARA TODA A VIDA



Conheci Izhar Cohen quando veio a Portugal, ainda sob os ecos da vitória do 23º Festival da Eurovisão da Canção, realizado em Paris, em 1978,onde Israel venceu pela primeira vez com A-Ba-Ni-Bi, tema interpretado por Izhar Cohen e Os Alphabeta. Portugal esteve representado pelos Gemini, com a canção Dai-Li Dai-Li- Dou (autoria de Carlos Quintas e Vítor Mamede), conquistando o 17º lugar.


Recordo-me que as medidas de segurança em torno do grupo israelita foram extremas mas mesmo assim como eram meus entrevistados para a Nova Gente, acompanhei-os com relativa facilidade. Estive presente no jantar que lhe foi oferecido e ainda recordo que dançamos ao som das suas canções, numa noite muito agradável. Fiquei fã de Izhar Cohen que voltou mais vezes ao palco da Eurovisão.


Todavia, a canção mais bonita, uma canção para toda a vida, foi a que ele levou ao 18º Festival, creio que de 1973, realizado no Luxemburgo (Portugal defendeu Tourada, na voz de Paulo de Carvalho). Sobre ela ouvi há pouco uma definição preciosa que me inspirou a inserir este post e a recordar Izhar. Como dizia o Pedro :


- ...É mais bonita que todas as outras que conhecemos. É quase um fado israelita, com uma sensação de Amália mas, sobretudo, muito Paulo de Carvalho e se calhar, pelo som das palavras, cheia de Ary dos Santos. Acho que nunca na vida vou deixar de ouvir esta canção.

Ouçam-na: http://br.youtube.com/watch?v=6CjuLfMpx78

*

Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem: Porquê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Porque não?
(George Bernard Shaw)





O BOM VISIONÁRIO NO MUNDO REAL


Gosto de olhar para esta imagem de Barack Obama, o Presidente-eleito dos EUA. Ela foi captada numa das suas intervenções quando a chuva caiu sem dó nem piedade em cima dele e de todos os que entusiasmados o escutavam. Acho, até, que esta foto se cola bem a um certo ar messiânico que o Presidente parece ter conquistado. Encharcado até aos ossos, como orador excelente que é não perdeu nem a compostura nem sequer o ritmo quer da voz quer da linha de pensamento. E foi assim que de obstáculo em obstáculo, conquistou o direito à Casa Branca.


É muito interessante ir seguindo pela Net (no portal do governo) o que Obama e a sua (excelente) equipa estão a fazer até chegar à Presidência. Estou a gostar muito dos critérios que Barack está a seguir para formar o seu governo, demonstrando que a prioridade é nacional, até mundial e não partidária. Já está a fazer história que, no final do século, será lembrada pela maioria dos norte-americanos e presidentes incluídos. Só por quem é, de onde veio e como chegou à vitória, já entrou mesmo para a História e, ainda, não pisou oficialmente a Casa Branca!


Só pela forma como está a formar um governo, com as prioridades nacionais acima das políticas, já está a criar bons precedentes que serão referência de presidências futuras, mesmo antes de começar a sua. Só lhe falta agora começar a governar e provar que, apesar de tudo, não é apenas o mito que fascina, mas é mesmo um bom visionário que habita o mundo real e que fará (espera-se) melhor do que pior, mais medidas concretas que erros e reconduzirá a sua Nação ao futuro que, talvez (ainda) não tenha perdido.


Uma vida é uma obra de arte. Não há poema mais belo que viver em plenitude
(Georges Clemenceau)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

HILLARY - A SECRETÁRIA DE ESTADO



O que de início parecia impossível, Hillary Clinton (primeira dama dos Estados Unidos de 1993/2001) não estava (em Fevereiro) desafogadamente sorridente nas tabelas das preferências do eleitorado. Pelo contrário, quem sorria (abertamente) era o desconhecido senador do Illinois de nome Barack Obama que nos excelentes discursos distribuiu empatia pela assistência, onde os jovens foram o seu grande e inesperado trunfo. O desfecho de 4 de Novembro foi impressionante pelo número de americanos que nas urnas fizeram uma escolha histórica: elegeram um afro-americano para a Casa Branca.


Todavia, o percurso de Fevereiro a Novembro foi entusiasmante, pleno de mudanças nas preferências quanto ao resultado já que metade da América não queria Hillary (inteligente, forte, segura) que, à partida, não esperava tão alto nível de rejeição por parte dos americanos. A outra metade não queria Obama (jovem, visionário, carismático e excelente orador), que surpreendeu pela positiva, apoiado por uma campanha estonteante e conquistando apoiantes de peso. O Republicano e herói de guerra John McCain defendia a continuação das tropas americanas no Iraque e tinha a “bênção” de Bush (os americanos estavam saturadas da sua Administração...), mantinha a esperança de vencer os Democratas mas ao escolher Sarah Palin, a governadora do Alasca que se revelou um desastre, deve ter reconhecido que foi o seu maior erro.


A 20 de Janeiro Obama entrará oficialmente na Casa Branca com o seu staff (escolhido rigorosamente e analisado ao mais ínfimo pormenor) e nele estará incluída a ex-senadora de Nova Iorque (que nas primárias fez contra Obama uma campanha renhida, frenética), a secretária do Estado que já foi primeira-dama da América, durante oito anos. Podia ter sido vice-presidente mas o próprio Barack disse que não. Fez bem. A diplomata Hillary ainda tem grandes voos pela frente mas, pertencer à equipa de Obama é um orgulho. Toda a equipa vai saborear a sensação de trilhar um caminho novo virado ao futuro, ao lado de um Presidente que soube concretizar um sonho secular. E não me admira ver, em 2016, Hillary lutar (novamente) para regressar à Casa Branca.



Um ser humano só cumpre o seu dever quando tenta aperfeiçoar os dotes que a Natureza lhe deu
(Hermann Hesse)

O JCB VAI SER UM SUCESSO

Sou vizinha do Conde (em Sintra) há muitos anos -ainda ele não era figura pública com o destaque que hoje tem e que diariamente se esforça, à sua maneira, por aumentar. O êxito foi-lhe dado pelo público e, apesar de ser de bom-tom dizer dele o mais desagradável possível, José Castelo Branco tem o dom e a loucura, (todos dela temos laivos) de pouco se importar com a opinião dos outros. Aliás, contraria-os, provocando-os! Protestam, mas gostam. O meu vizinho está naquela linha de fronteira que é bem definida: ou se gosta ou se odeia. Não há espaço para meio- termo. Nem ele está interessado nem os que não apreciam mesmo nada daquilo que faz, como se apresenta numa elegante indefinição (deve gastar mais em modelitos do que eu ganho num ano) que inteligentemente investe e factura.


Entrevistei-o há anos ainda ele era um exuberante (nunca foi simples) vendedor de arte mas, apesar de usufruirmos ambos das belezas irreais de Sintra, nunca falámos neste paraíso de Byron, nunca visitei a sua casa, não vejo os seus programas, não pertenço ao grupo de amigos, não há quaisquer laços que me levassem a apoiá-lo nesta sua nova face de cantor que, confesso, me deixou de boca aberta. Acabei de ver, por um acaso, o clip do seu disco e, garanto-vos: se o José Castelo Branco não ganhar o juízo todo, se continuar a ter dinheiro para se apresentar na última moda, seja lá o que isso para ele queira dizer, se tiver uma equipa nota 10 a controlá-lo, a cuidar ao milímetro da imagem, divulgação -o que deve ser bem difícil-, ele, o meu vizinho, que por vezes passeia em roupão de brocado vermelho pela sua belíssima varanda, dentro de dois anos vai ser o mais famoso no mundo internacional do espectáculo. Tem é de sair de Portugal, amanhã, e fazer carreira lá fora para ser apreciado na sua terra. Parabéns. Gostei de ver. Nota 9, para já. Qual Mika, qual Michael, qual Martin...



O sucesso é maravilhoso, mas implica no esforço de acompanhar o ritmo dessa ninfa infiel que é a popularidade
[Charles Chaplin]




segunda-feira, 17 de novembro de 2008

LUTE POR SER FELIZ



Leia, atentamente, o texto que hoje publico (tem mais de 400 anos). A inscrição é de 1962 e foi encontrada na velha igreja de Baltimore.


Caminha tranquilamente entre o ruído e a pressa. Lembra-te de que a paz pode residir no silêncio. Sem renunciares a ti mesma, esforça-te por seres amiga de todos. Diz a tua verdade calma e claramente. Escuta os outros, ainda que sejam simples e ignorantes; cada um deles tem, também, uma vida para contar. Evita os barulhentos e os agressivos, porque eles denigrem o espírito. Se te comparares com os outros, podes sentir-te amargurada: haverá (sempre) perto de ti alguém melhor ou pior do que tu.


Alegra-te, tanto com as tuas realizações como com os teus projectos. Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde -é o tesouro da tua vida. Sê prudente nos negócios, porque no mundo abundam pessoas sem escrúpulos. Mas que esta convicção não te impeça de reconhecer a virtude. Há muitas pessoas que lutam por ideais formosos e, em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo! Sê tu mesma. Sobretudo, não pretendas dissimular as tuas inclinações. Não sejas cínica no amor, porque quando aparecem a aridez e o desencanto no rosto, isso converte-se em algo tão perene como a erva. Aceita com serenidade o cortejo dos anos, e renuncia, sem reservas, aos dons da juventude. Fortalece o teu espírito, para que não te destruam desgostos inesperados. Mas, não inventes falsos infortúnios.



Muitas vezes o medo é resultado da fadiga e da solidão. Sem esqueceres uma justa disciplina, sê benigna para ti mesma. Não és mais do que uma criatura no Universo, mas não és menos que as árvores ou as estrelas: tens o direito de estar aqui! Vive em paz com Deus, seja como for que O imagines. Entre os teus trabalhos e aspirações, mantém-te em paz com a tua alma, apesar da ruidosa confusão da vida, apesar das falsidades, das lutas penosas e dos sonhos arruinados, a Terra continua a ser bela. Sê cuidadosa. Luta por seres feliz.


As grandes oportunidades de ajudar os outros raramente acontecem, mas as pequenas surgem todos os dias
(Sally Koch)


sábado, 15 de novembro de 2008

DANÇAR COM AS ESTRELAS


Hoje, é tempo de estender a mão ao sonho, deslizar suavemente pelo manto de esplendor da madrugada, deixando-nos envolver pela fantasia que a ilusão fará sentir real. Hoje, é tempo de dançar com as estrelas, sussurrando-lhes segredos, no rodopiar fantasioso de uma valsa lenta, harmoniosa, emotiva e mágica. Passes perfeitos, elegantes e leves, flutuando em sintonia com a natureza ao som da harmonia do universo, benevolente e cúmplice.


Madrugada de brisa morna, especial, partilhada com o par da leveza, da musicalidade, que nos conduz por entre caminhos de estrelas cintilantes que abrem alas para nos deixar passar, no rodopiar gracioso envolto por magia. Hoje, é tempo de agarrar a ilusão intemporal, suprema e fascinante e libertar sonhos e música pela noite
adormecida.
*

A ausência faz ao amor o que o vento faz à labareda:
aumenta a grande e extingue a pequena
(William Shakespeare)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O OBRIGADO DE BARACK



Por muito que se tenha dito sobre a campanha de Barack Obama, haverá sempre pequenos pormenores mais ou menos desconhecidos que se irão descobrindo no decorrer dos tempos. Em conjunto, ajudaram a formar uma grande realização, fruto de uma equipa excelente e atenta, de um candidato que é o sonho de qualquer director de campanha já que é perfeito e de um batalhão de voluntários que foram o seu grande exército na retaguarda. Os estrategas e o Presidente-eleito sabiam da sua importância e a milhões deles, após uma vitória emotiva, enviaram (pelas 6 da manhã) uma nota que ultrapassava o agradável agradecimento. Foi a forma (feliz) encontrada para dizer pessoalmente o quanto cada um foi, é, e será importante para o Presidente da Mudança. Em conjunto, eles conseguiram.


Maria...I'm about to head to Grant Park to talk to everyone gathered there, but I wanted to write to you first. We just made history. And I don't want you to forget how we did it. You made history every single day during this campaign -- every day you knocked on doors, made a donation, or talked to your family, friends, and neighbors about why you believe it's time for change. I want to thank all of you who gave your time, talent, and passion to this campaign. We have a lot of work to do to get our country back on track, and I'll be in touch soon about what comes next. But I want to be very clear about one thing...

All of this happened because of you. Thank you,

Barack

A ENERGIA DAS ONDAS


Já em 1978, Eurico da Fonseca, lutava para ser ouvido (não teve muita sorte foi sempre semi-escutado). Há muito que acreditava –inabalavelmente- que Portugal tinha um trunfo na manga: as energias alternativas! O Mar, o Sol, o Vento. E, hoje, passados três décadas, vivendo entre a serra de Sinta e a costa Atlântica, confirmo diariamente que se não é Sol poderá ser Vento, se não é nenhum destes elementos, poderá ser Mar! Resumindo: continuo com a certeza de que Portugal é um País virado ao Sol. E a importância que isso tem. A todos os níveis.


Pelo nosso clima (Sol, energia positiva e revitalizadora), nós, portugueses, deveríamos ser diferentes do que na realidade somos: nostálgicos, agressivos q.b. azedos, tristes, cinzentos, deprimidos. Até na política! Hoje, confirmei que ultimamente tenho escrito muito (mesmo muito) sobre as eleições americanas e pensei que deveria fazê-lo com a prata da casa, isto e: deveria falar sobre a realidade portuguesa já que gosto de debater e analisar o tema. Mas, não me entusiasmo, essa é a verdade. Olho, e vejo crispação. Muito dejá vu. Não há chama. Digam o que disserem ainda é Sócrates o único que consegue remar contra a maré.


Ou tenho de mudar a graduação dos meus óculos, afinar a minha inteligência, sensibilidade, para olhar o xadrez político nacional de forma diferente, capaz de ser entusiasmante. Não vou escrever sobre política, já o disse, mas estou a lembrar-me da cara de Santana Lopes, na Televisão, quando se adiantou à nomeação (que deverá ser feita por Manuela Ferreira Leite) para provável candidatura à Câmara de Lisboa. Teve a sua piada, foi bem feita a jogada de antecipação, mas… Os políticos continuam a não saber chegar ao povo. Precisam de discursos retocados e de bons assessores de imagem.


Hoje, calmamente, para saborear a importância da ideia, recordo que Portugal é o País pioneiro no mundo (o único, portanto), na criação de energia a partir de ondas (o tal sonho de Eurico da Fonseca). O Parque das Ondas de Aguçadoura, Póvoa do Varzin, inaugurado em Setembro de 2008, produzirá 2,25 megawatts, que chegarão para dar energia a 1500 habitações. Numa primeira fase, o equipamento terá capacidade para produzir energia eléctrica suficiente para uma povoação de seis mil habitantes. Dá gosto ler. Na cerimónia de inauguração o Ministro da Economia, Manuel Pinho, disse:


-Portugal está entre os cinco países do mundo mais avançados em energias renováveis. Estamos à frente no que diz respeito à água, ao Sol e ao vento e este projecto é muito importante porque coloca a nossa bandeira de liderança num dos maiores desafios que a Humanidade tem. Há 15 anos, a energia eólica não era nada e, hoje, assume uma enorme importância. No que diz respeito à energia das ondas, daqui a 15 anos todos se vão lembrar que tudo começou aqui e hoje.


O investimento foi de 8,8 milhões de euros e, futuramente, a energia poderá chegar a 15000 famílias. Tudo será perfeito quando esse Parque de Ondas entrar em pleno funcionamento. O primeiro passo foi dado.

*

Nada é impossível para aquele que persiste
(Alexandre, o Grande)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

CONCERT FOR ONE VOICE





Were years of fascination, of memories of terrible pain of immense joy. There were changes, struggles, changes in an overflow of vitality or serenity inspiring capable of illuminating thoughts and ambitions. There were fears that numb negative gestures and words that have never been trained themselves. Were muted confessions have lost force. Weaken and address, with the taste of the magic charm of fascination, a dream, to look and smile as the source of inspiration was wonderful for me and make a wise revitalizador universe. I became associated in my own existence in the parade of my days. Transcend me. Broke shackles, stir strong emotions sleeping in silence, painful, I am shaken, and left overflowing enhance the vitality and grandeur.


I lived in a permanent state of unrest. Devote myself to causes. Meet objectives sought. With harmony in unlove in lassitude. I was aggressive, obsessive, sweet, serene, quiet, authentic. Involved me in robes of light, of audácia.Tomei the reins of life and appealed to my power. Challenged and challenged me. Hold on. Desama and loved. Love in hope, in desperation, in fascination. Loved every morning for silent happen. Walk by hills and valleys, walked one thousand miles each second, traveled roads that were not mine, I fell in awful precipices. Hurdle deadly. Defended my time and my desires, and when I felt empty, ran to the taste of the wind you listen to the whispers and feel the breeze.


I cried and dropped into leaks of loneliness and love. I was tired, exhausted, dismayed, forgotten. Trips were rewarding, splendid, by way of fear and unity, which sometimes led to hope, the wisdom and renewal. Raised me when I fell, even though the trail of mud and stones I had already hurt the feet, even if the density of the forest I had already torn, torn. Tormented in the circle of silence answered, always, to the miracle, the mystery of life which I supported, surrounded and protected. I confess that I lived and faced deserts, oasis and paradise islands in the sound of a melody that filled my life. Successive years were with her in the heart, making me that the boat around the coast, to sound the echo of the lighthouse and the light. I was dependent on their line. When I heard it and even when rejected. She was the traffic signal of my existence. It was my alarm clock without hours of dawn and it was too good. It was motivating and desperate. It was and remains what has been and thus will be ... Concert for One Voice, was the song of my life.


Everything revolved around it (as is possible.) The first time I have contact with that speed was 45 in Luanda, on Radio Ecclesia, when needed a code for a new program. Would Ana Maria Bello Marques to discover it. I heard it and, at the same time, I was the most exciting and indelible state of fascination. I was curious and often the use (or would be provocative?) Is that life would find over the course of my profession (it is too long a story to tell). Concert for One Voice was composed by Saint Preux, in 1969. Was 19 years. Danielle Licari interpreted it as well as chills.


-Dabadá, dabadabadabadá-dabadabá. Badaba badabada badaba uabididaba. Badabada badabadaba uabididaba ... Never heard more than that, and enough!



*


The music is the universal language of mankind
(Longfellow)


terça-feira, 11 de novembro de 2008

O ARAUTO DE UMA NOVA ERA


Depois do luminoso banho de esperança que deu ao mundo, Barack Obama, na sua primeira conferência de imprensa como Presidente eleito, não conseguiu deixar de transparecer (compreensivelmente) a inexperiência de lidar em directo, frente aos jornalistas, na abordagem de temas inerentes ao cargo. Não que ele não esteja habituado à imprensa (é um dialogante nato e um orador inspirado, até um pouco messiânico) mas acusa (ainda) o desconforto de lidar com imprevistos ao aperceber-se que está na primeira posição abaixo do céu, na hierarquia dos Estados Unidos, e um pouco (ainda) do mundo (os ecos da vitória mostraram-lhe como globalmente o vêem).
*

Obama tem potencial para fazer tudo aquilo que os americanos e o mundo pensam que Kennedy (admiro-o, note-se. Ele abriu fronteiras) fez; o que Reagan fez, até mais mas deu-se menos -vai-se apercebendo ao longo dos tempos-. Clinton, fez um pouco mais ainda e todos usufruímos disso e, entretanto, já agradecemos. Sobre Obama recaem expectativas que estão mais ao nível do Papa João Paulo II do que de qualquer novo Presidente dos EUA, não porque Barack tenha já feito algo de assinalável (tirando os 22 meses de luta e empenho, claro), nem mesmo como Senador a não ser projectar carisma e comunicação, mas porque inspira muito e é essa, a missão primordial que o dom que tem o obrigará: ser o ponto focal das vontades para poder suportar, em valores e princípios, o que se não fosse a oportunidade superior que tem, seria apenas um mero e só, mesmo que bom, projecto político.
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Falta reunir a sua equipa (conta com o irascível mas competentíssimo Rahm Emanuel, na foto) mas Obama já está a dar os primeiros sinais de uma nova visão: mostra intenções de ir buscar aliados e opositores, entre todos os americanos que percebem que a nova era é, ainda, de poder mas já não de autoritarismo; é, também, de ambição mas não de ganância e é, sobretudo, de humildade colectiva que possa permitir a um país que quase gasta e suja mais sozinho do que praticamente o resto do planeta, a mudar hábitos, vícios, atitudes, perante o mundo que de uma forma geral ignora liminarmente que no centro dos EUA se concentre gente a mais, muitos a não conhecerem a geografia litoral da América, quanto mais o que existe para lá do Pacífico ou do Atlântico.
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No mesmo tempo de compasso, Obama terá que consagrar as minorias não como grupos de influência cada um por si, mas como tecido multicultural e fundador da verdadeira e boa Babel do Terceiro Milénio e que, pelo valor do conjunto, beneficiará aos poucos cada um de nós; americanos, sobretudo os que sejam mais desfavorecidos, ou pelo que não têm, ou pior, pelo que pensam e fazem e que por isso têm, mas não sabem ou não querem saber como mudar. Há um pouco de Ghandi dos guetos, na aura política de Obama, que me leva a pensar assim. Entretanto, não será ingénuo (e que bom sinal é se assim for) Obama querer demarcar-se dos seus próprios lobbies de apoio, aglutinando outros de diferentes tendências e crenças.
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Ele sabe que o governo universal que pode estabelecer sobre a cabeça de todos os americanos depende de se afastar quanto antes, agora que ganhou o lugar, dos fortes compromissos que a campanha mais cara da história dos EUA, inevitavelmente, lhe coloca: compromissos que só conseguirá afastar o suficiente com a ajuda imparável dos ideais maiores, de sentido nacional e prioritário, os das acções que darão a nova vocação ao Ocidente, já não a de dominador mas antes de denominador comum, já não de farol que orienta a peso de dólares mas antes de luz esclarecedora que partilha conhecimento com o mundo para o cativar, não o forçando à sua doutrina e, de certeza, com o compromisso de nunca mais ser uma potência arrogante e isolada mas, sim, o parceiro rico e preparado de um novo grupo mundial que terá mesmo que ter ambições imensas e desmedidas como a promover a nível mundial o devolver as calotes polares aos nossos netos ou as pequenas reformas de dignidade a todos os nossos avós, quase metade da população mundial dentro de pouco tempo.
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A força de Barack para tudo isto é a de, se for também o visionário que parece ser, já ter percebido que os Estados Unidos como nação empreendedora isolada, inovadora e pioneira, tal como a que temos conhecido de há cinco gerações para cá, desde que nos deu a luz eléctrica, o Canal do Panamá, a Bolsa ou a Coca Cola, acabou! Podemos não ter dado bem por isso, mas acabou e cabe-lhe a ele -o Obama do renascimento americano-, a oportunidade de saber propor ao mundo os novos EUA, num feito pacífico, progressivo e inteligente que se poderá vir a escrever na História do Planeta com o retirar dos EUA da liderança única, superpotente e muito desgastante, permitindo o despontar de uma nova era de equilíbrio tenso entre mega potências transplanetárias como a do Ocidente, a do Oriente, a Muçulmana e outras mais ou menos fortes, mais ou menos regionais, mais ou menos étnicas, mas todas, inevitavelmente, niveladas ainda neste tempo da nossa geração, pelo menos na luta do século: a luta da água, mãe de todas as futuras, num novo contexto geoestratégico em que os EUA e, talvez só estes, poderão assumir o papel único de líder de soluções ambientais ou de novas políticas económico-financeiras socialmente sustentáveis.
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Por coincidência e ironia exactamente aquilo que têm arrogantemente conseguido rejeitar nas últimas décadas será indicador do apelo primário e intuitivo que Obama terá de fazer à mudança, por dentro, de toda uma nação de mais de trezentos milhões de consumidores compulsivos de recursos, matérias-primas, energia, até hoje sempre por excesso.
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Por incutir este potencial telúrico pela mudança, até entre os mais improváveis, está a encontrar possíveis aliados, incluindo um dos potenciais inimigos, o Irão e o seu Presidente que congratulou o novo Presidente dos EUA e fê-lo porque sabe que Obama tem disponível como nunca antes, a energia contida neste povo de vontades, iniciativas, apetência para o risco, muitas vezes a favor de quem tem mais medo e, por isso, é mais fraco (a começar pela nossa Europa). O Presidente do Irão congratulou-o também para, subtilmente, retribuir ao povo americano ter-lhe dado a possibilidade de ter ido (há meses atrás), a convite de uma Universidade norte-americana, em solo sagrado dos EUA, falar sem censura nem prisão, como provavelmente no seu próprio país (o mal e o pior do modelo americano de Bush). Temperou, no entanto, a galhardia com a arrogância no tom curto de recomendar a Obama abrir mão de toda a actual política para o Médio e profundo Oriente. O Obama que lhe respondeu bem e de imediato foi ainda o Obama intuitivo, o dos valores maiores e não o das políticas que implementarão esse valores e que vacilou na tal primeira conferência de imprensa. O Obama intuitivo, dos valores superiores, disse-lhe que não mudava a política que ainda é a de Bush, sem ver eliminadas as ameaças contra as quais Bush continua a lutar (de forma errada ou certa) mas continua. Porque elas existem e porque a opção mais fácil de as ignorar nunca foi a americana, essa é a verdade.
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Assinou, assim, quase sem se dar por isso, a primeira acção de política estratégica, ainda sem ter gabinete para o efeito, encaixando sozinho a consequência e a reacção mundial que aceitou a tónica, compreendeu o tom e antevê agora o Obama mais real e menos ideal que vai afirmar assim que levantar a mão da Bíblia, na tomada de posse, no dia 20 de Janeiro. Até o Yoda de todos os libertadores mortos, vivos e ainda não nascidos das Américas Latinas e das Áfricas, libertas da mão Ibérica, Fidel siempre, o recomenda e atira-lhe mais conselhos do que avisos como se tivesse descoberto um neto perdido, vindo do Quénia.
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Obama sabe que pode quase tudo porque está num país que fez muito de errado nos últimos 30 anos mas é, também, o mesmo país que pode fazer, sabe fazer quase tudo, e tem espírito de iniciativa para aglomerar do dia para a noite, multidões nos 52 Estados que tem sob a mesma bandeira e que, como conjunto (não nos esqueçamos) é a maior potência de investigação e tecnologia do mundo, a maior entidade económica e financeira de sempre na história da humanidade, pelo volume da sua riqueza, da sua dívida, do seu investimento e do seu mercado interno maior que a Europa inteira mas, também, porque quase tudo o que somos e vivemos hoje, económica e financeiramente ou foi inventado por eles ou posto por eles em prática, mesmo que inventado por outros mas que tiveram, ou medo, ou falta de dimensão para o aplicarem.
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Obama sabe que é também o país que devolveu à Europa o rumo que os europeus pediram durante as últimas duas Grandes Guerras Mundiais e, pelo caminho, foi-nos dando o nylon, vendeu-nos hambúrgueres, impôs-nos o John Wayne, como modelo de campeão, colocou um boneco do Walt Disney em cada casa, sempre facturando lucro na relação e impondo conceitos como se o berço da cultura Europeia quase não existisse. Afinal, a civilização Indiana -ainda mais antiga-, não tivesse importância ou a China multimilenar fosse mais outra peça num dos seus museus, tal é a força do empreendorismo, da livre iniciativa e da liberdade critica ao ponto deste conjunto de características tender facilmente para o imperialismo, talvez a única forma de manter o corpo imenso do modelo americano, mas seja o que for é, sem dúvida, um motor de evolução que Obama quererá utilizar a caminho da sua visão de sociedade e de futuro.
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Obama sabe que pode porque o povo que navega os EUA é o mesmo que se uniu nos mais elevados (se calhar de sempre e para sempre como nem Churchill viu) índices e iniciativas de apoio colectivo em torno do Presidente Bush que teve que interiorizar sozinho e num único momento, essa má catarse nacional e mundial (provavelmente o seu melhor contributo para a História que se escreverá daqui por duas ou três gerações) quando lhe esmagaram as Torres estômago adentro.
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É o mesmo povo que teve a capacidade, o espírito pioneiro e honesto para conseguir um feito ainda hoje futurista: o de ir e voltar à Lua, várias vezes, num tempo que já lá vai há tanto que, metade da população mundial que hoje existe ainda não tinha nascido, e que agora tem de conseguir atingir esta mesma capacidade de identificação nacional em torno de objectivos concretos para, em menos de duas legislaturas, ultrapassar a fase da auto crítica nacional e a empresa incomensurável de estabelecer e consolidar nada menos do que um novo rumo para o país poder assumir, já sob uma nova fortaleza nacional, a sua nova vocação mundial.
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Obama sabe que pode porque tem um povo que enche estádios de futebol (americano claro) e convida estrelas de rock para cantarem o hino nacional numa explosão incontida sob cada pele de todas as cores como em nenhum outro lado se faz por iniciativa própria, por sabor e sentimento, por arrepio e por ideal, na afirmação de um modo de vida próprio que para eles é um sonho: o sonho americano, na terra americana! Obama saberá ainda mais mas só não sabe (ainda) se o sucesso da sua cruzada futura que agora está a começar, será suficiente para eclipsar o feito histórico de ser o primeiro negro na Presidência mais poderosa do mundo. A acontecer esse eclipse, será a prova de que, entretanto, se tornou incontestavelmente no arauto de uma nova era no mundo.
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O sonho dos que estão acordados é a esperança
(Carlos Magno)

domingo, 9 de novembro de 2008

O DISCURSO DE JOHN McCAIN



No dia 4 de Novembro, como se sabe, a América escolheu o novo Presidente que chegará à Casa Branca a 20 de Janeiro. Barack Obama foi o grande vitorioso, depois de 22 meses de comícios numa campanha dinâmica, calorosa e contagiante. Sobre o facto já me debrucei, por diversas vezes, neste blogue. Publiquei o discurso de vitória de Obama que merece ser guardado já que é notável. Não podia deixar de publicar o discurso feito em Phoenix-Arizona, do senador John McCain por, no momento obviamente de desalento, ter demonstrado uma elegância e uma dignidade que fizeram dele um derrotado de grande carácter.

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Obrigado. Obrigado, meus amigos. Obrigado por virem aqui, nesta bela noite do Arizona. Meus amigos, chegamos ao fim de uma longa jornada. O povo americano falou, e falou claramente. Há pouco, tive a honra de telefonar para o senador Barack Obama para o felicitar. Numa disputa tão longa e difícil como foi esta campanha, o sucesso dele merece o meu respeito pela sua habilidade e perseverança. Mas, que ele tenha obtido sucesso ao inspirar as esperanças de tantos milhões de americanos que acreditaram erroneamente que tinham pouco em jogo ou pouca influência na eleição de um presidente americano, é algo que admiro profundamente e elogio-o por isso. Esta é uma eleição histórica, e reconheço o significado especial que ela tem para os afro-americanos, para o orgulho todo especial, que deve ser deles nesta noite.

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Sempre acreditei que os Estados Unidos oferecem oportunidades para todos os que são trabalhadores e que têm vontade de vencer. O senador Obama acredita nisso também. Mas, ambos reconhecemos que, embora tenhamos avançado muito desde as velhas injustiças que já mancharam a reputação do nosso País e negaram a alguns americanos as plenas benesses da cidadania americana, as lembranças delas ainda têm poder para magoar. Um século atrás, o convite do presidente Theodore Roosevelt a Booker T. Washington, para jantar na Casa Branca, foi visto como um ultraje. A América está hoje a um mundo de distância do fanatismo cruel daqueles tempos. Não há melhor prova disso do que a eleição de um afro-americano para a Presidência dos Estados Unidos. Que não haja razão agora para que qualquer americano deixe de celebrar sua cidadania nesta que é a maior Nação da Terra.
O senador Obama alcançou um grande feito para si e para este País. Aplaudo-o por isso e dou-lhe os meus sinceros sentimentos, por sua avó não ter vivido para ver este dia. Embora a nossa fé nos assegure que ela repousa na presença do Criador e está muito orgulhosa do bom homem que ajudou a criar.


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O senador Obama e eu tivemos e discutimos sobre as nossas diferenças, e ele venceu. Sem dúvida muitas dessas diferenças permanecem. Estes são tempos difíceis para o nosso País. E eu prometo-lhe esta noite fazer tudo o que me seja possível, que esteja ao meu alcance, para ajudá-lo a liderar-nos, através dos muitos desafios que vamos encarar. Peço a todos os americanos que me apoiaram que se juntem a mim não apenas para o felicitar, mas para oferecer ao nosso próximo Presidente a nossa boa vontade e os nossos esforços mais honestos para encontrarmos a forma de nos unirmos a fim de efectuarmos os compromissos necessários para superar as nossas diferenças e ajudar a restaurar a nossa prosperidade, defender a nossa segurança num mundo perigoso, e deixar para nossos filhos e netos um País melhor e mais forte do que o que herdamos. Sejam quais forem as nossas diferenças, somos todos americanos. E, por favor, acreditem em mim quando digo que nenhuma ligação significou tanto para mim como esta. É natural. É natural, nesta noite, sentir algum desapontamento. Mas, amanhã, teremos de seguir adiante e trabalhar em conjunto para colocar nosso País de novo em movimento.

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Lutemos, lutemos tão duro quanto podermos. E, embora tenhamos chegado perto, a falha foi minha, não foi de vocês. Estou profundamente grato a todos pela grande honra do vosso apoio e por tudo que fizeram por mim. Gostaria que o resultado tivesse sido diferente, meus amigos. A estrada foi difícil desde o começo, mas o vosso apoio e a vossa amizade nunca fraquejaram. Não consigo expressar de modo adequado o quanto me sinto profundamente em divida com vocês. Estou especialmente grato a minha mulher, Cindy, a meus filhos, à minha querida mãe e a toda a minha família, e aos muitos velhos e caros amigos que ficaram ao meu lado através dos muitos altos e baixos desta longa campanha. Eu sempre fui um homem de sorte, e muito mais ainda pelo amor e encorajamento que me deram.

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Vocês sabem, campanhas longas são mais duras para a família do candidato do que para o candidato, e isso aconteceu nesta. Tudo que posso oferecer para compensar é meu amor, gratidão e a promessa de anos mais pacíficos. Também estou, é claro, muito grato à governadora Sarah Palin, uma das melhores companheiras de campanha que já vi, e uma voz nova e impressionante no nosso Partido, pelos princípios que sempre foram a nossa maior força. A seu marido Todd e a seus cinco lindos filhos, pela sua incansável dedicação à nossa causa, e à coragem e graça que mostraram nos percalços de uma campanha presidencial. Podemos todos esperar com grande interesse pelos seus próximos serviços no Alasca, no Partido Republicano e no nosso País.


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A todos os meus companheiros de campanha, Rick Davis e Steve Schmidt e Mark Salter até o último voluntário que lutou dura e bravamente, mês após mês, na que às vezes pareceu ser a mais disputada campanha nos tempos modernos, muito obrigado. Uma eleição perdida nunca vai significar mais para mim do que o privilégio da vossa amizade. Eu não sei o que mais poderia ter feito para tentar vencer esta eleição. Deixarei isso a outros para analisarem. Todo candidato comete erros e, tenho a certeza, de que cometi a minha parcela deles. Mas, não vou gastar um minuto do futuro lamentando o que poderia ter sido. Essa campanha foi e vai permanecer como a grande honra da minha vida, e meu coração está cheio de gratidão pela experiência e pelo povo americano por me conceder uma oportunidade justa antes de decidir que o senador Obama e meu velho amigo, o senador Joe Biden, deveriam ter a honra de nos liderar nos próximos quatro anos. Eu não seria um americano digno desse nome se lamentasse um destino que me permitiu ter o privilégio extraordinário de servir esse País por meio século. Hoje, fui um candidato ao posto mais alto do país que amo tanto. E esta noite permaneço seu servo. Isso é bênção suficiente para qualquer um, e eu agradeço ao povo do Arizona por isso.

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Esta noite, mais do que em qualquer outra noite, tenho no meu coração amor por este País e por todos os seus cidadãos, tenham-me apoiado ou optado pelo senador Obama. Desejo boa sorte ao homem que foi meu oponente e será meu Presidente. E peço a todos os americanos, como fiz frequentemente nesta campanha, que não desesperem diante das actuais dificuldades, mas que acreditem, sempre, na promessa e na grandeza dos Estados Unidos, porque nada é impossível aqui. Os Americanos nunca desistem, os Americanos nunca se rendem. Nunca nos escondemos da História. Nós, fazemos História.
Obrigado, Deus os abençoe, e Deus abençoe os Estados Unidos. Obrigado a todos.


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Aqueles que não amam a mudança são, verdadeiramente, visitantes da Terra
(Richard Bach)




quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O DISCURSO - POLÍTICA INSPIRADA


Olá, Chicago! Se alguém ainda duvida que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda pergunte se o sonho dos nossos fundadores continua vivo nos nossos tempos, que ainda questione a força de nossa democracia, esta noite é a resposta. É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas num número como esta Nação jamais viu. Pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez nas suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer a diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados. Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e Estados azuis.


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Somos, e sempre seremos, os EUA da América. É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem cépticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direcção à esperança de dias melhores. Demorou tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA. Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain. O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo País que ama. Aguentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nós beneficiámos do serviço prestado por este líder valente e abnegado. Dou-lhe os parabéns e, também, à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles, para renovar a promessa desta Nação, durante os próximos meses.

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Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de comboio quando regressava a sua casa em Delaware: o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden. E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da Nação, Michelle Obama. Sasha e Malia amo-vos mais do que podem imaginar. Vocês, ganharam um novo cachorrinho que vai connosco para a Casa Branca. Apesar de não estar mais connosco, sei que a minha avó está a ver-nos, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável. As minhas irmãs Maya, Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E ao meu director de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política (creio eu) da história dos EUA da América. Ao meu estratega-chefe, David Axelrod, que foi o parceiro a cada passo do meu caminho. À melhor equipa de campanha formada na história da política.

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Vocês tornaram isto realidade e eu estou eternamente grato pelo que se sacrificaram para o conseguir. Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence-vos. Ela pertence a vocês. Nunca pareci o candidato com mais possibilidades. Não começámos com muito dinheiro nem com muitos apoios. A nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston. Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar à causa US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20. Ganhou a força dos jovens que negaram o mito da apatia da sua geração, que deixaram para trás as suas casas e os seus familiares por empregos que lhes trouxeram pouco dinheiro e menos sono. Ganhou a força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater às portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra. Esta é a vitória de vocês. Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram só por mim.

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Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã serão os maiores de nossas vidas: duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira do século. Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para darem a vida por nós. Há mães e pais que passarão noites em claro, depois de as crianças dormirem, e perguntarão como irão pagar a hipoteca, as facturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária dos seus filhos.

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Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas. O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não o consigamos num ano nem num mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos. Prometo-vos que nós, como povo, conseguiremos. Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou com a minha política, quando assumir a Presidência. E, sabemos, o Governo não pode resolver todos os problemas. Mas, serei sempre sincero sobre os desafios que nos afrontem. Ouvir-vos-ei, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei que participem no trabalho de reconstruir esta Nação, da única forma como foi feito nos EUA durante 221 anos: bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.

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O que começou há 21 meses, em pleno Inverno, não pode acabar nesta noite de Outono. Esta vitória, em si, não é a mudança que procuramos. É só a oportunidade para que façamos essa mudança. E, isto, não pode acontecer se voltarmos ao que era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício. Portanto, façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade: que cada um se ajude mutuamente e trabalhe mais e se preocupe não só com consigo próprio mas também com o outro. Lembremos que esta crise financeira ensinou-nos algo: é que não pode haver uma Wall Street (sector financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre. Neste País, avançamos ou fracassamos como uma só Nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram, tanto tempo, a nossa vida política.

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Lembremos que foi um homem deste Estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional. Esses são valores que todos compartilhamos. O Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite. Façamos, com certa humildade e determinação, a tentativa de curar as divisões que impediram o nosso progresso. Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa: não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não deviam romper os laços de afecto.
E aqueles americanos cujo apoio ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes... Preciso das suas ajudas e também serei o seu presidente. E a todos aqueles que nos vêem esta noite além das nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, e aqueles que se reúnem em redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são diferentes, mas o nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana. Aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. Aqueles que pocuram a paz e a segurança, têm todo o nosso apoio. E, aqueles que perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina fortemente, digo que esta noite demonstramos, mais uma vez, que a força autêntica de nossa Nação não vem do poderio das nossas armas nem da magnitude da nossa riqueza, mas do poder duradouro dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
A verdadeira genialidade dos EUA, o País pode mudar!

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A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos dá-nos esperança sobre o que podemos e temos de conseguir amanhã. Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta. Ela parece-se muito com outros que estiveram nas filas para fazer com que sua voz fosse ouvida nestas eleições - excepto por uma coisa, Ann Nixon Cooper tem 106 anos! Nasceu apenas numa geração depois da escravidão, numa era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos: por ser mulher e pela cor da sua pele. Esta noite penso em tudo o que ela viu durante o seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, e as vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas esforçaram-se para continuar em frente com esta crença americana. Sim, podemos. Numa época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Sim, podemos. Quando havia desespero e uma Depressão no País, ela viu como a Nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Sim, podemos. Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Sim, podemos. Ela estava lá, nos autocarros de Montgomery, nas mangueiras de irrigação em Birmingham, numa ponte em Selma e ouviu um pregador de Atlanta que disse ao povo:"Superaremos". Sim, podemos.

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O homem chegou à Lua, um muro caiu em Berlim e o mundo interligou-se através da nossa ciência e imaginação. E, este ano, nestas eleições, ela tocou numa tela com o dedo e votou porque, após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabia como os EUA podiam mudar. Sim, podemos. EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite, vamos perguntar se os nossos filhos viverão para ver o próximo século; se as minhas filhas terão a sorte de viver tanto tempo como Ann Nixon Cooper. Que mudanças virão? Que progresso faremos? Esta é nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.

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Para dar emprego ao nosso povo e abrir as portas da oportunidade para as nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança. E, quando nos encontrarmos com o cepticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo. Sim, podemos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América".

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A tua única obrigação durante toda a tua existência é seres verdadeiro para contigo próprio.

(Richard Bach)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

SIM, ELES PODEM!

Foto: Sapo/Windows


Juntos, eleitores e candidatos, fizeram na América, no do dia 4 de Novembro de 2008, História. Democraticamente souberam escolher a equipa vencedora: Barack Obama e Joe Biden. Após umas eleições galvanizantes onde o novo Presidente dos EUA (tomará posse a 20 de Janeiro), nas primárias, partiu de uma base tímida -Hillary Clinton foi, desde o início, a grande preferida. Mas, inesperadamente, ao longo do tempo, de comício em comício, o talento, a paixão, o carisma de Obama que o transformou num excelente orador, conquistou multidões onde não faltaram os jovens (habitualmente de costas voltadas para a política) e abriu novas perspectivas, espalhando um valioso capital de esperança.

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Ontem, na América, viveu-se intensamente um dia de mudança que culminou no Grant Park (Chicago) onde se juntaram 125 mil pessoas frente-a-frente: eleitores e eleito. Houve de tudo, festa, emoção e gratidão mútua. Tudo o que aconteceu foi por vossa causa, disse Barack, no seu memorável discurso de vitória (verdadeira arte política), olhando a multidão e fazendo chegar mais tarde -via Net- a casa de cada um dos voluntários, que de uma ou de outra forma colaboraram na sua eleição, o agradecimento pelo contributo, tempo e dedicação dados à campanha.

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O mundo acordou mais leve. Obama vai enfrentar um país revitalizado, apesar de quase dividido já que McCain conquistou, penso, 20 Estados. Há que ser muito hábil para começar a solucionar, a nível interno e externo, os vários problemas urgentes que necessitam de resolução. Há muito para fazer numa época de várias crises. Barack sabe disso. A América tem fortalecer as relações com a Europa e, tal como disse o Presidente eleito, a América e o mundo têm de viver destinos partilhados. É de notar como Hugo Chávez (Presidente da Venezuela), reagiu perante a eleição de Obama: esqueceu as más (péssimas) relações com a Administração Bush! Além de felicitar o Presidente eleito, disse que queria estabelecer novas relações com os Estados Unidos. Os governos da Rússia, Iraque, Paquistão, Japão, China, Egipto, Quénia (o orgulho do país), até agora (12:00) já manifestaram esperança na mudança da nova Administração americana.

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McCain não foi tocado pela estrela da sorte nesta campanha, quer com o apoio de Dick Cheney, quer com (creio) a imposição de escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, que se relevou inábil e impreparada o que não quer dizer que o Partido Republicano não vá tentar fazer dela uma estrela cintilante para o futuro (já se diz que será candidata presidencial em 2012). Confesso que gostei do discurso de derrota do Senador do Arizona. Foi elegante e muito digno. E, até a Governadora Palin, ao discursar (pedindo desculpa pelos votos que tirou a McCain), desta vez, fê-lo bem!

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A América está no tempo certo para pensar e agir pondo em prática as estratégias necessárias e eficazes neste tempo de mudanças. A convicção, a persistência, revelaram que num mundo tumultuoso, por vezes à deriva, os eleitores foram capazes de saber escolher o candidato que pode fazer a diferença. Ele pode! Eles podem! Vocês puderam!


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Os teus olhos devem olhar em frente, para que a tua vista preceda os teus passos.
(Salomão)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

CASA BRANCA - A DESEJADA

Foto: Sapo/Casa Branca


Amanhã, dia 4 de Novembro de 2008, a América e o mundo testemunharão em directo (creio que a partir da meia-noite em Portugal) ou em diferido, o levantar do véu sobre os primeiros resultados que começarão a ser conhecidos. Será uma preparação para a maratona da madrugada de 5 em que, pensa-se, tudo o que era probabilidade será realidade; o que era sondagens transformar-se-á, pelo acto cívico de votar, em resultados decisivos. O antigo presidente (sê-lo-á até 20 de Janeiro) da América, o actual residente da Casa Branca até hoje, dia 3, está em Camp David, afastado do cenário galvanizante das actuais eleições presidenciais americanas, não dando o apoio directo, audível, visual, ao lado do seu companheiro de Partido (Republicano) o senador McCain, deixando-o com Sarah Palin, escolha que deve ter sido o maior tiro que deu no seu próprio pé, nos últimos tempos. Sobre as eleições já tudo foi dito. Resta aguardar.

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Enquanto se espera pela escolha decisiva dos norte-americanos vamos conhecer melhor a tão disputada, desejada e sonhada Casa que é mesmo Branca (White House) e que acolhe os Presidentes da América. Foi construída depois da criação do Distrito de Columbia por um Acto do Congresso, em Dezembro de 1790. O presidente George Washington ajudou a escolher o local, juntamente com Pierre L'Enfant. O arquitecto foi escolhido numa competição que recebeu nove propostas. A honra foi concedida a James Hoban, um irlandês, e a construção começou com a colocação da pedra angular em Outubro de 1792. O edifício desenhado por Hoban foi influenciado pelos primeiro e segundo andares de Leinster House, um palácio ducal de Dublin, República da Irlanda, o qual é, actualmente, o lugar das duas câmaras do Oireachtas, o Parlamento irlandês. Vários outros palácios rurais irlandeses da era Georgiana foram sugeridos como fontes de inspiração.

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Um diário conservado pelo comissário de construções do Distrito de Columbia regista que os apoios da residência principal foram executados por escravos. As fundações foram, igualmente, construídas por trabalho escravo e muito do restante trabalho no edifício foi realizado por imigrantes, muitos deles ainda sem a cidadania. As paredes de arenito foram erguidas por imigrantes escoceses, assim como as decorações com grinaldas em alto relevo por cima da entrada Norte e o padrão em "escama de peixe" sob os frontões das remates das janelas. Muitos dos trabalhos em tijolo e reboco foi produzido por imigrantes irlandeses e italianos. A construção inicial estendeu-se por um período superior a oito anos, com um custo de 232.371,83 dólares (2,4 milhões de dólares em 2005). Apesar de ainda não estar completa, a Casa Branca estava pronta para ser ocupada no dia 1 de Novembro de 1800. Quando o palácio presidencial ficou concluído, as porosas paredes de arenito foram revestidas com uma mistura de cal grude, caseína e chumbo, dando ao edifício a sua cor familiar e o seu nome.

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O edifício foi originalmente referenciado como Palácio do Presidente, Mansão Presidencial ou Casa do Presidente. É comum o falso conceito de que o termo The White House (A Casa Branca) só passou a ser usado depois da Guerra de 1812, quando o palácio foi queimado e pintado de novo. De qualquer forma, as primeiras evidências de ter sido chamado pela população de White House foram registadas em 1811, três anos antes de o edifício ter sido incendiado. O nome Mansão Executiva foi usado em contextos oficiais até que o Presidente Theodore Roosevelt estabeleceu o nome formal, tendo de facto o nome White House–Washington, gravado nos artigos de papelaria em 1901. No actual timbre, o estilo de escrita das palavras "The White House", com a palavra "Washington" centrada abaixo, remonta à administração do Presidente Franklin Roosevelt.

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Apesar de apenas ter sido construído alguns anos depois da presidência de George Washington, também foi especulado que o nome o nome da residência tradicional do Presidente dos Estados Unidos da América pode ter derivado da propriedade de Martha Curtis Washington, a Plantação Casa Branca (White House Plantation), no Condado de New Kent, Virginia, onde o primeiro Presidente da nação e a sua primeira-dama partilharam muitas recordações agradáveis durante o seu namoro, em meados do século XVIII. John Adams tornou-se no primeiro Presidente a residir no edifício a 1 de Novembro de 1800. Durante o segundo dia que passou na Casa Branca, Adams escreveu uma carta à sua esposa, Abigail, contendo uma oração pela casa:

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-Rezo ao Céu para conceder a melhor das bênçãos a esta Casa, e a todos os que a habitarão. Ninguém pode, senão homens honestos e sábios, governar debaixo deste telhado.

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Franklin Roosevelt mandou esculpir a benção de Adams na cornija da lareira da Sala de Jantar de Estado. Adams viveu na casa durante pouco tempo, sendo o edifício rapidamente ocupado por Thomas Jefferson que logo pensou como a Casa Branca poderia ser acrescentada. Com Benjamin Henry Latrobe, ajudou a delinear o desenho para as Colunatas Este e Oeste, pequenas alas que ajudam a conciliar as operações domésticas de lavandaria, um estábulo e um depósito. Actualmente, as colonatas de Jefferson ligam a residência com as Alas Este e Oeste.

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Durante a Guerra de 1812 grande parte da cidade de Washington foi queimada pelas tropas britânicas em retaliação pelo incêndio dos Edifícios do Parlamento do Canadá Superior, na Batalha de York (actual Toronto), deixando a Casa Branca totalmente destruída. Apenas restaram as paredes exteriores, e mesmo estas tiveram que ser deitadas abaixo e reconstruídas na sua maior parte devido ao enfraquecimento causado pelo fogo e consequente exposição aos elementos, excepto em alguns trechos da parede Sul. Surgiu então a lenda, durante a reconstrução do edifício, segundo a qual as pinturas brancas foram aplicadas para mascarar os danos causados pelo fogo, dando ao edifício a sua tonalidade homónima. Isto não tem fundamento, uma vez que o edifício sempre teve a cor branca desde a sua construção, em 1798.

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Dos numerosos espólios levados da Casa Branca quando esta foi saqueada pelas tropas britânicas, apenas dois foram recuperados — uma pintura de George Washington, resgatada pela então primeira-dama Dolley Madison, e uma caixa de jóias devolvida ao Presidente Roosevelt, em 1939, por um canadiano que afirmou que o seu avô a levara de Washington. A maior parte das peças perderam-se quando um comboio de navios britânicos, conduzida pelo navio HMS Fantome, se afundou no caminho para Halifax, durante uma tempestade ocorrida na noite de 24 de Novembro de 1814. Em 1948 o palácio presidencial tornou-se tão instável que o Presidente Harry Truman o abandonou, mudando-se para a Blair House, do outro lado da rua, entre 1949 e 1951. A reconstrução requereu o desmantelamento total dos espaços interiores, a construção de uma nova estrutura interna em aço e a reconstrução das salas originais dentro da nova estrutura. Foram feitas algumas alterações à planta do andar térreo, sendo a mais importante a reposição da grande escadaria a abrir para o Hall de Entrada, em vez de abrir para a Galeria Cruzada. Foi instalado ar condicionado central e adicionadas duas sub-caves para providenciar mais espaço para salas de trabalho, depósitos e um abrigo contra bombas.

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Os Truman´s regressaram à Casa Branca no dia 27 de Março de 1952. Enquanto o edifício foi salvo pela reconstrução, a maior parte dos acabamentos interiores foram genéricos e de pouco valor histórico. Grande parte das obras de estuque originais, algumas datadas da reconstrução de 1814 a 1816, ficaram demasiado danificadas para reinstalar, tal como o robusto apainelamento de Beaux Arts original, na Sala Este. Jacqueline Kennedy, esposa do Presidente John F. Kennedy (1961–1963) dirigiu a mais extensa e histórica redecoração efectuada no edifício. Henry Francis du Pont do Winterthur Museum presidiu a um Comité de Belas Artes da Casa Branca. Foram feitas pesquisas sobre o uso e decoração das primitivas salas da casa. Foram seleccionadas vários períodos do início da república como tema para cada sala: o estilo Federal para a Sala Verde; o estilo Império Francês para a Sala Azul; o estilo Império Americano para a Sala Vermelha; o estilo Luís XVI para a Sala Oval Amarela; e o estilo Vitoriano para o estúdio presidencial, renomeado para Sala do Tratado. Foi adquirido mobiliário antigo e fabricados e instalados ornamentos e decorações baseadas em documentos da época.

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Muitas das antiguidades, pinturas refinadas e outros melhoramentos do período Kennedy foram oferecidos à Casa Branca por ricos doadores.Os restauros Kennedy resultaram numa Casa Branca com um gosto quase real, o qual foi chamado de gosto francês de Madison e Monroe. Muito do gosto francês, originada com o decorador de interiores Stéphane Boudin da Casa Jansen (Maison Jansen), uma firma de design de interiores de Paris que havia desenhado os interiores para Elsie de Wolfe, Lady Olive Baillie, para as Famílias Reais da Bélgica e Irão para o Reichsbank durante o período do Nacional Socialismo e para o Leeds Castle, no Kent.

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O primeiro guia da Casa Branca foi produzido sob a direcção do curador Lorraine Waxman Pearce com supervisão directa de Jacqueline Kennedy. A sua venda ajudou no financiamento do restauro.O Comité de Belas Artes dos Kennedy tornou-se, mais tarde e com autorização do Congresso, no Comité para a Preservação da Casa Branca, cuja missão é manter a integridade histórica da Casa Branca. O comité trabalha com a Primeira Família, habitualmente representada pela primeira-dama, o curador da Casa Branca e o chefe do Pessoal. Desde o estabelecimento do comité, cada família presidencial tem feito algumas alterações aos locais de habitação familiares da Casa Branca, mas as alterações nas Salas de Aparato têm que ser todas aprovadas pelo Comité para a Preservação.

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-Durante a administração de Richard Nixon, a primeira-dama Pat Nixon remobilou a Sala Verde, a Sala Azul e a Sala Vermelha.

- Na década de 1990 o presidente Bill Clinton e a primeira-dama Hillary Clinton remobilaram algumas salas: a Sala Este, a Sala Azul, a Sala de Jantar de Estado, e a Sala de Estar Lincolin e alterações no Quarto de Lincoln que teve início durante a sua administração mas já foram concluídas durante a administração do Presidente George W. Bush, tendo início, então, alterações na Sala Verde e da Sala Este.A Casa Branca foi um dos primeiros edifícios governamentais de Washington acessível a cadeiras de rodas, com modificações efectuadas durante a presidência de Franklin D. Roosevelt, que necessitou de a usar como resultado da sua doença. Na década de 1990, Hillary Clinton, por sugestão da Directora do Gabinete de Visitantes, Melinda N. Bates, aprovou a adição de uma rampa no corredor da Ala Este. Esta permite um fácil acesso de cadeiras de rodas nas visitas públicas e em eventos especiais com ingresso pela entrada de segurança do edifício no lado Este.

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A residência original fica situada no centro do conjunto. Duas colunatas desenhadas por Jefferson – uma a Este e outra a Oeste – servem, actualmente, para ligar a Alas Este e Oeste, adicionadas mais tarde. A Residência Executiva acolhe a habitação do Presidente, além de salas de cerimónia e de entretenimento oficial. O Andar de Aparato do edifício residencial inclui a Sala Este, a Sala Verde, a Sala Azul, a Sala Vermelha e a Sala de Jantar de Estado, além da Sala de Jantar da Família. O terceiro piso da residência da família inclui a Sala Oval Amarela, as Galerias de Estar Este e Oeste, a Sala de Jantar do Presidente, a Sala do Tratado, o Quarto de Lincoln e o Quarto de Queens.A Ala Oeste acolhe o gabinete do Presidente (o famoso Gabinete Oval) e gabinetes da equipe de funcionários sénior, com salas para cerca de 50 empregados. Tem, também, a Sala do Gabinete, onde o Gabinete dos Estados Unidos se reúne, e a Sala da Situação da Casa Branca.

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Alguns membros da equipa do Presidente estão alojados no adjacente Velho Edifício do Gabinete Executivo, antigamente o edifício do Estado de Guerra e Marinha e, por vezes, conhecido como o Edifício do Gabinete Executivo Eisenhower. A Ala Este, a qual contém espaço adicional para gabinetes, foi acrescentada à Casa Branca em 1942. Entre os seus usos, tem acolhido, de forma intermitente, os gabinetes do pessoal da primeira-dama dos Estados Unidos da América, e o Gabinete Social da Casa Branca. Rosalynn Carter, em 1977, foi a primeira a dispor do seu gabinete pessoal na Ala Este, e a primeira a chamá-lo formalmente de Gabinete da Primeira-Dama. Esta Ala foi construída durante a Segunda Guerra Mundial, com o objectivo de ocultar a construção de um bunker subterrâneo, a ser usado em situações de emergência. O bunker ficaria conhecido como Centro de Operações da Emergência Presidencial.

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Antes da construção do Pórtico Norte maior parte dos eventos públicos tinham entrada pelo relvado Sul, o qual foi aplanado e plantado por Thomas Jefferson que também desenhou um plano de plantações para o relvado Norte que incluía três grandes árvores que deveriam obscurecer a maior parte do edifício a partir da Avenida Pensilvânia. Em meados do século XIX, foram construídas estufas, cada vez maiores, no lado Oeste do edifício, onde está localizada a actual Ala Oeste. Durante este período o relvado Norte foi plantado com leitos ornamentais de flores, estilo tapete. Apesar de os jardins da Casa Branca terem tido muitos jardineiros ao longo da sua história, o desenho geral, ainda amplamente usado como plano mestre na actualidade, foi criado em 1935 por Frederick Law Olmsted, Jr., da firma Olmsted Brothers, sob encomenda do Presidente Franklin D. Roosevelt.

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Durante a administração Kennedy, o Roseiral da Casa Branca foi redesenhado por Rachel Lambert Mellon. O Roseiral orna a Colonata Oeste. Delimitando a Colonata Este fica o Jardim Jacqueline Kennedy, o qual foi iniciado por Jacqueline, mas terminado depois do assassinato do seu marido. No fim-de-semana de 23 de Junho de 2006, um Ulmeiro Americano centenário, do lado Norte do edifício, foi derrubado durante uma das muitas tempestades ocorridas naquele mês. Este ulmeiro está representado no reverso da nota de 20 dólares. Acredita-se que esta árvore terá sido plantada entre 1902 e 1906, durante a administração de Theodore Roosevelt. Entre as árvores mais velhas do parque, encontram-se várias magnólias brancas, plantadas por Andrew Jackson.

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Tal como aconteceu com os palácios rurais da Inglaterra e da Irlanda, que lhe serviram de modelo, a Casa Branca foi, desde o início, aberta ao público até ao início do século XX. O Presidente Thomas Jefferson manteve uma casa aberta para a sua segunda inauguração, em 1805, e muitas das pessoas presentes na sua cerimónia de juramento no Capitólio seguiram-no a casa, onde foram recebidas na Sala Azul. Estas casas abertas, por vezes, tornavam-se rudes: em 1829, o Presidente Andrew Jackson teve que ir para um hotel quando cerca de 20.000 cidadãos celebraram a sua inauguração na presidência, no interior da Casa Branca.Os seus ajudantes acabaram por ser obrigados a atrair a multidão para o exterior com tinas cheias com um potente cocktail de sumo de laranja e uísque. Mesmo assim, a prática continuou até 1885, quando o eleito Grover Cleveland organizou uma revista presidencial às tropas, a partir de uma tribuna em vez da tradicional casa aberta. Jefferson também permitiu visitas públicas à sua residência, as quais tiveram continuação, excepto durante os tempos de guerra, e iniciaram a tradição das recepções anuais no Dia de Ano Novo e no Catorze de Julho. Estas recepções terminaram no início da década de 1930, embora o Presidente Bill Clinton tenha recuperado a tradição da casa aberta do Dia de Ano Novo durante o seu primeiro mandato.

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O Presidente Abraham Lincoln queixou-se que era constantemente cercado por perseguidores de empregos que esperavam para lhe pedir nomeações políticas ou outros favores, ou por excêntricos distribuidores de conselhos, como o "General" Daniel Pratt, quando começava o dia de trabalhos. Lincoln aguentou com a contrariedade em vez de correr o risco de alienar alguns associados ou amigos de poderosos fabricantes de opinião. Em anos recentes, a Casa Branca tem estado fechada a visitantes devidos às preocupações com o terrorismo. O Complexo Casa Branca está protegido pelo United States Secret Service e pela United States Park Police.

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No seu interior existem 132 salas, 35 casas de banho, 6 depósitos, 412 portas, 147 janelas, 28 lareiras, 8 escadarias 3 elevadores, 5 chefes de cozinha a tempo integral, 5.000 visitantes diários, um campo de ténis, uma pista de bowling, um cinema, uma pista de corrida e uma piscina. A Casa Branca recebeu o serviço de telégrafo na década de 1850 e o serviço telefónico na década de 1890. O principal número da central telefónica da Casa Branca é o 202-456-1414. (Robert Redford no papel de Bob Woodward é visto a procurar e a marcar o número no filme Os Homens do Presidente). Isso foi discutido durante a crise do Médio Oriente, em 1990, quando o Secretário de Estado James Baker disse:

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-Todos devem saber que o número de telefone da Casa Branca: é o 1-202-456-1414. Quando quiseram falar a sério sobre paz, telefonem-nos.

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A Casa Branca mantém uma linha de comentários para registar opiniões de voz no número telefónico 202-456-1111. O website oficial é http://www.whitehouse.gov/. Foi estabelecida no dia 17 de Outubro de 1994, durante a administração do Presidente Clinton. As duas versões do website usadas pela sua administração foram guardadas pelos Arquivos Nacionais e pela Administração de Registos. Ambas são mantidas a funcionar, com ligações activas. O primeiro site da Casa Branca pode ser encontrado em http://clinton1.nara.gov/, e o segundo em http://clinton2.nara.gov/. Estão entre os primeiros exemplos de preservação histórica de meios de comunicação digitais.

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Falar da Casa Branca (1600 Pennsylvania Ave., NW) é um interessante tema que demoraria longas horas. Vali-me da Wikipédia, para aflorar alguns temas talvez desconhecidos mas relevantes. Esta é a tal Casa que Hillary conhece muito bem e à qual gostaria de ter voltado. Isso, seguramente não vai acontecer mas, Obama ou McCain, até amanhã, são os candidatos a Presidente e locatário à Casa Branca. Por enquanto a madrugada apenas nos traz sussurros encorajadores.

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Mesmo que não escrevas livros, és o escritor da tua vida. Mesmo que não sejas Van Gogh, podes fazer da tua vida uma obra de arte

(Autor desconhecido)